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Conforme mencionei antes, alterei a sinopse do primeiro livro.
Nova sinopse



A mão nua de Raizen pairou sobre sua espada cravada no chão, e logo em seguida, esta pareceu tremular enquanto erguia-se do solo.  No instante seguinte, o Lorde Maligno já empunhava a arma na mão esquerda. Novamente, ele tocou as lâminas de suas espadas em um “X”. Dessa vez, a espada que ainda possuía um tom rubro, foi gradualmente sendo tingida de preto, enquanto fumegava uma nuvem escura de seu fio. Por fim, as duas espadas gêmeas mostraram-se semelhantes.
  A nova imagem daquelas espadas elevou a cautela do Mago Zailon. Ele não conhecia a fundo sobre a arma que o Lorde Maligno portava, mas sabia um pouco sobre sua história.
   Aquelas eram “As Espadas de Orion”. Foram forjadas há muitos séculos por um Anão renegado de nome Flink em conjunto com um Mago Negro chamado Orion. 


Pelo o que se conta em relatos históricos, Orion fora procurar este Anão renunciado de seu povo por vários delitos cometidos. Ao encontrar o pequeno, o Mago fizera-lhe uma proposta, já sabendo das perícias que os Anões tinham em forjar armas. E Flink era um dos melhores, um verdadeiro exímio em sua arte.
   Orion era um Mago de idade bem avançada, e por conta disso, dotado de um alto nível de conhecimento. Tinha ciência de muitas magias que foram descartadas por Nerus na época, pelo fato delas apresentarem um grande perigo não só para os Magos, como para todos os outros povos das mais variadas castas. Entretanto, Orion não aceitara esta recusa e deixara a Sociedade dos Magos, sendo condenado a exílio pelos mesmos. Nunca mais ele poria os pés nos limites de Nerus.
   Este destino infortúnio fez a ira e o ódio de Orion crescerem, repudiando profundamente as decisões de seus companheiros. Vagou sem destino por muitas regiões e cidades como um desbravador. Mas ele não caminhava perdido, em sua mente ele ansiava por provar sua capacidade para todo o mundo. Tais habilidades de renovação que foram ignoradas pelos de sua espécie.
   Ele praticamente sumira da vista dos Magos, e quando os encontrava por acaso, estes eram derrotados e capturados para lhe servirem de cobaia para seus experimentos. Um ato cruel e desumano visto por qualquer outro Mago. Quem cruzava o seu caminho não tinha chances de vencer ou fugir, pois Orion era mais esperto, experiente e forte. 
   Orion fora o primeiro Mago expulso de seu povo, e consequentemente, acabou seguindo outras diretrizes. Suas novas concepções adquiridas em suas viagens pelo mundo distorceram seus ideais obtidos como Mago. O simples fato de atacar seus companheiros mostrava que Orion já não podia ser chamado de Mago.
   Magos eram seres pacientes e pacíficos, e se havia uma coisa que não faziam sob hipótese alguma era afligir outras pessoas. Eles tinham em mente que pregar uma vida sem sofrimento, raiva, tristeza, ou qualquer outra coisa que trouxesse Energia Maligna, colocaria o mundo num compasso harmonioso. E os Magos eram capazes de ver essa tal Energia maléfica que tanto repudiavam. Devido a essa peculiar habilidade sensitiva, eles sabiam que eram seres importantes para o futuro do mundo. Dessa concepção nasceu-se o “Trynyang”. Uma doutrina que dizia aos Magos que tinham a competência de estudar uma dualidade chamada de “bem“ e “mal”.
   Todavia, Orion, expulso pelos Magos, abandonara esse princípio, e caminhando ao redor do mundo, criara uma nova visão sobre o mesmo. Eventualmente, ele se tornara o primeiro Mago Negro da história. Aquele que iria contra todas as doutrinas aprendidas em sua sociedade, passando assim, a arquitetar seus próprios ideais.
   O primeiro passo foi basicamente se aproveitar de uma realização pessoal.
   Ele mostraria ao mundo todo o que sua mente poderia criar. Quantas ferramentas a magia poderia conceber. Mas o que inicialmente seriam experiências para o bem-estar de seu povo, acabou tornando-se hostil para os mesmos. Tudo porque ele foi contrariado, menosprezado, e humilhado.
   E uma das criações de Orion foram as espadas que no futuro seriam empunhadas por um Lorde chamado Raizen.
   Com a ajuda do Anão Flink, o Mago Negro inserira algumas peculiaridades na arma, atribuindo-as com poderes muito além de espadas comuns. Após ter sido forjada, Orion vira que a construção de armas mágicas poderia se tornar um negócio promissor.
   Naquele tempo, não havia apenas muitas raças, mas também muitas guerras. Povos guerreavam para dominar cada vez mais territórios visando seus próprios interesses. Aqueles que estavam mais bem equipados ou apresentavam o uso de magia corrente sempre saiam vitoriosos. Por causa disso, os Homens, uma raça simples, estavam quase em extinção, se comparado ao seu número inicial antes das guerras se intensificarem; não restando pouco mais do que quatro cidades e alguns povoados.
   O que mais deixava Orion ansioso era que os Homens se encontravam em territórios de muita opulência, e isso mexia muito com as raças de que delimitavam com eles. A cobiça, a ânsia por riquezas, era a principal matriz energética daquela guerra. Os Homens não podiam usar magia, e era um povo rudimentar em muitos aspectos. Até mesmo suas armas não eram grande coisa. Não chegavam a passar de adagas curtas, e bem poucas, lanças e machados; todas produzidas de maneira simples e não-durável.
   Umas das raças que se interessava pela região dos Homens eram os Anões. Ansiavam toda a extensão montanhosa que era recheada de minas e muito ouro. Comparar as armas de uma raça exímia em sua fabricação com a dos Homens era a compensação que os Anões tinham quanto ao tamanho. Mas a altura destes nada influenciava durante os combates. Os Anões sabiam manejar perfeitamente suas armas, e possuíam armaduras resistentes que nem a melhor arma inimiga conseguia transpassar. Perante os Homens, davam pinta de ser um exército invencível.
   Daquele modo, os Homens iam se extinguindo. Até que o Mago Negro Orion resolveu intervir. Em troca de parte das riquezas nas terras dos Homens, ofereceu a eles uma grande quantidade de pares de suas espadas mágicas. Os Homens então se equiparam com as Espadas de Orion, e partiram novamente para a guerra.
   Os Anões que até então se mantiveram confiantes no andar daquela batalha, se surpreenderam com a legião de Homens provendo-se de estranhas armas que eles desconheciam. As Espadas de Orion foram a variável que derrubou toda a diferença de poderes entre os Homens e as outras raças.
