quinta-feira, 27 de maio de 2010

Ventura - Capítulo 4

Mais uma vez agradecendo as pessoas que acompanham e comentam, mandando sugestões para melhoria dos textos. Na verdade, estou um pouco receoso, pois a maioria da primeira metade de Ventura foi modificada da versão anterior( escrita há um bom tempo), então pode ser que algumas passagens tenham um nível menor que outras. Se isso acontecer, podem me criticar a vontade, hehe.
Sem mais, o quarto capítulo.



# 04
Trote

   Ainda nervoso, Léo se dirigiu à entrada do prédio. Mas ao executar este ato, sua imagem ficaria a mercê de vários acontecimentos.

   Cinco degraus para o saguão do colégio era o que me separava de um novo mundo no qual teria de viver.
   Havia alguns garotos conversando em grupo, pouco depois da entrada. Por usarem o uniforme escolar, logo presumi que eram veteranos. Como se não bastasse o nervosismo de primeiro dia de aula, ainda tinha que me preocupar com algo muito pior e que morro de pavor: trote. Provavelmente haverá aqueles veteranos que querem se divertir com a insegurança dos outros. Sinceramente, odeio estes tipos de alunos. Como podem se divertir jogando as pessoas à humilhação de uma forma tão ridícula? Há tantas pessoas melhores do que eles que mereciam estar aqui.
   Foi quando eu notei que um dos garotos do grupo segurava um pote de tinta guache nas mãos. Reparando melhor, todos daquele grupo também portavam aquele temido objeto. E eles conversavam e riam de alguma coisa boba, provavelmente. Melhor assim. Continuem conversando para que eu passe despercebido do lado de vocês. Era o meu único pensamento naquela situação.  
   Me agarrando à essa possibilidade, sendo minha única saída para me livrar de uma situação indesejável, subi cautelosamente os últimos degraus. Ainda assim, me sentia nervoso e inseguro. O saguão aparentava ser bem grande, mas nem tive tempo de olhar os seus detalhes, pois o grupo se mantinha a poucos metros de distância à direita. Pelos sorrisos toscos que davam um para o outro, ainda pareciam entretidos. Ainda não me perceberam.
   Andei mais dois passos, passando pelo grupo, e me senti aliviado. Não queria nem imaginar como seria minha cara pintada. O meu receio se esvaiu e minha segurança retornou. Então, com minha cabeça menos apreensiva, parei no centro do hall, e reparei no piso. Me encontrava no meio da imagem de duas grandes asas negras pintadas no chão. Era uma visão muito vistosa, que por sinal, era o símbolo da escola.
   Infelizmente, algo que eu não previra aconteceu. Do nada, um daqueles garotos apareceu do meu lado pousando a mão no meu ombro. Senti um frio na barriga. Fiquei tão nervoso que nem o escutei dizendo a primeira frase, mas escutei claramente sua segunda.
- Que tal mudar um pouco o tom de seu rosto antes de entrar na sala?
   Não queria que isso fosse verdade. Eu, todo cauteloso para não ser pego em uma dessas brincadeiras de mau gosto, e no final, nada valeu a pena? Mas não era o fim. Eu ainda podia me safar dessa na conversa, o que não era meu forte.
- Desculpe, mas eu prefiro ir do jeito que estou – disse ao jovem que estava ao meu lado. Devia ter uns 18 ou 19 anos. Era um quase careca de olhos verdes. Provavelmente um veterano do tipo repetente.
   Eu tentei reiniciar minha passada, mas senti uma força que me impediu de andar. Era o mesmo cara, que apertou meu ombro, não querendo que me livrasse dele.
- Peraí, parceiro! Não precisa ter pressa. Deixo eu te explicar o que é isso? Você pode ver como uma brincadeira de mau gosto, mas é só uma forma de se enturmar com o ambiente da escola, principalmente com as pessoas daqui. É só uma brincadeirazinha que não vai te influenciar em nada.
   Eu olhei pra ele enquanto falava. Chegava a me irritar a forma como ele dizia e o que ele dizia. Tudo era uma brincadeira? Era um completo imbecil. Por isso que são repetentes. Esse tipo de gente é irrelevante. Só servem para causar problemas num mundo já cheio de problemas.
- Tem pessoas que não gostam dessa brincadeirazinha – falei com uma raiva tremenda querendo sair.
- E você é uma delas?
- Sou.
- Tudo bem. Eu não sou um cara muito chato nesse tipo de coisa. Se você não gosta, tá beleza. Não vou forçar você a fazer isso se não gostar, tá me entendendo? Só uma nota de dois e te libero.
   Essa última frase me enfureceu.
- Uma nota de dois reais? – perguntei, abaixando a cabeça com raiva e descrença. Ele queria mesmo me cobrar?
- É só um pedágio pra se livrar do trote. Não vai te fazer falta – Mais uma vez, a última frase me atingiu profundamente.
- Vai à merda seu playboy filho da mãe! – esbravejei num tom de ódio.
   Não sou uma pessoa de xingar os outros, mas dessa vez, tive que abrir uma exceção. Acham que eu nado em grana como eles para tratar dinheiro de uma forma tão desprezível? Eu tinha apenas o dinheiro da passagem de volta na mochila. E não tinha nada pra comer durante o intervalo das aulas. Teria que sobreviver apenas com o meu café da manhã. 
- Qual é a tua mané? Eu por acaso te xinguei? – perguntou o filho da mãe que não estava nada calmo agora. Mas me mantive calado. – Responde, porra!
   Olha quem está xingando agora!
- Não – respondi, já receoso pela situação ter tomado aquele rumo. Meu objetivo era sair ileso da tentativa de trote, mas parece que acabei de diminuir as chances disso acontecer.
- Agora não tem jeito. Tu vai ter que levar trote – Ele veio pra cima de mim. Me afastei alguns passos. Minha única saída era dar no pé.
   Me virei pronto pra correr, mas nem dei meu primeiro passo e parei ao ver mais três figuras marchando até mim. Estavam me cercando.
- Vai pra onde, aspira? – indagou o mais próximo. Um barrigudo cheio de piercings. Um na sobrancelha direita, outro no nariz, outro na língua e vários brincos na orelha. Que cara medonho!
- Bora passar um trote nesse filho da mãe – disse o que estava atrás de mim, o qual fora o primeiro a me parar.
   Senti meu estômago afundar e minhas pernas tremerem. Ou tentava passar por eles na marra ou pulava por cima deles. Que inveja do Hulk e do Homen-Aranha...
   Sem saída.
   Eles então me pegaram e me levantaram pelos braços e pelas pernas. Eu tentei me soltar, mas eram muitos me segurando.
- Parem! Me soltem! Me soltem! – gritei desesperadamente. Mas com certeza, nenhum deles iria me atender.
- Vamos levar esse doente pra fora. Bora pintar a cara até ele gritar que nem uma bicha – zoou o gordo.
   Nada bom. Nada bom.
   Por mais que eu dissesse “parem”, era inútil. Eles sentiam cada vez mais vontade de aplicar o trote. Com suas caras felizes e com meu corpo sendo segurado, eles andaram ainda adentro do terreno da escola até uma região não muito longe da entrada. Era um lugar gramado nem um pouco movimentado, à direita do prédio do colégio. Eles me jogaram em frente a uma das várias árvores que enfeitavam aquele recanto. Eu recuei deles até minhas costas colidirem com o tronco. Não havia mais pra onde correr. Todos estavam me cercando.
- Mostra a cara aí! – esbravejou um deles já com o dedo cheio de tinta azul. Eu tentei me defender, mas dois me seguraram, um deles era o gordão. Ele sozinho já valia por três. Enquanto isso, aquele que teve a intenção de me dar o trote no início passava o dedo no meu rosto. Pude sentir a fria tinta preenchendo minha face. Tive que cuspir, pois acabou entrando na minha boca.
- Olha só que bonitinho! – zombou terminando de tintar. Eu nada falei. Foi então que o outro deu a idéia.
- Pra combinar, agora só falta a roupa – Se não suportei a idéia de ter minha cara pintada, a roupa então era pior ainda.
- Não! Parem! Isso também já é humilhação. Eu não vou poder entrar na sala se minhas roupas ficarem desse jeito – tentei convencê-los. Como se fosse conseguir...
- Sabe que não seria uma má idéia – apoiou o gordo.
   Então eles recomeçaram. Só que dessa vez, os alvos eram a minha calça-jeans e principalmente a minha camisa.

