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domingo, 25 de dezembro de 2011

Resultado sorteio "Histórias Fantásticas Vol.1"

Hoho! Vamos então para o resultado do primeiro sorteio deste blog. Tivemos poucos inscritos, menos do que eu esperava. Deveria ter anunciado a promoção desde o início de dezembro, mas devido a forças maiores( entende-se como pressionado em final de semestre de faculdade), não o fiz. De qualquer forma, todo Natal farei sorteio de um ou mais livros - vai depender se estarei ou não em novas antologias (risos).

Chega de conversa. O ganhador(a) foi... 

Sara Plens Correa!



Parabéns! :D
Enviarei um email e você terá 1 semana para respondê-lo, caso contrário, será realizado um novo sorteio. 

É isso, feliz Natal a todos! ^^

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Onde estão os leitores? "Literatura em perigo"— parte 1

A visão que os livros detêm na maioria das pessoas de nosso país é um assunto que me deixa inquieto. Não é incomum ouvirmos alguém dizer “eu odeio livros!”, uma lamentável frase que pesa no coração de qualquer leitor. Embora não pareça, creio que a culpa para a existência significativa de uma visão como essa não resida totalmente naquele que diz uma frase assim, pelo contrário, este indivíduo tem a menor parcela de culpa, que está em maior parte na maneira de como os livros lhe foram apresentados.

Meu objetivo com essa série de postagens é levantar alguns pontos relacionados à baixa formação de leitores, provendo-me de experiências pessoais e de minhas impressões do mais recente livro de Tzvetan Todorov intitulado “A Literatura em Perigo”.

Pessoas que pronunciam frases repugnantes como ilustrei acima há aos montes por aí, enxergam os livros como um objeto bizarro, de outro mundo. É muito engraçado também observar como algumas pessoas se comportam quando nós, leitores, estamos com um livro na mão: somos rotulados como criaturas estranhas, mas reconhecidas intelectualmente. Ora, bolas! Só porque estamos lendo um livro significa que somos mega inteligentes? Uma pena, pois a leitura deveria ser uma atividade mais do que comum na sociedade, e a realidade mostra que ela é uma raridade. 

 Que o Brasil não é um país de leitores, isso todo mundo já sabe. E se alguém realmente dúvida dessa infâmia literária que nossa nação ostenta, sugiro que realize uma pesquisa para mensurar o número de leitores na sua vizinhança, no seu bairro, na sua escola ou no seu trabalho, enfim, em qualquer grupo, e verifique quantos amantes da leitura irá encontrar. Geralmente poucos; na melhor das hipóteses, sendo esta escassa, muitos; e não raro de acontecer, quase nenhum.

Poderia citar diversos motivos para a configuração deste quadro que variam desde o analfabetismo às baixas condições financeiras da população em adquirir um livro (embora haja bibliotecas públicas, que nem chegam onde deveria chegar, para deter esse empecilho), mas o cerne do problema, e aposto que se sanado poderia amenizar todos aqueles agravantes, não é nada senão o desinteresse pela leitura. Ora, do que adianta a construção de bibliotecas e livrarias lá e cá se a própria pessoa não se interessa em freqüentar esses locais? Interesse. É apenas isso o que está faltando na formação de um leitor.

Como lidar com isso? Bom, vamos por partes.

Em se tratando de leitores infantis, acredito que tal incentivo deveria vir não apenas da escola como também de casa, ou seja, os pais, na formação educacional de seus filhos, deveriam incluir os livros nessa educação, o que muitos poucos fazem, pois certamente nem mesmo estes pais são leitores. O incrível é que esse estímulo poderia se resumir a uma tarefa bem simples como incluir um livro ilustrado no pacote de presentes que a criança recebe; tenho certeza que não vai doer trocar um conjuntinho bonitinho de roupa, ou um par de tênis, ou um brinquedo de marca, ou um joguinho de videogame, ou até mesmo aqueles lanches caríssimos, por um livro. Uma maneira bem eficaz também é ler para a criança antes dela dormir. Mas acho que é bem mais conveniente e menos trabalhoso aos pais deixarem a televisão ligada em desenhos animados que ela adormece bem rapidinho, né?

Contando um pouco de minha experiência inicial com a leitura, lembro-me que ganhei uma pilha de quase cem livros infantis. “Que maravilha!”, é o que muitos podem pensar. Houve, porém, uma hesitação de minha parte em abri-los e folheá-los. Uma coisa é você dar um livro a uma criança, outra é você mostrá-lo a ela, pois não são todas que irão criar espontaneidade para entrarem de cabeça nas páginas de uma história. Felizmente, um desses livros, e me lembro do personagem até hoje, me fez tomar gosto.  Maneco Caneco Chapéu de Funil é uma de minhas leituras infantis preferidas. Eu devo mencionar também um grosso livro reunindo diversos contos de fadas que perdi a conta de quantas vezes eu o li — adoro Hansel e Gretel (João e Maria). Li também uma série chamada "Salve-se quem puder", formada por histórias de mistério em que no final de cada capítulo era feita uma pergunta ao leitor relacionada a ilustração da página; era muito divertido. E não posso também deixar de ressaltar os gibis da Turma da Mônica que fizeram TODA a diferença em meu hábito de leitura. É uma pena que as pessoas não percebem a importância das HQs como leitura, fato que deveria ser explorado até mesmo nas escolas ao lado dos livros.

Acredito que assim que uma pessoa termina de ler um livro — e entenda-se “ler” como uma ação de resultado prazeroso, ou seja, leitura como prazer —, cria-se um estímulo natural para mergulhar num próximo livro. O problema é que se não houver um estímulo do meio, essa pequena chama que o primeiro livro acendeu se apagará, e será muito difícil então para o leitor voltar a acendê-la. É necessário que essa chama mantenha-se sempre acesa, não importa o quão forte seja a brisa que intente extingui-la. Portanto, a leitura como atividade freqüente é uma condição necessária para a formação de um leitor. A dificuldade, porém, é manter essa atividade como ininterrupta.

Logo, se o estímulo não vem de casa, resta à escola combater essa falha. Infelizmente, a intervenção escolar a piora ainda mais.

Nos primeiros anos escolares, até que ocorre um incentivo à leitura, pois os professores levam a criança a conhecer os mundos que os livros despertam. É realmente prazeroso ler e se emocionar com uma historinha querendo saber o que vai acontecer com tal personagem e como tal historinha vai terminar. Há algumas semanas fui no lançamento de uma escritora de apenas 10 anos. Isso mesmo... 10 anos! Óbvio que o lançamento ocorreu por incentivo da própria escola que viu na garota um ávido desejo pelos livros, mas o que gostaria de destacar é o amor que ela e os amiguinhos dela demonstraram pela leitura. Não seria bom se todas as nossas crianças compartilhassem deste mesmo amor? Sim, seria um sonho, e, na verdade, é o que realmente é: um sonho.