   O Anão Flink não guardava ressentimentos em ver sua própria casta ser aniquilada. Afinal, ele era um renegado, e um grande ódio, assim como o de Orion, estava plantado em sua alma. Ambos assistiram à guerra, avaliando o resultado final de seus feitos.
   Entretanto, eles também ficaram surpresos com um detalhe que não observaram na fase de testes daquela arma. Os pares de Espadas nunca foram testados em Homens até aquele momento, e Orion percebeu que aquela raça conseguia dominar e usufruir de maneira máxima, todos os poderes das Espadas. Ao que parecia, os Homens tinham algum fator chave para ativação de sua magia.
   Ao final de um tempo seguinte, os Magos tomaram conhecimento daquele fato. Eles viram nas Espadas de Orion uma ameaça para o mundo. Primeiramente, tentaram um acordo com os Homens para que destruíssem as Espadas, mas naquela altura, os portadores daquele poder já não aceitariam qualquer proposta de troca. Orion havia feito crescer uma semente nos Homens que fez despertar o “mal” dentro deles.
   Antes de terem sido ofertados com o poder das Espadas, os Homens apenas queriam viver em paz em sua terra, e não se envolver em desavenças com as raças vizinhas. Eles só queriam viver a vida deles, sem influência de terceiros. Mas os sentimentos maléficos vieram de fora, pelos terceiros que queriam evitar, e algo nos Homens começou a nascer. Eles estavam se transformando, adquirindo uma nova personalidade, e modificando todos os seus conceitos, que até então estavam limitados ao seu pequeno pedaço de mundo.
   Uma dessas modificações foi a elevação da Energia Maligna. Os Homens adquiriram mais maldade do que imaginavam, e o poder na palma de suas mãos mudou para sempre seus objetivos naquele mundo. Quando os Magos perceberam aquela mudança de valores, já era tarde demais. A dominação já fora iniciada.
   Os Homens, que eram uma raça sedentária, tornaram-se nômades. Desbravaram o mundo em exércitos formados, fizeram de outras raças seus prisioneiros e ajudantes. E chegaram a obrigar até mesmo os Anões a criarem armas e armaduras semelhantes as que os mesmos usavam. Os Homens vestiram uma nova vestimenta militar, muito diferente dos trajes rústicos e sem proteção que usavam nas batalhas antecedentes. Elmos, espadas, lanças, armaduras e muitos outros adereços de guerra passaram a fazer parte de seu suporte bélico.
   Os Homens pouco a pouco estavam explorando e dominando o mundo, atribuindo várias colônias para explorar todas as habilidades das raças que encontravam pelo caminho. Estavam construindo um verdadeiro Império. No processo, até mesmo os Elfos, que resistiram àquela dominação, foram completamente dizimados da face da Terra.
   Os Homens foram abrindo caminho, e em pouco tempo, dominaram todo o Continente Leste. As castas que antes habitavam essa região ou foram subjugadas ou mortas. Até que uma raça que jazia num outro continente, e pregava o entendimento entre todos os povos do mundo, se deparou para ater o avanço ambicioso dos Homens. Uma nova guerra sem igual estava para se iniciar.
   Ela ficara conhecida como a “I Guerra das Raças”.
   Impulsionadas pela ousadia dos Magos em deter a pretensão dos Homens, outras raças, muitas delas com porte mágico, uniram forças e lutaram. Dessa vez, nem mesmo as Espadas de Orion foram suficientes para derrotar os inimigos, e os Homens novamente estavam à beira de um sucumbo. Mas antes que começasse um processo de extinção, eles decidiram se render e entregar as Espadas para os vencedores da guerra. Uma decisão que era de muito alívio para o mundo, e ao mesmo tempo desesperador. Se aquela arma dava um grande poder aos Homens, o quanto poderia ceder às outras raças? Assim como aconteceu com os mesmos, um poder em mãos poderia libertar uma nova Guerra das Raças.
   Temendo este destino infeliz, os Magos se encarregaram de destruir todas as Espadas de Orion, mesmo que algumas outras raças aliadas dos mesmos não concordassem com a decisão. Neste período, muitas desavenças ocorreram com os Magos, bem como muitas hipóteses de que eles estivessem mentindo, e que guardariam as Espadas para eles num uso futuro. 
   Não há muitos relatos históricos contando de forma clara esta passagem, mas o que se sabe é que os Magos realmente destruíram todas as Espadas. Pelo menos, foi o que pensaram. Houvera uma Espada naquela época que não fora varrida. Esta arma estava nas mãos de um de seus criadores: o Mago Negro Orion.
   Os séculos se passaram e a Espada continuou sendo guardada pela geração de Magos Negros que se sucederam. Os anos mostraram que os Magos pagaram muito caro pelo exílio de Orion. Isso acabou gerando uma idéia de que certos criminosos mesmo sendo Magos, deveriam ser presos ou até mesmo extinguidos. A punição de exílio fora banida durante um longo tempo.
   Entretanto, esta penalidade voltara a vigor quando Zailon Hauker passara a ser o Mago Supremo. Muitos foram contra inicialmente, mas Zailon levara a Sociedade dos Magos a tanta evolução que eles não foram tão assíduos nas críticas negativas. O problema de ser terem Magos Exilados é que eles, sem a supervisão dos Magos de Nerus, seriam facilmente atraídos pelo mal, e se tornariam Magos Negros, vivendo às sombras pelo mundo.
   O legado da concepção sombria de Orion se arrastou por séculos, formando seguidores com o passar das gerações. E ao chegar ao ano de 1459 da Terceira Era, Helion Grik, um Mago Negro, ousou ir mais longe do que nenhum outro. Uma decisão que veio a sua mente como uma solução cruel para o mundo, porém, segundo ele, necessária.
   Zailon conhecera Helion, e nunca tivera um relacionamento muito afetuoso com ele. Tinha a leve impressão de que Helion não era realmente uma boa pessoa como um Mago deveria ser. E anos após seu primeiro contato com ele, Zailon vira-o se tornar um poderoso Mago Negro. E num dado momento, este proferiu as palavras mais cruéis que Zailon ouvira na vida.
“Este mundo é tão sombrio que a única salvação para ele é sua própria morte.”
   E Helion criou uma relíquia chamada Inalação Negra, um objeto cristalino de formato rômbico capaz de absorver toda a Energia Maligna no mundo. Entretanto, não se sabe como, mas um Homem fundiu-se com esta relíquia formando o que se tornou conhecido como Raizen, o Lorde da Destruição.
   Helion fora morto, mas deixara um grande presente para a conseqüência de sua criação. Algo que seria muito útil na batalha contra outros seres. As Espadas de Orion, a mesma que pertencera a Orion há séculos no passado. 