domingo, 23 de maio de 2010

Lançada a Revista Fantástica

Após um grande momento de espera, foi lançada nesta última sexta-feira, a primeira edição da revista eletrônica direcionada totalmente a literatura fantástica nacional. E como já era esperado, o conteúdo dela é maravilhoso. Para leitores e escritores do gênero é uma leitura mais que indispensável. A revista reune todo o universo da literatura de fantasia nacional de forma instigante, dando muita informação em diversos assuntos. ( da situação deste gênero aqui no Brasil à divulgação dos autores nacionais. Até mesmo um rank nacional do Skoob foi feito ).

Olhem só as matérias que irão encontrar.

FALANDO NO ASSUNTO: escritores expõem suas opiniões sobre a falta de autores brasileiros na lista de livros de ficção mais vendidos.
- RESENHANDO: Resenhas de Os Guardiões do Tempo, obrade Nelson Magrini, e Bento, livro de André Vianco.
- TROCA-TROCA: Felipe Pierantoni, autor de O Diário Rubro, e Dhyan Shanasa, autor de O Livro de Tunes, resenham cada um a obra do outro.
- MATÉRIA DE CAPA: Cobrimos tudo sobre O Senhor das Sombras, a aguardada sequência da saga Legado Goldshine, de Leandro Reis.
- REPÓRTER MIRIM: Questionamos o jovem escritor e leitor Hugo Fox: Por que a saga Crepúsculo deu tão certo?
- E SE FOSSE FILME?: Como seria se o livro Filhos de Galagah, de Leandro Reis, se tornasse uma mega-produção cinematográfica?
- EM FOCO: Cobrimos o lançamento de No Mundo dos Cavaleiros e Dragões, o Concurso de Mini-contos Estronho, e falamos de vampiros.
- LIDO & ENTREVISTADO: Entrevista com Victor Maduro, autor de Além da Terra do Gelo: A Jornada de Elohim
- NOVIDADES: Conheça O Desejo de Lilith (Ademir Pascale), Ethernyt - Sob o Domínio das Sombras (Márson Alquati) e Aura de Asíris - A Batalha de Kayabashi (Rafael Lima)
- TRÍADE DOS IMORTAIS: O trio Celly Borges, Nana B. Poetisa e Nelson Magrini disserta sobre os principais expoentes do terror nacional.
- CONEXÃO SKOOB: O que há de mais interessante na melhor rede social para aficcionados por livros.
- CONEXÃO CT: Criando Testrálios, um dos mais famosos blogs sobre fantasia, aborda as principais influências dos escritores brasileiros.
- CONEXÃO PSYCHOBOOKS: Com um texto alegre e descontraído, a divertida equipe Psychobooks se apresenta e traz o melhor de suas promoções.
- CORREIO FANTÁSTICA: Respondemos os e-mails e mensagens de nossos leitores
- ÚLTIMA PÁGINA: O escritor Dhyan Shanasa, autor de O Livro de Tunes, discorre sobre sete dicas para se aprimorar a escrita.

Meus parabéns aos editores da revista. Foi melhor do que eu esperava. Muito sucesso para a Fantástica. Um projeto memorável, sem dúvida.
Hehe, estou ansioso pela segunda edição.

Para ler a revista online ou baixá-la em PDF, clique na imagem abaixo para ir direto ao site oficial.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Ventura - Capítulo 3

Mais um capítulo chegando, e este, está mais para uma modificação da versão antiga. Não deixem de comentar sobre o que acharam. Criticas são bem-vindas. :)


# 03
Fatos enigmáticos

   Grande era a sua história e seu tamanho. A maior e melhor escola da cidade de Nova Vida encontrava-se no local mais afastado de sua cerne, destacada dentro de uma mancha verde que era o Bairro Ventura. A extensão e forma territorial da instituição vista de cima assemelhava-se a duas asas estiradas no meio de um campo, de onde cresciam construções alvas e formosas.
   O jovem Léo respirou fundo e caminhou rumo à entrada do colégio Ventura.