Mas não estamos vivendo num pesadelo. Devemos acreditar no potencial dos leitores infantis e fazê-lo despertar antes que seja tarde demais. Por que será tarde demais? Bom, certamente qualquer pessoa em qualquer idade pode embarcar num navio para o mundo da literatura, mas elas nunca irão embarcar se não as guiarmos até o porto. É bom não deixá-las se afastarem demais ou será ainda mais difícil mostrar o caminho a elas. Explicando a metáfora, há inúmeras coisas que despertam a atenção em nossa sociedade. Falando das crianças, temos os video-games, os desenhos animados, os brinquedos, as brincadeiras... mas e os livros? Muita gente esquece de acrescentar este último item a essa lista, e quando ele é finalmente apresentado, talvez lá na adolescência, possa ocorrer um pouco de estranhamento. Imaginemos que esse adolescente já não possua uma bagagem de literatura infantil, então nem faz ideia do que um livro pode fazer. É nesse ponto que a questão começa a se tornar crítica. A literatura infanto-juvenil tem uma função vital na formação do leitor, mas o que poderia ser algo simples, acaba se complicando. 

Na próxima parte dessa postagem tentarei aventar algumas questões envolvendo a forma como a Literatura é ensinada nas escolas respaldando-me nos argumentos do Todorov.

Se, por ventura, quiserem acrescentar algo a discussão,  não deixem de comentar. ;)

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sábado, 17 de dezembro de 2011

Conto: Realidade imaginária


Faz um bom tempo que não posto nenhuma história nova por aqui. Melhor dizendo, eu praticamente NÃO posto nenhuma história no blog, rsrs. Por esse motivo estou começando a escrever alguns contos que serão postados regularmente. O objetivo é libertar um pouco minha escrita e extravasar ideias que ficam de molho por causa da total dedicação ao meu livro. Então acho que já é hora de agitar um pouquinho as coisas. Boa leitura.

Realidade imaginária

As mãos e os dedos trabalhavam animando os objetos.
Aos olhos de um adulto, mero e fútil costume, esquecido e largado em lembranças passadas mantidas apenas para completar seu perfil quando referente aos primeiros anos de sua vida. Tais objetos não eram nada menos que o despertar de um saudosismo emaranhado em memórias empoeiradas que a pessoa adulta não acredita serem mais úteis.
         Bonecos. Brinquedos que muitos, com certeza, subestimam o quanto podem fazer, não só para a mente humana, mas também ao espírito. E isso só os adultos mais atentos, bem poucos, e as crianças, todas elas, sabem muito bem.
         Dentre essas crianças, um singelo menino chamado Mateus, de cabelos escuros e ralos, via com seus olhos castanhos sua mão mexer os finos braços de um boneco – era um homem de terno e gravata de cabelos amarronzados e barba bem feita. Além deste, havia outros bonecos, bem distintos, dispersados pelo chão gelado que parecia não incomodar os joelhos do garoto. Sua mente estava tão atarefada com algo de suma importância que uma simples indisposição de temperatura era insignificante; poderia estar ajoelhado num lago congelado que não iria se incomodar. Nenhuma inconveniência no mundo lhe privaria de sua brincadeira.
         Ninguém além do próprio Mateus poderia descrever o que se passava em sua cabeça enquanto os bonecos, em algum mundo fora da realidade e existente apenas dentro de sua mente, ganhavam vida e montavam o que poderíamos chamar de uma história. Sim, uma história… criada pela imaginação fértil do menino, e nenhum adulto poderia fazer melhor. Afinal, adultos se preocupam com coisas “mais importantes” do que sentar e brincar com bonecos, se preocupam com a realidade, e somente esta importa.
         Por isso Mateus aproveitava cada segundo de sua brincadeira. Ele era o limiar entre a fantasia e a realidade, um ser fantástico que conseguia unir objetos concretos e jogá-los num plano surreal, fazendo uma rica, misteriosa e fascinante mistura de dimensões que somente a imaginação de uma criança seria capaz de executar.
         Porém, Mateus conseguia ir mais além. De alguma forma, por mais que o seu brincar fosse habitual a um garoto de sete anos, ele conseguia transcender os limites da imaginação de uma criança comum. Ele era especial.
         Suas brincadeiras eram vívidas, e mesmo sozinho no quarto onde apenas habitava uma cama, um guarda-roupa e estantes com dezenas de bonecos, ele conseguia fazer daquele recinto um mundo tão impressionante quanto à realidade.