   Tal arma estava agora sob os olhos apreensivos de Zailon. Aquelas espadas davam a Raizen um atributo eficaz para a detenção de magias jogadas contra ele, como provara refletindo os raios do Mago anteriormente. E agora, ele mostrara uma nova habilidade que aquela arma possuía. E Zailon não fazia idéia do que ela representava.
- O que pensa em fazer com isso? – indagou o Mago Supremo. Raizen respondeu com uma risada afetada, proferindo em seguida palavras hostis.
- Eu lhe mostrarei – disse empunhando a arma, aventando-a para enaltecer sua imagem. Zailon bufou.
- Seja o que estiver planejando... - O Mago Supremo movimentou seu cajado agilmente entre os dedos e o posicionou com a ponta para cima e ao lado do corpo, segurando-o firmemente com a mão direita. - ... não vai funcionar. – proferiu com um olhar destemido. 


O olhar de Aron fixou-se no penhasco assomado diante dele. O vale chegava ao final justamente na base do penhasco. Ao que via, era uma subida bem íngreme. Deveria subir com cautela, porém ao mesmo tempo imprimindo rapidez.
   Deixou seu rosto erguido, e tentou enxergar o fim do declive. Apesar da visão do cume estar praticamente invisível, sabia que aquele momento não era hora de fraquejar. Seu pai estava lá no topo, esperando o que Aron lhe traria.
   Seus cabelos se aventaram com um frígido vento, talvez proposital daquele lugar, pois sentia que um pouco de medo emergira dentro dele. Mas Aron respirou fundo e fechou os olhos. Em seguida, abriu-os e voltou-se para a encosta. Seu medo foi coberto por sua coragem.
- Aqui vou eu!
   E precipitou-se para escalar o penhasco.

1 comentários:

Fernando disse...

Gostei do final, e um ótimo gancho para a sequência.