   Essa sensação não era nenhum pouco confortante. O nervosismo imperava em meus movimentos. Minha peregrinação em direção àquele portão quase faziam minhas pernas enregelarem e travarem a qualquer momento.
   Eram meus primeiros passos a um mundo desconhecido. Sempre me sinto inseguro quando vou para um lugar novo. Como estou sempre sozinho na maioria das vezes que isso acontece, não tenho ninguém com quem dividir esta sensação.
   Tirei minha carteirinha escolar do bolso e mostrei ao porteiro que estava posicionado na porta de uma cabine à direita. Quanto ao portão, justamente a parte direita estava aberta. O lado esquerdo mantinha-se cerrado.
   Pelo o que sabia do colégio, havia quatro entradas. Uma para o primário; uma para o fundamental; uma para o ginásio que é onde eu me encontro; e a última para a faculdade. Pela dimensão da escola já devia imaginar que seriam várias entradas. Com certeza a quantidade de alunos nela é proporcional ao seu tamanho.
    Após executar meus primeiros passos naquele ambiente desconhecido, observei o seu interior. A maior parte do terreno era gramado e cortado por trilhas para pedestres e algumas ruelas por onde os carros transitavam pelo colégio. Havia também algumas árvores, canteiros, e plantas. Um espaço bem natural, fazendo jus à imagem que o bairro possuía. Na verdade, mais parecia um local de passeio ao ar livre.
   Caminhando em direção retilínea, seguindo o grupo que saira do ônibus e adentrava no primeiro prédio logo adiante, reparei que antes disso, havia algo peculiar e que chamava muita atenção. Bem no meio da distância entre o portão e a entrada para o prédio, jazia um pequeno pilar sustentando o busto de uma estátua.
   Observei o monumento.
   Tratava-se de uma estátua em homenagem ao fundador da escola: Manoel Ventura. Prestei muita atenção aos seus detalhes. A imagem da estátua mostrava um homem de óculos, calvo com cabelos nas laterais. Seu olhar era um pouco... hum... intimidante. Parecia mais a face de um ditador. Mas não era seu cenho o atrativo, e sim as asas que a figura portava. Duas grandes asas, que ao invés de estarem abertas, encontravam-se fechadas, veludando toda a frente do corpo – que fora esculpido apenas do abdômen à cabeça –, exceto do pescoço pra cima.
   Mesmo vendo-a em algumas fotos na internet, a sensação de estar olhando para a escultura era um pouco arrepiante. Uma arte um tanto sobrenatural para um colégio.
 “11/02/1988” Li o dia em que ela foi esculpida.
   Vinte e dois anos atrás. Aqui, Manoel parecia ter uns sessenta ou setenta anos. Quer dizer que hoje ele estaria perto dos cem, se estivesse vivo.
   Não sei muita coisa sobre esse caso, mas faz alguns anos que esse senhor falecera, e ninguém nunca soube o real motivo. Ele apenas foi encontrado morto em sua própria residência, e não houve impressões digitais ou qualquer prova de que alguém entrara na casa durante a trágica noite, embora todo o interior da moradia estivesse destruída. É mais uma morte que entra pra lista dos mistérios eternos.
   O que acho gozado é a ironia entre o título da escola e o meu sobrenome: Ventura. Esse nome significa felicidade. Acharia muita coincidência se acreditasse em coincidências. Na verdade, acredito que há uma razão para eu estar aqui dentro. Eu posso chamar de destino ou apenas uma mera intuição, mas eu tenho certeza, que a partir deste dia, alguma coisa mudará em minha vida.
   E esse pressentimento que deveria me assustar, muito pelo contrário, apenas me torna mais confiante. Eu não sei ao certo o que está acontecendo comigo pra cogitar isso, mas tenho certeza que algo vai acontecer.
- Você pode me dizer? – perguntei a escultura.
   Tá certo. É um absurdo eu falar com uma estátua, mas o rosto desse senhor que também leva o meu sobrenome me dá impressão de que sabe alguma coisa. Ou simplesmente acho que estou perdendo a razão. Não acredito que fiz uma pergunta a um homem com asas!
   Bom, seja o que for que irá mudar, espero que seja para melhor. Respirei fundo, e contornei a estátua para caminhar até a entrada do prédio.
   Ladeando a escadaria para o hall da escola, havia mais duas estátuas atípicas. Tratava-se de dois corvos se encarando, um do lado esquerdo e o outro do direito. Elas deviam ter por volta de dois metros. Pode não parecer, mas essas duas esculturas estão aí devido ao grande número de corvos que habitam as montanhas aqui do bairro Ventura – um fato intrigante que nenhum biólogo atual ainda conseguiu desvendar. Corvos em abundância no Brasil? Mesmo assim, passar entre esculturas de corvos não me parecia muito convidativo. Pra onde foi o bom gosto das pessoas daqui?
   Antes de retomar a passada, um grasno agudo me fez virar para trás. Um corvo havia pousado sobre a cabeça de Manoel Ventura. Por um momento, pensei que o animal estivesse me encarando, ficara um bom instante me fitando, mas o mesmo logo em seguida, grasnou novamente e ruflou suas asas para bem longe
- Tomara que isso não seja um mau presságio – ironizei.
   Parecia até que esse lugar queria me assustar um pouco. Huh! Como se tivesse medo de coisas assim...
   Retornei então a caminhada para o prédio.  

   Um jovem de boné verde ainda mantinha-se apreensivo sob a sombra de uma árvore.

- Eu sei. Não posso falhar. Conheço a situação – disse à pessoa do outro lado da linha.
- Não fique nervoso. Você vai conseguir. Temos que aproveitar nossa vantagem.
   Mesmo que ele afirmasse isso, eu não me sentia numa posição avantajada. Muito pelo contrário, sentia-me como um rato acuado, temendo que a qualquer momento um gato grande me achasse e me desse um fim.
   Minhas mãos tremidas não conseguiam nem segurar o celular ao ouvido. Minha voz era hesitante. Meu coração palpitava de ansiedade. Estava prestes a executar a ação mais importante da minha vida. E eu não podia falhar.
- Boa sorte – desejou a pessoa. – Esperarei sua ligação.
   E desligou.
   Fiquei alguns segundos tentando sorver toda a responsabilidade que teria daqui em diante. Fitei a sombra da árvore que me acolhia, e vi que dentro da penumbra irrompiam alguns pontos luminosos oriundos dos feixes de luz que atravessavam a copa da árvore. De certa forma, aquilo me deu um pouco de esperança. Esperava que no meu caso, a escuridão também não fosse completa, que houvesse pequenas esperanças luminosas que me dessem força para enfrentar o que viria.
   Guardei o aparelho no bolso da calça. Levantei-me e me dirigi ao grande prédio escolar adiante. Havia uma entrada pequena na ala leste, e era ali mesmo o meu caminho.
   Tudo dependia de minha missão. Mesmo que precisasse arriscar a vida, eu daria sequencia ao plano. Isso não terminaria sem ao menos ter começado.
   Ventura... Para você, hoje será o princípio de sua decadência.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Resenha: A Guerra das Sombras - O Livro de Dinaer


Foi uma grata surpresa a sensação que obtive quando terminei de ler a última página do livro de Dinaer, o primeiro volume de "A Guerra das Sombras", uma tetralogia escrita por Jorge Tavares. É raro encontrar obras de Alta Fantasia que, ao fim de uma viagem literária, sentimos como foi saborosa as horas que usamos ao nos imergir em tão esplendoroso mundo. Foi com esta maravilhosa sensação com que terminei este livro. Algo equiparável a muitos livros conhecidos e best-sellers, e que no final, nos dão a impressão de que realmente foi uma prazerosa leitura.

E devo salientar que não estou me referindo a uma obra estrangeira, mas sim a uma obra nacional, que muito subestimam por guiarem-se por um ingênuo senso-comum. Mais uma vez, enalteço a questão de que autores brasileiros podem ser muito promissores, basta que muitos notem isso.


Jorge Tavares criou um mundo de Alta de Fantasia, onde o enredo, assim como o universo criado para a história foi muito bem elaborado no que diz respeito a toda a construção econômica, geográfica, politica e cultural. Além disso, nota-se no prefácio, que houve sim um grande cuidado para criar todo o embassamento do livro, o que pelo menos pra mim, me agradou bastante.

O autor escreve muito bem, e suas palavras são claramente bem escolhidas durante o texto, polido de uma maneira a se mostrar da melhor e mais instigante forma. E como se não bastasse, o desenvolvimento do Livro de Dinaer é cativante. Os capítulos, apesar de longos, puderam ser lidos com grande curiosidade. A trama segue rumos que impressionam, e desfechos inesperados.