         Na sala da casa de Mateus, havia um casal adulto acomodado no sofá, olhando para a TV e esboçando sorrisos mordazes de satisfação. Era noticiada a morte de um político de cabelos amarronzados — sempre andava de terno e gravata e com barba bem aparada — assassinado por alguém desconhecido.
— Menos um — disse a mulher com uma risadinha.
— Sim, no entanto, ainda falta um. E com este último fora do caminho, serão plenas as chances de ganhar a eleição — falou o homem com uma voz confiante. — Não há como eles relacionarem todas essas mortes a mim. Foram fatalidades, lamentosos acidentes.
O casal aprumou-se e se dirigiu a um quarto da casa. Chegando lá, foi revelada uma criança que brincava distraidamente com seus bonecos, e que cessou seu divertimento quando os dois adentraram no recinto.
— Muito bem, Mateus. Você é um bom garoto — falou o homem e, em seguida, abriu a mão expondo um boneco masculino vestido socialmente. — Veja. Entrará um novo personagem em seu mundo. Sabe quais são as regras para brincar com ele. Eu o ensinei como vive uma personagem político. Então... quero que o mate. Morte acidental como de praxe. Um acidente de carro, de avião, helicóptero, ou até mesmo um problema de saúde, eu não sei. Faça o que sabe fazer melhor: use sua imaginação. 
E terminando com um sorriso afetado, ele e a mulher saíram do quarto. Mateus regressou novamente a solidão de seu universo, segurando um novo componente em sua mão. Sentiu-se triste. Já estava cansado daquilo. Por mais que seu mundo imaginário fosse divertido, uma crescente melancolia se apoderava dele. Não era isso o que ele realmente queria. Carecia de algo muito importante para sua felicidade.
Mateus pegou um DVD de um filme infantil e o colocou no aparelho. Apagou a luz do quarto como gostava de fazer para assistir TV (mesmo que só lhe fosse permitido assistir programas infantis ou recomendado pelos pais). Sentado no chão, pôs-se a observar cenas onde muitas crianças brincavam juntas. Uma lágrima escorreu.
— Eu quero amigos.
Pelo o que lhe contaram fora abandonado, recém-nascido, na porta de um orfanato. Poucos meses depois, adotado pelas pessoas que cuidam dele até hoje. Não sabia o motivo, mas seus pais não gostavam que se aproximasse de outras crianças. Ele não entendia o porquê, e toda vez que perguntava, diziam que ele podia se divertir com os bonecos, o que era uma verdade, pois realmente ele se divertia, mas por outro lado, não queria apenas aquilo, queria abrir suas asas para outros afazeres.
— Por quê? Porque não posso ser como os outros? — indagou-se, soturno. Pouco a pouco, seu rosto inclinou-se para derramar mais lamúrias. — Eu quero encontrar personagens reais, e não criá-los. Quero ser um personagem do mundo real, e não o criador de um fantasioso. Quero estar com outras crianças ao meu lado. Quero saber o que é verdadeiramente ser amigo de alguém.
Ele não conseguiu mais falar, permitindo que seu pranto tomasse conta daquele momento. A solidão era lancinante, e somente ele tinha total idéia do quanto sozinho se encontrava. Exilado num espaço negro onde não havia ninguém além de pessoas que se intitulavam seus pais, que concediam brinquedos para preencher o vazio dentro dele. Mas o vazio só aumentava, e a cada expansão, uma dor ininteligível era sentida. A dor de estar desamparado.
— Não chore — soou a voz de um menino.
Mateus, assustado, procurou pela criança e viu, ao lado da porta, um garoto da sua idade se aproximando. Parecia-lhe familiar. A imagem dele não soava nem um pouco estranha, como se o conhecesse de algum lugar. Entretanto, teve que perguntar:
— Quem é você?
— Quem sou eu? Ora, sou seu amigo — disse o garoto, sorrindo. — Eu sou Michel. Prazer em conhecê-lo.
Mateus estava com a boca entreaberta, ainda admirando o menino adiante. Não sabia como e porque, mas algo começou a adolescer dentro dele. Não era a sensação oca que tanto lhe afligia, muito pelo contrário, era transparente, permitindo que uma luz de sentimentos que se encontravam enfurnados atravessasse e se dispersasse por todo o seu espírito, preenchendo-o com uma inusitada dose de felicidade e bem-estar.
As lágrimas voltaram a cair, não por solidão, e sim por alegria. Ele molhou os lábios e perguntou ansioso àquele que podia chamar de amigo.
— Vamos brincar?
Este era o maior desejo de Mateus: encontrar um amigo e aproveitar tudo o que uma amizade como essa poderia lhe desfrutar.
— Sim — respondeu Michel. — Mas Mateus, você não tem vontade de descobrir algo muito melhor que ter amigos?
— Algo melhor que amigos? — indagou o menino. Não esperava uma pergunta dessas.  — O que pode ser melhor que amizade?
— Olhe com atenção. Eu vou brincar com você desta vez, e daqui a algum tempo você entenderá — disse Michel, mostrando três novos bonecos.

         Através da janela do carro, Mateus observava a paisagem rural meio apagada pelo entardecer nublado. O pai mantinha a atenção na estrada de pouco movimento, a mãe lia revistas de beleza no banco do carona, e o filho adotado permanecia quieto no banco de trás. A criança apenas se lembrava de sua última brincadeira, ouvindo a voz de Michel devaneando com seus bonecos.
“Três pessoas estão dentro de um carro que percorre uma estrada ao fim de tarde. Um casal e seu filho adotivo.”
         O silêncio da viagem foi quebrado por um assunto ali e outro aqui, e em poucos instantes os pais já estavam duelando verbalmente. Mateus já se acostumara a ouvir a discussão de seus pais. Os assuntos variavam: dinheiro, traição, viagens e outras coisas do tipo.  
“O casal começou a discutir e a criança não ligou. Era comum vindo de seus pais. Porém, desta vez, tudo sairia diferente. Enquanto o casal permanecia concentrado na discussão cada vez mais frenética, o homem, que dirigia o veiculo, não viu um enorme bloco de concreto, quase da metade do tamanho de um carro, parado na estrada.”
O veículo não freou a tempo e chocou-se com o bloco. Capotou na estrada várias vezes, em alta velocidade. Sua lataria ficou completamente amassada e irreconhecível. Quem visse aquela cena com certeza diria que ninguém sobreviveria.
“Um trágico acidente, mas olhe, alguém sobreviveu: uma criança.”
Mateus saiu do carro estraçalhado sem nenhum ferimento. Não havia ninguém na estrada, tudo estava na mais completa escuridão e silêncio. Olhou para o carro e soube que seus pais estavam lá dentro, mortos, mas nada sentiu por eles. Um sorriso malicioso brotou de seus lábios.
— Então era isso.
Mateus finalmente compreendeu o motivo de seus pais lhe deixarem num quarto a maioria das vezes, o motivo de não deixá-lo se aproximarem das outras crianças. Então todo o significado da sua vida veio até ele. Ele tinha que ficar sozinho para manipular seu poder, caso contrário, não funcionaria. E também não podiam descobrir seu misterioso dom. O mundo criado em sua mente usando os bonecos afetava o mundo real: se alguém morria nele, o mesmo ocorreria no real. Sua imaginação transcendia a realidade.
Michel era, na verdade, um amigo imaginário criado para abrandar sua solidão. Ele existia apenas na cabeça dele.
“E então, o menino percebeu algo muito intrigante. E uma grande mudança marcou aquele momento.”
— Que interessante — disse Mateus, tirando um carrinho do bolso e apertando-o na mão. Agachou-se no asfalto e começou a brincar. Então, imaginou o carrinho amassado e bradou: — BOOM!
O carro capotado adiante explodiu e voou metros no ar. Mateus observou, fascinado, o veiculo em chamas cair no campo ao lado da estrada.
— Eu sempre fui sozinho e não será agora que mudarei isso.
Acostumado à solidão, deixou que ela lhe abraçasse, e a ciência de seu poder lhe fez se tornar uma pessoa completa. Nada estava faltando, nem mesmo a infância que idealizara. Não permitiria que ninguém além dele editasse os eventos de suas criações imaginárias. Dessa vez, ele imaginaria seu mundo a seu modo, ele mesmo mudaria a realidade.  
— Será divertido brincar com as pessoas.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Resenha "Nerdquest" de Pedro Vieira

Olhando livros de um real no sebo do corredor da faculdade, deparei-me de repente com uma capa que destoava completamente das demais, e não apenas a "casca" do livro era diferente, mas seu título era bastante incomum: Nerdquest. Sem dúvida, uma ovelha negra numa estante abarrotada de livros de poesias, contos e pequenos romances com tendências mais realistas, embora esse livro de capa pitoresca também seja uma história realista, mas com um toque de...hm... "nerdice". Sim, essa é a palavra. Na hora pensei: um livro para nerds. Brilhante!