A narração, narrador onisciente e ao mesmo tempo em primeira pessoa, em certos momentos do livro, eleva bastante o grau de curiosidade como se tal instante fosse o apogeu da trama, quando na verdade, o climáx final estivesse longe de acontecer. A história é composta de muitos momentos intensos, e climáxs frequentes, que ajudam ainda mais a nos manter aferrados na leitura.

O único contra do livro, talvez, tenha sido o excesso de informação sobre os componentes do mundo criado pelo autor. No mínimo, um mapa com alguns cenários apresentados na história seriam razoáveis, ou mesmo, um sucinto representando toda a Terra das Sombras. E em alguns momentos, o livro torna-se confuso jogando tantas informações, que em seguida seriam dificeis de serem lembradas. Incluso, estava o peculiar recurso utilizado no inicio dos capítulos, contando trechos de algum texto antigo do próprio mundo, embora estes, fossem interessantes por se relacionarem com a impressão dos capítulos que o antecedia. 

Não apenas a história, mas os personagens também são cativantes. Porém, no que diz respeito a eles, é melhor eu não soltar spoilers. 

Algo muito recorrente no livro são as constantes impressões sobre os seres humanos, na verdade, narradas sobre o ponto de vista do Deus Dinaer. Concordando ou não com os argumentos do narrador, é muito interessante para refletirmos sobre a nossa essência e nosso sentido de existência no mundo, o que torna essa caracteristica do livro, se não a melhor, um grande atrativo.

Foi realmente uma viagem épica, a leitura do primeiro volume desta série. O desfecho foi consistente, assegurando minha curiosidade para o próximo passo desta ótima série.


Em suma, para os que gostam do gênero Alta Fantasia, onde todo um universo é criado do zero, dispensando Orcs, Elfos ou outras criaturas fantásticas tolkinianas(exceto Magos), "A Guerra das Sombras" é uma leitura indispensável.

Dados sobre o livro:

Edição: 1
Editora: Novo Século
ISBN: 8576790483
Ano: 2006
Páginas: 424


Sinopse: A Guerra das Sombras é um livro de aventura, passado em um universo fantástico. Em suas páginas, estão descritos dois grandes conflitos que se desenrolam concomitantemente. O primeiro, e mais evidente deles, dá-se entre reinos de homens mortais. Paralelamente, acontece um embate oculto entre forças sobre-humanas. E é nas conseqüências de ambos os embates sobre a vida de Rairom Guenor e de seu irmão Tairom que se encontra o foco central da narrativa.

  Em A Guerra das Sombras discute-se até que ponto está nas mãos dos homens o seu próprio destino. É a história do confronto do ser humano, mortal e frágil, contra desígnios e poderes bem maiores que os seus.

 Acesse o site da série para saber mais: http://aguerradassombras.com/

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Desafio Nacional


Será realmente um desafio. Primeiramente, responda a pergunta da imagem acima. Olha, se chegar a 25%, está de bom tamanho. Não é um número favorável, não ainda, mas se compararmos com os livros que estão à venda no mercado com "brilho" em volta, já é um bom começo.

Esse é o grande problema do leitor brasileiro. Tudo o que vem de fora, todos os best-sellers, funcionam como uma regra que diz "Isso merece ser lido. Esqueça os outros!". E também o fato de que sempre achamos, não apenas na mídia literária, mas na cinematografica também, que tudo o que vem de fora é bom, e tudo o que se produz em próprio âmbito nacional é..., não vou eufemizar, essa é a verdade, é uma "merda"! É uma pena que tal visão seja comum entre nós. No universo literário, esse costume cria um grande muro de dificuldades para os escritores brasileiros.

O meio mais influente para suas vendas atualmente, posso dizer que com certeza, é a internet. A comunicação através do meio digital diminuiu a distância entre escritor e leitor, e entre os próprios leitores. O boca a boca de antes pode ser feito em inumeras redes sociais. E os livros que se privilegiarem com isso estão num bom caminho. Mas ainda não é suficiente, não para os escritores nacionais. É preciso mais, é preciso reconhecimento e maior valorização.

Neste blog, vocês puderem conferir alguns posts sobre alguns livros nacionais e até resenhei os que já li. ( Filhos de Galagah e o Senhor das Sombras; Aura de Asíris - A Batalha de Kayabashi; O Véu; Rede de Sonhos; Dex; e muitos outros que ainda vou falar aqui). Além disso, deem um "zoom" na minha estante do Skoob com livros que ando lendo, e veja se não há um autor nacional ali, ou melhor, acesse meu Skoob e olhe quantos livros nacionais estou para ler. Muitos, não? É porque acredito no nosso potencial. Por que acredito que não somos nem melhores e nem piores que os estrangeiros, mas sim, tão escritores quanto eles.

Essa é a idéia do Desafio Nacional. Valorizar os livros de escritores brasileiros e fazer os leitores conheceram o vasto mundo de palavras que estão perdendo.

Assim como o meu blog Acervo Fantástico Nacional(meio parado, infelizmente); a Revista Fantástica que será lançado ainda este mês; chega o Desafio Nacional, para mostrar a todos, que temos força e vontade para mudar.


quinta-feira, 13 de maio de 2010

Ventura - Capítulo 2

Primeiramente queria agradecer aqueles que leram o prólogo e o primeiro capítulo. Os comentários de vocês são um grande incentivo. Continuem acompanhando. =)
Lançando o segundo capítulo. Se você perdeu o início da história, basta clicar nos capítulos de Ventura na coluna à direita no blog.



# 02
Chegada aguardada?


   A Rua Augusto Pereira se abraçava num grande silêncio de fim de madrugada, exceto por ínfimos distúrbios como o chiar de pássaros, o latido de cães domésticos e o ruído sonoro de veículos em ruas vizinhas. Mas a quietude foi agudamente cortada pelo ranger de um portão, por onde saiu um jovem estudante calouro.

   Embora tenha de acordar às cinco da manhã e caminhar por uma rua praticamente deserta, há duas coisas nisso tudo que me conforta: a atmosfera amena do amanhecer e o céu despontado. A tênue claridade dá impressão que ele acorda junto comigo. Além do mais, eu sempre admirei as tonalidades do firmamento, do amanhecer ao entardecer. À noite, apenas o admiro com estrelas.
   Sob o azul brando do céu, caminhei pela rua da minha casa até a esquina, a via principal por onde passavam alguns ônibus que cortavam todo o bairro. No ponto, jaziam as pessoas com o mesmo destino penoso de acordar cedo e ir ao trabalho ou a escola. Se bem que incluindo eu, havia apenas dois estudantes. A outra era uma garota de colégio público. Fiquei um pouco afastado dela, e ela me fez lembrar dos alunos com quem teria de conviver durante os três anos do Ensino Médio.
   E para piorar, o ônibus parecia não querer vir. Isso sempre acontece num dia importante.
   Após vinte minutos mofando no ponto, ele veio. O milagre é que estava vazio, o que logo estranhei, mas foi justificado por um outro ônibus da mesma linha que emparelhou com o que eu estava, num engarrafamento de sinal no fim da via. Aparentemente, os dois vieram colados. Ou deveria dizer três? Passou outro cheio! Esses ônibus... Sorte dupla então.
   Após quase meia hora de viagem, soltei no centro da cidade de Nova Vida e peguei outra condução. Este não estava tão vazio, mas consegui um lugar para sentar.
   Foi necessária mais meia hora de viagem para eu notar que estava finalmente chegando. Após a gradual decaída do panorama urbano, a paisagem esverdeada já começava a tomar conta.
   Mais um pouco, e chegaria ao pacato bairro Ventura. Um lugar um tanto afastado do centro de Nova Vida, mais que a minha casa. Poucas moradias e muita vegetação, além das sinuosas montanhas aqui e ali. Porém, a escola ficava numa espécie de centro urbano do bairro, onde a civilização daqui morava. Mas no final das contas, era um caminho muito cansativo.
   Por que tive que vir estudar neste fim de mundo? Tá certo que é uma boa escola e tal; não é qualquer um que vem estudar no Colégio Ventura. Mas eles podiam tê-la construída em um lugar mais próximo do Centro. É muito cansativo pegar dois ônibus para os limites da cidade. Pelo menos, o verde do cenário é mais reconfortante que um aglomerado de estruturas cimentadas.
   Tive que dar uma parada em meus pensamentos ao avistar as primeiras instalações da escola, logo após o ônibus ter virado a curva por trás de uma encosta. O nervosismo retornou. Estava finalmente chegando.
   Era meu primeiro dia. Não era muito bom em fazer amigos logo de cara. Eu sempre fui meio lento nesse negócio de amizade.
   Olhei ao redor e notei muitos jovens da minha idade no ônibus, todos provavelmente se dirigindo para a escola. Alguns eram bem simples, e não pareciam ter 14 ou 15 anos. Outros eram brutamontes com 20 anos na cara. Esses caras são os piores. Só de observá-los, qualquer um notaria que não são tão estudiosos assim. Um deles usava uma camisa preta com alguma banda de rock estampada; e ainda vestia uma calça-jeans esburacada. Olhando pra ele, potencialmente se via um bagunceiro ou um desinteressado.
   Ainda bem que as aparências enganam. Para alguém entrar no Ventura, precisa fazer uma prova. A escola não é de graça. Por ser boa, é extremamente cara comparada às outras escolas da cidade. Mas para aqueles que têm uma baixa condição financeira, a prova também serve para dar uma bolsa dependendo do número de pontos que o aluno conseguir. São escolhidos apenas os cinco primeiro colocados que obtiveram a maior nota e apresentaram comprovantes de baixa renda. Não é fácil para alunos pobres entrarem neste colégio. Felizmente, eu fiquei em quarto na pontuação geral e segundo a garantir a bolsa. Setenta e cinco por cento de desconto foi o que eu obtive.
   Mesmo assim, não esperava que alguém me superasse e me colocasse pra segunda colocação. Estudei que nem um condenado pra passar, e alguém tira uma nota maior que a minha? Deve ser porque não estou acostumado a isso. Na minha antiga escola, eu sempre tirava a maior nota da turma. Provavelmente era o melhor estudante do colégio.
   Max Fontes. Esse é o nome daquele que ficou em primeiro a garantir a bolsa. Não me preocupei em olhar os outros na colocação geral, pois é normal que esses alunos que vieram de escolas caríssimas tenham uma boa estrutura escolar. Eu não levei tanta sorte assim. Embora minha escola anterior tenha sido particular, ela não era muito firme. O que significa que tive que ralar pra estar onde estou agora.
   O ônibus estacionou no ponto em frente à escola. Eu esperei todos descerem antes de me levantar do banco. Nunca gostei de andar na frente dos outros no meio de um aglomerado. Não sei porque, mas sentia uma sensação estranha. Como se aqueles que estivessem atrás de mim, me olhassem, analisando meu jeito de andar, e tirando conclusões precipitadas da minha pessoa. Acho que é apenas uma cisma minha.
   Fui o último a descer. Enquanto todos andavam em direção ao portão do colégio, admirei sua armação.
   O terreno devia ter um quilômetro quadrado. Quando eu olhei do ônibus, na hora da curva, vi várias instalações pintadas de branco em diferentes localidades do terreno. Minha última escola não era tão grande. Era até pequena comparada a essa aí. Isso se devia ao fato de esta ser uma escola primária, fundamental, média e por ser uma faculdade enfim. Só espero que não tenha que andar muito. Não gosto de ficar perambulando sozinho num lugar aonde não conheço ninguém.
      E caminhei em direção ao portão de grades escuras.

   Enquanto Léo se preparava para passar pelos portões do Ventura, um outro garoto, já dentro do terreno da escola, sentado à sombra de uma árvore, conversava nervosamente ao celular.

   O aparelho tremulou um pouco em minhas mãos suadas. Minhas costas doíam rente ao tronco endurecido. Tudo parecia tão desconfortante. E a voz que ouvi no celular fez-me um frio na barriga.
- Ele está aí. Você precisa fazer! – Era uma ordem. Minha apreensão apenas aumentou. Seria capaz de executá-la?

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Polêmica: Influências do mangá Death note nos EUA



Novamente falando sobre o mundo dos animes/mangás, mas essa noticia não teve escapatória. Embora haja outros casos semelhantes, eu vou exprimir minhas impressões sobre este assunto. Na verdade, só um desabafo.
Leia a notícia abaixo:

Escolas de ensino médio em Novo México realizaram uma audiência na última quinta-feira a respeito do mangá Death Note, que é disponibilizado aos alunos nas bibliotecas. Os pais alegam-se preocupados a respeito da má influência que a obra pode trazer a seus filhos, devido sua história que gira em torno de um adolescente que encontra um caderno com o qual ele pode matar pessoas apenas escrevendo os nomes das vítimas e a causa da morte.

Ainda assim, uma votação realizada teve votos unanimes contra a proposta da proibição dos mangás nas escolas. De acordo com a imprensa local, esta é a primeira vez em cinco anos que o distrito tinha considerado analisar uma proibição de um livro. Tom Genne, um dos sete membros da comissão na audiência de quinta-feira, disse: "crianças e jovens estudantes lidam com questões sobre justiça e moralidade e se a civilização de que fazem parte estão tomando boas decisões". Eddie Soto, superintendente do ensino secundário, vai tomar a decisão final a respeito do assunto.

Outros casos semelhantes ocorreram em outras partes do país. Uma emissora de TV informou que um estudante de 14 anos, na Pensilvânia, foi suspenso depois de ser visto com um Death Note no ônibus escolar. Segundo a mãe de outro aluno, o papel encontrado listava os nomes de vários colegas do estudante, e ainda o nome do cantor canadense, Justin Bieber, que atualmente é conhecido em todo o mundo.