Antes de mais nada, o que seria um nerd? Vamos abusar do Wikipédia. "Nerd é um termo que descreve, de forma estereotipada, muitas vezes com conotação depreciativa, uma pessoa que exerce intensas atividades intelectuais, que são consideradas inadequadas para a sua idade, em detrimento de outras atividades mais populares. Por essa razão, um nerd muitas vezes não participa de atividades físicas e é considerado um solitário pelas pessoas. Pode descrever uma pessoa que tenha dificuldades de integração social e seja atrapalhada, mas que nutre grande fascínio por conhecimento ou tecnologia." Não leve uma definição como essa escrita em pedra, definir um nerd é uma indefinição por si só. Bom, nem eu compreendi bem o paradoxo que fiz agora, coisa de nerd, hehe. Mas para ser mais direto, há algumas palavras-chaves que funcionam como marcas de nerdice: informática, games, literatura, HQs, música(não está incluso funk; se algum Nerd gosta de funk ele abraçou o Lado Sombrio. Está incluso aqui o rock, perfeito para desenvolver nossa Força.), animes, RPG, seriados de TV, e por aí vai. Observação: Star Trek e Star Wars não são requisitos obrigatórios. Engraçado que se você procurar "nerd" no Google images vai aparecer homens feios com óculos gigantes. Malditos estereótipos, nem todo nerd é feio e/ou são quatro olhos. 

A princípio, meu desejo de ler o livro era puramente para divertir meu lado nerd, mas assim que o folheei e li o começo do primeiro capítulo, vi que era uma leitura extremamente recomendada a mim. Como estudante no Fundão, simpatizei com esses trechos, hehe.
A sensação do Fundão ficando para trás sempre era agradável, mas aquele dia parecia diferente. Havia um engarrafamento na Linha Vermelha, mas Lucas e Marcos estavam tão acostumados que nenhum deles sequer soltou algum palavrão.

Um vendedor de coca-cola e biscoito Globo circulava entre os carros irremediavelmente presos no trãnsito congestionado.
- Basta um engarrafamento pra esses vendedores ambulantes brotarem do chão. Acho que eles são gerados por abiogênese. Geração espontânea, essas merdas. Quando mais de dez carros ficam parados juntos por muito tempo na Linha Vermelha, eles germinam do asfalto. Surreal. - comentou Marcos.

NERDQUEST
Autor: Pedro Vieira
Editora: 7Letras
Lançamento: 2008
Páginas: 104
Sinopse: Com um texto leve e saboroso, recheado de referências pop (quadrinhos,role-playing games, literatura, séries de tv, videogames, desenhos animados, cinema e – principalmente – música), Nerdquest apresenta um retrato bem particular de uma geração nascida e criada em plena era digital.

Os protagonistas são jovens fãs de música alternativa e cultura pop "descartável" – o estereótipo nerd encarnado –, divididos entre o universo virtual dos jogos de rpg e os desafios reais do mundo adulto.

Lucas, recém-saído da faculdade e sem perspectivas profissionais, tem que reavaliar suas prioridades e seus hobbies "nocivos" frente ao desafio de "amadurecer" (ou o que quer que isso signifique), enfrentando os dilemas amorosos e as crises existenciais típicas da juventude – aqui apresentados sempre com muita ironia e bom humor.

Os jovens do século XXI (de todas as idades) irão se encontrar nessas páginas, e com certeza vão se divertir com as aventuras de Lucas e seus companheiros, nesta jornada sem fim pelos mundos da vida real.

Os capítulos são curtos e intitulados com o nome de músicas de conhecidas bandas de rock. Certo, eu só reconheci umas três. Essa parte do rock não é bem pra mim. Mas foi uma ideia bem interessante nomear os capítulos dessa maneira, só não sei afirmar se os nomes condizem com o conteúdo dos capítulos; provavelmente sim. 

A narrativa leve, sem muitas descrições é objetiva: uma escrita acertada tendo em vista o desenvolvimento da história. Em algumas ocasiões, até surgem alguns vocábulos mais rebuscados daqueles que só passamos a conhecer na faculdade, mas nada que dificulte a leitura.  Um detalhe que vale ser mencionado também é a linguagem coloquial dos personagens, jovens por volta dos 20 anos mal saídos da faculdade. Portanto, há presença frequentes de palavrões, e isso é muito bom, pois torna o livro ainda mais verossimilhante.

É salutar lembrar que esse não é um livro para qualquer pessoa, e sim para nerds, pois somente sendo um para entender todas as referências na história. É como você tentar assistir The Big Bang Theory e não entender nem 10% das piadas. Mas nem eu entendi todas as passagens do Nerdquest, principalmente envolvendo músicas. Além desta, o RPG e os HQ's são marcas bem recorrentes na história. 

- Ih, Marcos, somou quanto aí? Nove? Morreu - interrompeu Jorge. 
- Como assim morri? Porra! Você não pode me matar no primeiro round do combate? - protestou Marcos.
- Calma, próxima rodada eu mando um raise dead e ressucito você - disse Alemão, que jogava sério.

Como sou o nerd que tem um pendor pela literatura, eis uma passagem interessante. Fiz uma resenha desse livro aqui.

Como foi a dinãmica de grupo? - perguntou Jorge, quando Lucas passou no sebo.
- Uma bosta. Eu disse na frente de todo mundo que só acreditaria em uma organização que seguisse os moldes da civilização de Admirável Mundo Novo. E só se eu fosse nível alpha
- Que merda. Acho que você foi eliminado.
- Nem. Ninguém lá tinha lido o livro, minha colocação irônica passou em branco. Aí a psicóloga disse que eu estava sendo pedante e tirando onda de intelectual.

A temática do livro gira muito nas cobranças da sociedade para que você se adeque a ela. Lucas, o protagonista do tipo nerd, ou seja, um rapaz com hobbies geralmente malquistos pelas pessoas consideradas "normais", sofre com essa mudança de perspectiva das coisas. Sua vida é obrigada a mudar frente as cobranças dos pais, da namorada, de toda a sociedade que procura encaixá-lo como um cidadão necessário. A questão é que sendo forçado a isso, Lucas vai abandonando quem ele realmente é, aquelas coisas que o definiram ao longo da vida simplesmente para "amadurecer" diante da realidade. Isso é bem bacana de observar no livro, essa luta do protagonista em resistir a essas implicações e descobrir que é possível sim equilibrar os dois lados. É justamente isso que faz esse livro um Nerdquest. 

Sinceramente, foi uma de minhas melhores leituras do ano. Saboroso, divertido, com leves cutucadas críticas a sociedade, eu recomendo esse livro a todos os nerds como eu.

P.s: A imagem no início do post é do Jovem Nerd. Ótimo site de conteúdo nerd. ;D

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Sorteio de Natal - Histórias Fantásticas Vol.1

Presente de Natal, pessoal! Trata-se do sorteio da antologia Histórias Fantásticas Vol.1 da editora Cidadela: minha primeira participação em antologias com o conto Após a Densa Neblina.
O ganhador levará um exemplar autografado. ;D



Para participar, basta seguir estas duas regrinhas e você estará automaticamente concorrendo com um ponto no sorteio.  