A polícia de Ohio disse que o estudante escreveu "Death Note" no canto superior direito do papel, mas isso não constitui um crime, contudo, ainda está investigando o caso. Nos Estados Unidos, há pelo menos seis incidentes relatando a mesma situação. Um estudante em uma escola na Virgínia foi suspenso em 2007 após ter sido flagrado com uma lista de nomes, assim como estudantes na Carolina do Sul, Alabama, Washington e Oklahoma, todos encontrados com um suposto Death Note.
Fonte: AMTV

AAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!
É um grito pra explodir tamanha estupidez e ignorancia que vejo neste mundo. É incrível como as pessoas se preocupam com apenas o fator que gera o problema, mas nunca com os catalisadores do mesmo. Se vários eventos ocorrem pelo mundo todo envolvendo "Death note" pelo seu conteúdo, a culpa é realmente somente do mangá? Pra que lado da situação as pessoas estão olhando? Proibir a venda dos mangás ou de "cadernos da morte" fabricados vai acabar com a impressão que os estudantes tem sobre o assunto que o mangá aborda? Acham que de certa forma, esse desejo de dizer que o mundo está errado e que contém pessoas podres vai desaparecer, como diz o próprio protagonista do enredo: "as pessoas não assumem por questão de moralidade, mas elas realmente querem que o mundo seja livrado de pessoas ruins".

Qual o problema de enfeitar com "Death note" um caderno preto? Eu mesmo fiz isso. E não matei ninguém. Tudo isso não passa de um momento de fantasia, e os que o fazem, sabem disso. O que eles deveriam mesmo focar é porque alguns tomam isso como brincadeiras e outros vão um pouco mais além? Ora, eles estão com algum problema, óbvio. E acham que vão acabar com os problemas do jovem proibindo aquilo que os aflorou e que possivelmente as outras pessoas nem perceberiam? Tinham mais é que agradecer por Death Note ter existido então.

Estamos falando de um páis onde bullying é algo muito frequente, logo, não é de se ficar surpreso que americanos estejam tendo trabalho em contornar tal situação. Tem o lance da diferença cultural que também faz grande diferença aqui no ocidente. É como trazer "Battle Royale" para as escolas adotarem como obra paradidática.

É irônico como as pessoas sempre procuram anular o problema ao invés de compreendê-lo. E eu que achava Death Note uma ótima história para discutir nossas preceitos a cerca de nossa visão da sociedade que vivemos.

Isso tudo só traz à tona um buraco muito fundo que passa despercebido nos educadores e nos pais. A educação que os jovens recebem está falha e parecem não digerir de forma adequada os avanços que implantamos a cada geração.

Falando em Bullying. Tratarei deste assunto em Ventura. Aguardem e confiram!

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Os melhores animes de 2009

O Anime Grand Prix é uma premiação anual que a revista Animage realiza. Teve início premiando os melhores desenhos japoneses de 1979 em janeiro de 1980 e assim tem sido sucessivamente em cada ano, normalmente premiando os animes na ediçao de Junho do ano seguinte. O critério para a premiação são contados considerando a sua popularidade, qualidade e influência.

O unico critério obrigatorio ao desenho para sua partipação no Anime Grand Prix é de que a animação deve ter sua produção (completa ou parcial) feita no Japão.

Até o inicio dos anos 80 um dos produtores editoriais da revista era Osamu Tezuka (considerado o pai do anime e manga moderno), após a sua saída ele foi substituído por outros profissionais da industria como Osamu Kobayashi (famoso diretor e dublador, dirigiu animes como Kimagure Orange Road e Beck : Mongolian Chop Squad) e Toshio Suzuki (editor-chefe da revista na época e ex-presidente do Studio Ghibli) e hoje Toshiya Matsushita, editor-chefe da revista, lidera a cadeira do comitê organizador da premiação.

Em 1983 foi criado o Japanese Animation Awards (tambem conhecido como Atom Awards) que unia os produtores editoriais das 5 maiores revistas de anime da época (Animedia, Animage, Animekku, Monthly OUT e Anime Anime) mais criadores, atores, cantores e cartunistas famosos (incluindo o proprio dissidente da Animage Osamu Tezuka, que ocupava a cadeira de membro-chefe) numa premiação da industria da animação japonesa da época. A contagem de votos realizada para o Anime Grand Prix da revista Animage tambem era utilizada para se efetivar os votos na categoria ''Voto Popular'' do Japanese Animation Awards.

Em 1989 a premiação foi cancelada em sua 7º edição devido a uma série de problemas, dentre eles a morte de Osamu Tezuka e do Imperador Showa e a crise que afetava o mercado editorial japonês na época (a Animekku e a Anime Anime haviam sido canceladas alguns anos antes).
No entanto o Anime Grand Prix continuou na revista Animage sem interrupções.

A premiação é feita em forma de listagem e conta com o apoio dos leitores da Animage e de diversas outras revistas de anime como a Newtype, Animedia e Megami Magazine que votam atraves de formularios que saem todos os meses nas edições nos seus animes favoritos, esses votos são computados e unidos aos votos dos editores e dos membros de avaliação (editores, animadores, conhecedores do assunto e etc.) que fazem uma média do resultado. No final os resultados finais são liberados em forma de listas que vão do 1º até o 100º colocado.

fonte: Animage's Anime Grand Prix 


*Os animes que constam na listagem são aqueles que estiveram (e ainda estão) sendo exibidos de Abril de 2009 até ao fim de marco/inicio de Abril de 2010.

Em azul: Indicados que acompanhei ou ainda estou vendo.
Em vermelho: Indicados que ainda pretendo acompanhar.

  • Melhor anime


1. Eden of the East
2. Bakemonogatari
3. Rebuild of Evangelion 2.0 : You can [Not] Advance
4. Suzumiya Haruhi no Shoushitsu
5. K-ON!
6. Fullmetal Alchemist : Brotherhood
7. Summer Wars
8. Durarara!!
9. Macross Frontier ~Itsuwari no Utahime~
10. Darker than Black : Ryuusei no Gemini
11. To Aru Kagaku no Railgun
12. Kimi ni Todoke
13. Gintama
14. Hetalia Axis Powers
15. Tokyo Magnitude 8.0
16. Sengoku Basara
17. One Piece Film 10 : Strong World
18. Eve no Jikan
19. Saki
20. Baka to Test to Shoukanjuu
21. So-Ra-No-Wo-To
22. Phantom ~Requiem for the Phantom~
23. Cross Game
24. Kemono no Souja Erin

  • Ganhadores do ano passado 


1. Mobile Suit Gundam 00
2. Code Geass : Lelouch of the Rebellion R2
3. Clannad ~After Story~
4. Macross Frontier
5. Ponyo on the Cliff by the Sea
6. Xam’d Lost Memories
7. Gintama
8. Kara no Kyoukai : The Garden of Sinners
9. Toradora!
10. Kannagi : Crazy Shrine Maidens

  • Melhor personagem feminino 


1. Yui Hirasawa (K-ON!)
2. Sheryl Nome (Macross Frontier)
3. Yuki Nagato (Suzumiya Haruhi no Yuutsu)
4. Mio Akiyama (K-ON!)
5. Senjougahara Hiitagi (Bakemonogatari)
6. Suzumiya Haruhi (Suzumiya Haruhi no Yuutsu)
7. Ritsu Tainaka (K-ON!)
8. Misaka Mikoto (To Aru Kagaku no Railgun)
9. Kobato Hanato (Kobato)
10. Hinagiku Katsura (Hayate no Gotoku!!)