1 - Ser residente no Brasil

2 - Preencher o formulário abaixo.

Quer ganhar pontos extras? 


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  • A cada postagem comentada você ganha um ponto extra no sorteio. Não se esqueça de preencher novamente o formulário com o link da postagem comentada. 
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  • Seguir o @Luizdreamhope (Vale um ponto extra).
  • Twittar a seguinte mensagem: "Eu quero ganhar o 1º volume da antologia Histórias Fantásticas  que o @LuizDreamhope está sorteando." (Vale um ponto extra).
  • Será permitido apenas 5 tweets por dia. (Cada tweet valerá um ponto extra).
  • Não se esqueça de preencher novamente o formulário colando o link do tweet no local indicado. Esse link é aquele que aparece quando você clica abaixo do tweet no tempo transcorrido desde a atualização. Ex: less then 45 seconds
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  • Divulgue o link dessa postagem (link) com a seguinte mensagem: "O blog do LuizDreamhope está sorteando um exemplar da antologia Histórias Fantásticas"
  • Será permitido apenas 1 divulgação por dia. 
  • Não se esqueça de preencher novamente o formulário colando o link da atualização de status no local indicado. Para ter esse link basta clicar sobre o tempo decorrido após a atualização. Ex: há 20 minutos.
 Divulgação em seu blog
  • Divulgou a promoção em alguma postagem no seu blog? Preencha o formulário novamente e cole o link de divulgação no local indicado. 
OBSERVAÇÃO: Se você por acaso optar por mais de um dos meios de divulgação expostos acima, não preencha os links de divulgação de uma só vez. Por exemplo, divulgou no twitter e comentou no blog: Primeiramente preencha somente os campos obrigatórios para ganhar o primeiro ponto; em seguida, preencha-os novamente mais o link de divulgação do twitter; e por fim, o campo com o comentário no blog; ou seja, o formulário será preenchido três vezes.

As inscrições serão encerradas às 23:59h do dia 24 de Dezembro. O sorteio será realizado pelo site RANDOM no dia seguinte. Após o sorteio, o ganhador será notificado por email e terá um prazo de 7 dias para respondê-lo, caso contrário, será realizado um novo sorteio. O resultado será anunciado aqui mesmo no blog em nova postagem. 


Boa sorte! =D

Qualquer dúvida, comentem. ;)

domingo, 4 de dezembro de 2011

Anime Family


Agora ninguém vai mais dizer que sou antissocial e que sou um otaku desnorteado. Resolvi tomar tendência, abandonei o status de caseiro por algumas horas, trocando a internet, escrita e videogame por alguns momentos num evento bem conhecido em relação ao animes: o Anime Family. Ok, ok, ainda sou antissocial, mas sou menos antissocial do que era ontem, rsrs.

Forever alone como sou, parti para o evento sozinho. Meu objetivo era apenas comprar uns dois volumes de mangás, umas camisas, alguns bottons e assistir uma palestra do Daniel Cavalcante - editor da Infinitum - sobre criação de personagens. Bom, é incrível a quantidade de pessoas que você encontra lá. A frase "tem maluco pra tudo" nunca foi ilustrada de forma tão enaltecida em nenhum momento da minha vida. Entretanto, era divertido ver a animação da galera.

Se a Bienal não me ensinou completamente a lição de comprar ingresso antecipado, o Anime Family reforçou isso. Não sou o tipo de pessoa que gosta de mofar numa fila monstruosa. Felizmente, uma garota me vendeu um ingresso antecipado e consegui entrar numa fila menor e aproveitar o evento mais cedo. 
Foi pior que Bienal em média de dinheiro gasto por minuto. A combinação Estandes + Comix + Praça de alimentação = falência. Da próxima vez, irei me preparar para gastar, pois eu comprei vários ítens, mas sinto que teve muita coisa que deixei de levar, hehe. 

A palestra do Daniel Cavalcante sobre criação de personagens foi bem legal, e se eu não tivesse chegado uma hora antes eu a perderia, pois ela começou realmente uma hora antes que o previsto, hehe. Além de falar sobre os arquétipos jungueanos, assunto que ando me interessando faz alguns meses, ele também abordou o "Arco do Personagem", um tema que ainda não ouvira falar. Basicamente é uma linha de estágios que o personagem segue na história, mais ou menos como uma evolução. No final, cada uma das pessoas da sala falou um pouco sobre seu personagem. Foi uma dinâmica bem legal. Pena que não consegui as revistinhas de Elementais T_T. Pelos menos consegui um marcador. 

Acabei saindo um pouco mais cedo e acho que isso não é uma ação muito comum em se tratando de AnimeFamily. Tanto que, do lado de fora, um garoto que estava chegando me perguntou "Tu já vai?". Pensando bem, poderia ter deixado Flamengo e Vasco de lado. ¬¬ De qualquer forma, sairia de lá antes entre 4 e 6 da tarde. Do Anime Family para o Engenhão era um pulo e eu não curto ficar em meio a centenas de torcedores gritando como malucos ofensas ao time adversário. 

Bom, ano que vem, acho que posso fazer um relato mais empolgante do evento.

P.S: Minhas férias estão chegando e terei tempo para me dedicar mais ao blog que andou com uma frequência de postagem muito baixa. Estou escrevendo alguns contos para em breve serem postados aqui. Próximo final de semana trago uma surpresa aos leitores. Dica: Natal. ^^

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Impressões de Harry Potter e as Relíquias da Morte - parte 2


Eu já devia ter produzido uma postagem com este tema desde a estréia de Harry Potter e as Relíquias da Morte — parte 2 nos cinemas, mas como o DVD foi lançado essa semana e tive a oportunidade de assistir novamente o filme, me rendi ao desejo de verter um pouco minhas impressões em relação a série.

Primeiramente gostaria de me ater num fenômeno que provavelmente nenhuma outra série literária ou cinematográfica conseguiu emplacar. Me refiro a este trajeto de “crescer junto a um universo”, como desde a infância tivemos nosso primeiro contato com essa maravilhosa saga e, mesmo agora, como adolescentes ou adultos, ainda tenhamos identificação para com ela, que aliás, foi crescendo cada vez mais ao longo do tempo, meio que uma amizade que fazemos na vida e que num fatídico dia tenhamos que desgarrá-la para “seguir nossa vida”. Acho que é mais ou menos assim que os fãs potterianos se sentem, e devo dizer que, infelizmente, não usufrui por completo dessa geração. Meu primeiro contato com Harry Potter deu-se através do primeiro filme, e lembro-me de que só comecei a gostar mesmo deste universo no segundo. Entretanto, confesso que era um preguiçoso de leitura, em outras palavras, eu não era um leitor — minha visão de livros foi abalada pela escola, como de praxe acontece com a maioria dos jovens não-leitores, mas deixarei para discutir o ensino da literatura numa postagem mais pertinente. O fato é que demorei muito para me debruçar na escrita de J.K.Rowling, e para terem uma ideia, deve fazer mais ou menos dois anos que resolvi finalmente pegar os livros — quase certeza que foram dias depois de assistir o Enigma do Príncipe nos cinemas. Pois é, não me encaixo no grupo de fãs que cresceram ao lado dos livros, fiquei mesmo com os filmes até o ponto de não agüentar e conferir a saga através das páginas. Me arrependo profundamente de não ter feito isso lá no Ensino Fundamental, uma colega minha gostava de lê-los. Para concluir esse fenômeno de “amizade” é interessante observar a faixa etária das pessoas que foram assistir os filmes no cinema: criancinhas de dez anos atrás, hoje tudo gente grande, e eu me incluo. 

 Harry Potter e as Relíquias da Morte – parte 2 conseguiu atingir a terceira maior bilheteria da história e superar O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei. Apesar da franquia ter tido alguns pontos baixos durante as sequências, os filmes conseguiram vigor suficiente para ir até o final. Não é qualquer adaptação literária que consegue esse feito. Apenas resumirei minhas impressões a respeito dela.
 A Pedra Filosofal e A Câmara Secreta são os melhores no que toca a fidelidade à atmosfera dos livros; mágico, colorido e divertido — acho a Hogwarts muito mais Hogwarts nesses dois filmes. Do terceiro em diante, as adaptações ganham um aspecto mais cinzento e uma imagem sombria que foi gradativamente se intensificando nos demais filmes: uma escolha acertada a meu ver, pois é mais ou menos isso o que também ocorre nos livros. O Prisioneiro de Azkaban teve força menor em relação a seus antecessores, tornando-se o menos fiel a série até aquele momento; o terceiro livro, considerado um dos melhores para alguns, acabou não sendo bem representado na tela. O Cálice de Fogo compensou esse fracasso, mostrando que mesmo oriundo de um livro com mais de 400 páginas em que muitas sub-tramas ficaram de fora — como aquela coisa da luta pelos elfos livres —, conseguiu sintetizar todo o enredo e montar uma história coerente. Aliás, é justamente nesse filme, no retorno de Voldemort, que muita gente começou a prestar atenção na série. Eu sempre vejo o quarto livro como um mediador na história: fica para trás aquelas tramas de aventuras perigosas de um bando de pré-adolescentes tentando impedir o retorno de um bruxo malvado; e muda para uma trama pesada, carregada de tensão e saturada de uma sensação de um perigo iminente. Isso se concretizaria em A Ordem da Fênix. Embora acho que foi o pior ano de Harry potter, e me refiro a qualidade do enredo mesmo, tanto no livro quanto no filme. Um calhamaço de 700 páginas não-peneirado e cheio de eventos irrelevantes a história, um grande enche-linguiça. Justamente a quantidade de informações a serem adaptadas ao filme é que foi o grande problema, gerando um resultado deplorável. Adaptar em duas horas sete centenas de páginas não é um feito plausível com vista em torná-lo agradável. Evento semelhante aconteceu no filme seguinte, O Enigma do Príncipe. Mas apesar das inúmeras cenas destoantes com o livro, eu realmente o achei bom. Muita gente desgosta desse filme, mas eu não o vejo pior que a Ordem da Fênix. Detalhe: Como sou muito anti-spoiler, eu nem sabia que o Dumbledore ia morrer; imaginem minha cara no cinema? 


 Então chegamos finalmente ao último, ou melhor, penúltimo arco da série: Relíquias da morte, dividido em dois filmes, tanto por motivos de enredo como mercadológicos. A primeira parte correspondeu a mais da metade do livro, sendo fiel ao andamento do enredo e finalizando num ótimo cliffhanger. A segunda focou-se em dois eventos: o assalto ao banco Gringotes e a batalha de Hogwarts, que apesar de não serem tão longos assim no livro, em questão cinematográfica se tornam impressionantes sequencias de “OMG!”.
Eu não poderia deixar de relatar aqui os momentos do cinema em que as pessoas gritaram e aplaudiram entusiasmadas: o beijo de Hermione e Rony; “Minha filha não, sua vadia” e logo depois a explosão da Bellatriz; Harry acordando nos braços de Hagrid; Neville matando Nagini; e a destruição do Voldemort. Sem contar algumas cenas engraçadas em que o Avada Kedavra de Você-Sabe-Quem estava mais para um kamehameha do que para uma maldição, ou então numa parte em o Voldemort parecia estar dançando após dizer “Harry Potter está morto.” Mas enfim, o filme rendeu bons momentos de risada, tensão e lágrimas. 

Por falar em lágrimas, eu não chorei. Não que eu seja do grupo que “homem não chora”, é que no cinema eu não permito que minha cara mostre essa imagem sensível mesmo, porém, não me impede de ficar com os olhos marejados. A parte mais emocionante do filme, aliás, de toda a série, é a revelação do passado de Snape, o personagem misterioso que ninguém sabia de que lado ele jogava. Para mim, disparado, o melhor personagem da série. No livro, o capítulo que narra as vivências passadas dele são páginas emocionantes — nem tenho vergonha de dizer que chorei —, e no filme, mesmo resumidamente, deu-se a mesma sensação melancólica das páginas. Foi aquela parte do filme que você arregala os olhos (lacrimejados ou não) e fica sem palavras. 
 Sem dúvidas, a grande vantagem de um filme baseado numa obra literária cujo ponto de vista seja quase sempre do protagonista é a flexibilidade de trabalhar os demais eventos da história. Sinceramente, eu não sou muito fã de livros que optam por focar a história sempre no ponto de vista do protagonista, embora Harry Potter tenha cenas em que o próprio não faz parte. No filme, principalmente na batalha de Hogwarts, isso foi um fator crucial. No livro ninguém sabe o que está acontecendo com os outros personagens, como está se dando a batalha; enquanto que no filme, temos uma visão mais geral e aberta da guerra.
A original soundtrack também foi um elemento evolutivo nos últimos filmes, acompanhando os novos contornos que a história veio ganhando. Eu não sou nenhum experiente em avaliar trilha sonora de filmes, mas eu me guio por uma coisa básica que qualquer leigo no assunto pode fazer: assim que terminar de ver um filme, se as músicas não saírem de sua mente fazendo-lhe suscitar as cenas do longa, então é porque a trilha sonora é boa mesmo. Em se tratando da segunda parte de Relíquias da Morte, a trilha acompanha a melhor parte do filme. Mas achei interessante também a presença daquela música clássica dos primeiros longas que é considerara a música marcante da série, muito bem aproveitada no reencontro do protagonista com seus amigos de Hogwarts e na última cena do filme.
Gosto muito de ouvir "Dumbredore's Farewell", bem aproveitada no antepenúltimo e último filme.