  • Melhor personagem masculino 


1. Kyon (Suzumiya Haruhi no Yuutsu)
2. Sakata Gintoki (Gintama)
3. Edward Elric (Fullmetal Alchemist)
4. Araragi Koyomi (Bakemonogatari)
5. Date Masamune (Sengoku Basara)
6. Takizawa Akira (Eden of the East)
7. Hei (Darker than Black : Ryuusei no Gemini)
8. Orihara Izaya (Durarara!!)
9. Sugisaki Ken (Seitokai no Ichizon)
10. Shinji Ikari (Rebuild of Evangelion 2.0)

  • Melhor Musica 



1. ”Dont say ”Lazy”” by Yoko Hikasa with Aki Toyosaki, Satomi Satou and Minako Kotobuki (K-ON! ED)
2. -/-
3. ”Cagayake! GIRLS” by Aki Toyosaki with Yoko Hikasa, Satomi Satou and Minako Kotobuki (K-ON! OP)
4. ”Sign” by FLOW (Naruto Shippuden OP)
5. ”JAP” by Abingdon Boys School (Sengoku Basara OP)
6. ”Share the World” by TVXQ (One Piece OP)
7. ”again” by Yui (Fullmetal Alchemist OP)
8. ”Super Drive” by Aya Hirano (Suzumiya Haruhi no Yuuutsu OP)
9. ”only my railgun” by fripSide (To Aru Kagaku no Railgun OP)
10. -/-

  • Ganhadores de todos os anos


Confira abaixo os resultados de todos os anos até 2009.

1979 : Mobile Suit Gundam
1980 1st Half : Space Runaway Ideon
1980 2nd Half : Adieu Galaxy Express 999
1981 : Ashita no Joe 2
1982 : The Super Dimension Fortress Macross | Rokushin Gattai Godmars (Empate)
1983 : Crusher Joe
1984 : Nausicaa of the Valley of the Wind
1985 : Dirty Pair
1986 : Laputa : Castle in the Sky
1987 : Dragon Ball
1988 : My Neighbor Totoro
1989 : Akira
1990 : Nadia : The Secret of Blue Water
1991 : Legend of the Galactic Heroes
1992 : Sailor Moon
1993 : Yu Yu Hakushô
1994 : Yu Yu Hakushô
1995 : Neon Genesis Evangelion
1996 : Neon Genesis Evangelion
1997 : The End of Evangelion | Princess Mononoke (Empate)
1998 : Martian Successor Nadesico : The Prince of Darkness
1999 : Cowboy Bebop
2000 : Cardcaptors Sakura
2001 : Fruits Basket
2002 : Mobile Suit Gundam SEED
2003: Fullmetal Alchemist
2004 : Mobile Suit Gundam SEED Destiny
2005 : Gankutsuou : The Count of Monte Cristo
2006 : Code Geass : Lelouch of the Rebellion
2007 : Code Geass : Lelouch of the Rebellion
2008 : Mobile Suit Gundam 00
2009 : Eden of the East 


Agora, minhas considerações sobre essa lista. Pelos poucos animes que vejo, até que eu escolho bem. Observando a lista dos vencedores de cada ano, de 2002 pra cá, só venho acertando. E garanto que tais animes são realmente muito bons. 

Sobre a lista dos melhores animes de 2009, não estou disposto a pesquisar sobre todos, apenas os que já ouvi falar bem, e os que anseio ver há um bom periodo. Ainda estou terminando Higashi no Eden( Eden of East) e o novo Fullmetal, logo, em breve, falarei um pouco sobre eles. 

Marquei em Negrito as aberturas dos animes que acompanho. Só achei que as músicas seguintes do Fullmetal foram melhores que a primeira. Mas fazer o que? Yui é Yui no Japão. rsrs  
Putz, Naruto só aparece mesmo em melhor música. Há anos que o anime não surge mais na lista dos melhores. Bons tempos do clássico. Quem sabe em 2010 ele não dá as caras. Afinal, o anime ultimamente tá tão foda. Isso se não houver fillers.


Não creio que o Shinji apareceu na lista dos personagens masculinos. Foi mais pela complexidade confusa do personagem do que pela sua masculinidade. rsrs


Para saber mais sobre as outras edições, acessem: http://animegrandprix.blogspot.com/

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Ventura - Capítulo 1

Conto as opiniões de vocês sobre a história. Lançarei os capítulos semanalmente.




# 01
Nova escola

Em um dia inesperado, vidas começam a mudar, mesmo que de forma lenta e impercebível.
   