E falando sobre a cena final da série, por mais que tenham se maquiado, não consegui enxergar ao atores com mais de trinta anos de idade. Mas acho que ficaria ruim colocar outros no lugar deles, e a carga emocional, tantos dos próprios atores — que disseram relembrar os momentos do primeiro filme de quando entraram no trem para Hogwarts — quanto dos leitores/espectadores.
Mas fica aquela coisa no ar que ninguém acredita. “Acabou? Acabou mesmo?”. Não, não acabou. Tenho certeza que uma história como essa estará na alma de todos os leitores para sempre. Na minha com certeza estará. (ok, comentário meloso desnecessário).
 Para terminar, confiram um final alternativo feito por fãs. Eu bem que gostei, meu personagem preferido não morreu. (risos)


domingo, 13 de novembro de 2011

Resenha "O Senhor das Sombras", de Leandro Reis



Editora: Idea
Lançamento: 2010
Páginas: 352
Sinopse: O Senhor das Sombras é o segundo volume da trilogia “Legado Goldshine”, iniciada por Leandro Reis em Filhos de Galagah. Neste livro, o autor dá continuidade à missão de Galatea na busca pela segunda runa. A aventura, agora, toma proporções épicas, e muitos mistérios deixados pelo primeiro volume, Filhos de Galagah, são respondidos, além das novas intrigas que são acrescentadas à trama.
Nesta sequência, Leandro Reis aprofunda o drama da bruxa vermelha, Iallanara Nindra, que, exposta aos seus maiores conflitos, é obrigada a fazer uma escolha crucial: matar sua única amiga e protetora, ou traí-la? Sukemarantus, manifestação do Mal, que tem o poder de controlar toda sorte de criaturas das trevas, lança mão de seus recursos mais vis para atingir seus sombrios objetivos.
Enquanto isto, a busca de Galatea segue por rumos inimagináveis, levando-a às tribos bárbaras das planícies do sul, uma sociedade ímpar e desunida, berço de poderosos guerreiros, essenciais para o sucesso desta nova cruzada.
Em O Senhor das Sombras, inúmeros desafios testarão nossos heróis fantásticos. Muitos sacrifícios serão necessários, enquanto o maior dos perigos se esconde dentro do próprio grupo. Nessa aventura, o fracasso espreita, ávido por um simples deslize, escondido nos cantos mais improváveis da história.

   Ainda me recordo de quando apertei a mão do Leandro Reis e o vi autografando todos os meus exemplares do Legado Goldshine: Filhos de Galagah, O Senhor das Sombras e Enelock. É uma sensação muito gratificante conhecer um autor pessoalmente, e melhor ainda é dá-lo o feedback de seu trabalho.

Faz um ano que li a primeira parte desta trilogia (Filhos de Galagah) e, como trabalho de todo autor iniciante, teve seus altos e baixos. Para um segundo livro, ainda mais a continuação de uma série, é de se esperar que o autor aprimore sua arte, e o Leandro não fez diferente, talvez até melhor do que eu esperava. O trabalho de O Senhor das Sombras demonstrou uma qualidade notável se tomando como referência seu antecessor, Filhos de Galagah, e mostra o quanto a escrita foi aperfeiçoada. Ademais, a qualidade deste livro não se atém unicamente a obra: seu booktrailer, um dos pontos pitorescos apresentando por Leandro Reis para cativar a leitura também deu um grande salto, sendo, aliás, responsável por eu adquirir Filhos de Galagah há pouco mais de um ano quando estava sendo lançado o segundo livro. Não poderia deixar de fora também a excelente capa, bastante sedutora.


Um detalhe que, pelo menos para mim, ficou estampado no primeiro livro foi a forte influência do RPG, por onde o universo de Grinmelken teve suas origens. Isso não aconteceu em O Senhor das Sombras. O livro apresentou uma estrutura mais literária e menos "rpgista", o que se refletiu também na escrita. Alguns trechos, principalmente de batalhas ferozes e sanguinolentas, o autor conseguiu passar as descrições de uma maneira contagiante. Idem para as cenas envolvendo os sentimentos dos personagens mais sombrios e suas ações. Na verdade, achei as descrições das partes mais sombrias as melhores cenas. Apenas devo destacar um aspecto negativo e vou logo dizendo que não ocorre apenas nesse livro, mas em outros, seja nacional ou estrangeiro, um absurdo de erros de digitação. Nessa edição que eu peguei havia duas frases consecutivas e  idênticas. As editoras deveriam trabalhar um pouco melhor a edição de seus produtos.

O foco do segundo volume foi em Iallanara, uma personagem tão cativante quanto a protagonista - para ser sincero, prefiro a própria Bruxa Vermelha que a Galatea; aliás, minto, o Gawyn supera todos em quesito de carisma. Mas voltando a falar da Iallanara, ficamos ansiosos desde as primeiras até as últimas páginas em saber qual será sua decisão final: aliada ou inimiga? O sofrimento desta personagem, já revelado no primeiro volume, ganhou contornos sombrios e emocionantes: era, enfim, a hora da decisão final para ela. 

Dragões... Na leitura de Filhos de Galagah senti falta da imagem real desta criatura fantástica, pois eles sempre se exibiam na forma de humanos. Neste, porém, os dragões realmente apareceram. E não faltou batalhas envolvendo-os. As descrições desses seres assim como a narração das ferozes batalhas que travaram acompanharam o amadurecimento da escrita.. 

Fiquei surpreso com a quantidade de personagens novos. Essa segunda aventura do grupo liderado pela princesa de Galagah que veste uma armadura de ouro ( analogias infames a Saint Seiya) foi mais extensa que a viagem a cidade de Lemurian. As dificuldades para encontrar a segunda runa foram bem maiores, o trajeto cheio de impropérios, inimigos mais sombrios e poderosos, conflitos dentro do grupo mais explícitos - era sempre culpa da Iallanara -, e muitos aliados durante o percurso. Em outras palavras, uma aventura mais rica e emocionante. O único ponto negativo foi que, em alguns momentos, a história arrastou-se além da conta. Para ser mais específico, a história após a Floresta do Enforcados - para mim, a melhor parte da história -, decaiu um pouco, não de qualidade, mas de ritmo.

E eu não imaginava que surgiria um romance nessa saga. Com essa adição, os sentimentos de determinado personagem irão variar um pouco.

Enfim, para aqueles que gostaram do que leram em Filhos de Galagah, O Senhor das Sombras é indispensável.