   Nada melhor que começar o dia com um despertador tocando no ouvido. Parece que não acordei mal humorado, visto que tive cabeça pra fazer uma ironia. Tenho certeza que muita pouca gente acordaria com um sorriso de orelha a orelha, quando estão sendo praticamente obrigados a se levantar com um zumbido eletrônico que denota todos os seus deveres diários. A bela frase “Que dia lindo!” está se tornando extinta atualmente, pois tenho certeza que a maioria pensa em outra palavra muito diferente de “lindo” pra definir o seu dia. No meu caso, não sei se será um lindo dia. Nem olhei a janela pra saber. Mas com certeza será curioso.
   O “bip-bip” do despertador me inferia uma única coisa: primeiro dia de aula numa nova escola; início do Ensino Médio. Era isso o que me aguardava ao longo do dia. Não que eu não gostasse, me sentia até ansioso, mas também muito nervoso. Meu coração palpitou mais forte quando me lembrei sobre as possibilidades de hoje. Não quero nem pensar nas piores.
   Minhas mãos, automaticamente como de costume, se lançaram sobre o aparelho retangular na cabeceira da cama. Tateei os dedos nos botões apertando-os a esmo. Só queria que aquela coisa parasse de berrar.
   Quando consegui desligá-lo, acumulei coragem para me levantar. Fiquei sentado na cama, e suspirei satisfeito por ter barrado a preguiça. Diferentemente de quando despertava nos dias anteriores, não havia luz matinal entrando no quarto pela janela, já que ainda era menos de seis da manhã. Somente adentrava uma luz pálida, tonalizando o cômodo de forma crua e fria.
   Essa penumbra fez despontar uma lembrança esquisita em mim. Imagens do estranho sonho, pesadelo, ou seja lá o que tiver sido aquilo, começaram a me perturbar. Um corredor com paredes de barros de tijolos, luzes ofuscantes refletindo no chão, e passos na escuridão. Um pouco bizarro. Melhor categorizá-lo como pesadelo. E sendo um pesadelo, é melhor esquecê-lo.
   Voltei à realidade.
   Era obrigado a dividir meu quarto com minha irmã caçula, esta que ainda adormecia sobre o colchão no chão ao lado da cama, que tinha um benefício de ter além da cama de cima, uma embaixo que entrava e saia lateralmente. Ah, invejo as horas extras de sono da Marcela.
   Tomei cuidado ao pisar sobre o colchão para então, finalmente, pousar meus pés no azulejo frígido. Meu cômodo não era muito grande, e também não era tão bonito. A tinta branca falhava em alguns pontos, deixando manchas de cimento à mostra na parede e no teto. Na verdade, o lugar foi mal pintado, e como se não bastasse, estava descascando. Não era um quarto muito formoso de se ver, mas ainda era o meu quarto.
   Caminhei até a porta de madeira, e entrei no estreito corredor de paredes claras, mais bem conservadas que o cômodo anterior. À direita, no fim do corredor, e no lado oposto, a porta dos fundos. Um pouco antes, a porta do quarto dos meus pais e o banheiro. À esquerda, antes de adentrar na cozinha, havia uma entrada sem porta para a sala no mesmo lado do meu corpo. Fui até o fim do corredor e entrei na cozinha, também sem porta, já acesa. No cômodo de azulejos de tom bege, vi o armário de despensa aberto, uma pia pequena e sem louça graças a minha mãe e a mesa já com o café preparado.
   Na mesa, tomando o café que ela mesma dispôs, estava minha mãe.
- Bom dia, Léo! – disse ela com o habitual sorriso. Sempre admirei minha mãe pelo fato dela, não importando como a vida estivesse, sempre manter aquele sorriso matinal. Parece que nada abala aquela expressão sorridente de manhã cedo. Embora, acho que foi uma solução que encontrou para amenizar a jornada penosa que entraria ao longo do dia.  
- Bom dia, mãe! – respondi.
- Preparado para a escola?
   Ela tinha que perguntar? Eu queria dizer não. Desejava contar todos os meus pensamentos sobre este dia nebuloso, e o quanto eu imaginei sobre o mesmo. Normalmente, quando estou prestes para ir a algum lugar desconhecido, minha mente viaja pelas mil possibilidades que possa me deparar. No caso da escola, fiquei imaginando que tipo de alunos poderia encontrar.
   Quando me dei conta, minha mãe repetiu a pergunta. Passei tempo demais rememorando, e esqueci de falar.
- Ah, acho que sim – respondi num tom vacilante. Pelo menos fui sincero.
- Certo, então vá logo se arrumar. Sabe que daqui até sua nova escola o caminho é longo.
   É, eu sei.
   Fui ao banheiro me aprontar já imaginando que todo santo dia faria uma longa jornada. Só de pensar nisso, a preguiça aumentou. Enquanto tem gente que mora no mesmo quarteirão do colégio, outros residem a quilômetros de distância, tendo de arranjar duas ou mais conduções para chegar ao destino final. É um saco, mas esse grupo de alunos, eu incluso, precisam fazer este sacrifício. O legal é que com o tempo, acostuma, e dá pinta de que somos mais... hum... esforçados.
   Após o banho, vesti minha calça-jeans e minha camisa pólo branca. Me olhei no espelho para conferir se estava bem arrumado. Os cabelos escuros curtos e naturalmente penteados era o que menos me preocupava. Me achei um pouco formal para ir à escola, mas como tiveram um problema com a encomenda dos novos uniformes, permitiram que os alunos calouros usassem roupa comum na primeira semana.
   Assim que voltei à cozinha, minha mãe já estava quase arrumada para ir ao trabalho. Apenas terminava de pentear seus cabelos escuros e lisos. Ela não tinha muita pressa, afinal, a padaria do Seu Valter não era muito distante daqui.
- Léo, já estou indo. Sua tia deve chegar daqui a pouco para levar a Marcela na escola. Não precisa esperar por ela. Sua irmã não terá medo de ficar sozinha em casa, desde que você tranque o portão e a porta.
   Ela me deu um beijo de despedida e se foi.
   Olhei para o relógio e notei que também já estava quase na minha hora. Tomei um café com leite, uma fatia de pão, e terminando, fui pegar minha mochila no quarto. Mas quando estava para carregá-la do cômodo, notei que minha irmã se remexia na cama. Ela provavelmente estava tendo algum pesadelo. Ouvi ela sussurrando alguma coisa, e não entendi direito o que dizia, então resolvi me aproximar. Mas assim que o fiz, ela cessou os murmúrios. Dei de ombros e sai do quarto.
   Retornei a cozinha e conferi dentro da mochila se não estava faltando nada.
   Ok, hora de ir.
   Sai de casa e tranquei a porta como minha mãe disse. Faltava pouco mais de uma hora para minha primeira aula do ano. E o nervosismo só aumentava.

   Enquanto o irmão se afastava de casa, Marcela, uma garota de onze anos, se contorcia desconfortavelmente no leito. Como Léo imaginara, sua irmã mantinha-se imersa em um pesadelo, ou talvez, algo maior. Não parava de murmurar:

Tome cuidado, Léo. Está vindo... Está vindo.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Ventura - Prólogo

Os primeiros capítulos disponibilizados aqui no blog serão apenas uma versão beta, podendo sofrer alteração em sua estrutura, mas não na história. Gostaria que acompanhassem o inicio do projeto deixando suas impressões sobre o mesmo. Não tenho certeza até que capítulo irei lançar. A previsão inicial é de que o e-book fique pronto em meados de Julho. Logo, não haverá razão para continuar postando os capítulos semanalmente aqui no blog.
Mas até lá, vocês poderão degustar dos primeiros capítulos dessa história.

Boa leitura.



Prólogo


Vi uma luz intensa no meio da escuridão. Meus músculos desgastados adormeciam num chão duro e gelado. Uma longa vertigem me consumia impedindo-me de averiguar onde me encontrava.

Então notei que a luz era artificial, suspensa no teto de um recinto. Virei minha cabeça e percorri os olhos pelas paredes de tijolos barrentos que margeavam minha posição. Observei o chão de concreto se alongando até sumir na escuridão.

Logo percebi que estava num corredor sombrio, onde algumas lâmpadas sobre mim jorravam uma claridade ofuscante no plano. Porém, mais ao longe a negritude imperava. E o silêncio que antes governava foi cortado por passos ecoantes. Alguém se aproximava.

Mantive meus olhos fixos na escuridão onde os passos reverbavam.

Quem é?

Queria que meus membros não fraquejassem ao meu estímulo de movimento. A fraqueza não me deixava levantar. Os passos no escuro se mantinham.

Quem é?

Desejava que as lâmpadas naquela escuridão acendessem assim como aquelas que irradiavam sobre mim. Mas o breu negro permanecia.

Quem é?

O som dos passos, único barulho que cortava todo o silêncio, tornou-se muito mais forte. Quanto mais me aferrava em olhar para aquela região negra mais ela parecia se avolumar.

Quem é?

Foi então que meus olhos começaram a pesar. Já não suportavam mais ficarem abertos. Mas falta tão pouco, tão pouco para vê-lo. Minha vontade de permanecer ali não valia nada. Sentia que alguma força me tragava para fora daquele mundo.

Quem é?

Embora a escuridão ainda permanecesse, o som dos passos diminuía. Eu estava regredindo para a escuridão de meu sono. Estava o perdendo.

Quem é?

E logo, nada mais escutei.
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