"Jornada de um Escritor" - Capítulo 3

Após meses de hiato, a Jornada de um Escritor está finalmente de volta ao site da FANTÁSTICA. Para aqueles que ainda não conhecem a coluna, trata-se de uma espécie de reality show em que eu narro algumas dúvidas que surgem durante a escrita de meu livro e, para ajudar a saná-las, conto com os comentários de diversos escritores que também já passaram pelas mesmas dificuldades de alguém que ambiciona ser um escritor profissional. Também é um prato cheio para aqueles que, assim como eu, também almejam lançar seus livros no mercado.

A terceira parte de minha jornada tem como título: "A primeira impressão de uma história". Como deixar um boa impressão já nas primeiras páginas? Os comentários são dos escritores(as): Diogo de Souza, Flávia Cortês, Christopher Kastensmidt e Fernando Heinrich.

Clique na imagem abaixo para entrar na jornada. 

domingo, 6 de novembro de 2011

Divulgando: Antologia "Psyvamp" da Infinitum Libris


Há histórias de vampiros em larga escala no mercado e ultimamente tem-se visto um leque muito grande de vampiros "dóceis" inspirados em Crepúsculo. Em meio as inovações que a mitologia vampírica vem criando, um tipo bem peculiar destes seres desperta atenção: os psyvamps. Essa é justamente a temática proposta pela nova antologia da Infinitum, uma editora focada no mercado de e-books. (eu participo com um conto em uma antologia chamada "Lugares Distantes" da mesma editora; clique aqui para saber mais.)

Em relação ao mercado dos e-books, nesta antologia, a editora optou por usar um sistema bem interessante. "Pague o quanto você quiser!". Pode parecer brincadeira, mas é exatamente essa a ideia. Você paga pelo o quanto que acha que vale o trabalho publicado.

Confiram o book trailer e informações sobre o livro.



Temidos e desejados. Alguns dizem que são herdeiros de demônios; outros que são pessoas comuns com dons incomuns. Eles estão em toda parte à procura de alimento. Escolhem suas vítimas e saciam sua fome sem ser notados. São predadores. Vampiros. Mas não espere por grandes presas, transformações físicas e mordidas no pescoço. Os psyvamps não se alimentam de sangue, e sim da energia vital de outros seres vivos.

Pouco se sabe sobre eles. Talvez sejam predadores malignos. Quem sabe existam até ordens secretas e iniciáticas só para eles… Ou seriam seres bondosos e incapazes de fazer mal a alguém? E se eles sequer têm consciência do que são e se alimentam da energia das pessoas involuntariamente? Há quem diga que eles podem até mesmo curar!

Talvez todas as teorias estejam certas, talvez nenhuma. São muitas perguntas sem respostas e mistérios a serem revelados. Na antologia PsyVamp, da Infinitum Libris, você vai descobrir que, malignos ou bondosos, os vampiros psíquicos são muito mais humanos do que você imagina… e mais sombrios do que parecem.

A Infinitum convida você para desvendar os mistérios sobre esses seres, tão fascinantes e sedutores quanto os vampiros convencionais ― só que mais reais, o que os torna ainda mais interessantes.

Para adquirir o livro acesse o link abaixo.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Resenha "Chantilly" de Mare Soares



Li esse livro faz algum tempo, mas o motivo de eu ter demorado tanto para falar dele foi que eu perdi o arquivo que continha o rascunho da resenha, portanto, mesmo passado bastante tempo após a leitura, tentarei resumir minhas principais impressões.

A história ocorre num futuro breve, no ano de 2030, tendo como palco a cidade de Chantilly - que nome gostoso! -, local onde ocorreu um fenômeno ainda sem repostas: os habitantes perderam suas memórias. Catherine Aragorn foi uma delas, e escreveu um diário narrando sua vivência em Chantilly, diário este que foi encontrando por um renomado cientista chamado Ethan que, interessado no caso de Catherine, procura encontrá-la para começar a investigar o caso.

A premissa da história é muito interessante, a sinopse já consegue cativar o leitor logo de início. O único problema é que tão boa ideia não foi tão bem explorada; o livro é muito pequeno, sinalizando o tipo de leitura que o leitor irá encontrar. Mas Chantilly pedia por um pouco mais, uma ideia bem interessante que, se bem desenvolvida, descobriria uma trama muito mais instigante. Entretanto, a escolha da autora em criar uma trama bem objetiva teve seu ponto forte. A leitura do livro é bem tranquila, e leitores mais ávidos conseguem degustá-lo totalmente num único dia. (consegui ler a metade dele durante a viagem de volta da Bienal, que foi onde eu o comprei, rsrs).

O livro funcionou bem como parte dele contado através das cartas enviadas por Catherine a Ethan e vice-versa. Uma boa escolha também foi a mudança de narradores entre os capítulos, combinando com a trama investigativa que o livro apresentava, embora, em algumas ocasiões, as transições me deixaram confuso. Quanto a escrita, mesmo sendo objetiva, poderia ter sido melhor lapidada, assim como as descrições; a cidade de Chantilly, bem como outros lugares percorridos no livro, ficaram vagos na minha mente. Os personagens fazem bem o seu papel (apesar de eu quase ter parado de ler o livro depois que certo personagem... ). Faltou, infelizmente, uma melhor caracterização da maioria deles; o Leon foi o personagem mais bem construído. Apenas senti falta de uma estima maior para a Catherine, que começou a desaparecer do meio do livro em diante. Pensei que ela seria a protagonista da história, mas no final, acabou sendo outro personagem.

No final do livro, o "making of" da autora revelando um pouco sobre a criação da história foi uma ideia muito bacana, um diferencial que pouco se vê em outras publicações.

Chantilly é o primeiro livro de uma trilogia e, apesar de alguns baixos normalmente cometidos por autores iniciantes, a história mostrou vigor para deixar o leitor interessando no volume seguinte, intitulado Copenhague.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Live-acton de Naruto Shippuuden feito por fãs

Live-action é o termo utilizado para se referir a um filme baseado em quadrinhos, games ou animações, em que são usados personagens de carne e osso. Como exemplo mais recente (e decepcionante), temos a adaptação americana de Dragon Ball, mangá produzido por Akira Toryama. Geralmente, live-actions nunca conseguem passar uma boa impressão, pois as histórias originais foram criadas pensando em sua mídia de divulgação. Portanto, dificilmente um filme baseado num game ou mangá sairia melhor que seu original. 

Há algumas semanas, está circulando na internet um live-action feito por fãs da série Naruto Shippudden. Para um trabalho amador, os efeitos estão sensacionais, e a trilha sonora utilizada foi a mesma do anime, dando muito gosto de assistir. Foi lançada apenas a 1º parte do filme, e você pode conferir logo abaixo.

A história se passa após o Arco Pain. Naruto finalmente foi reconhecido como o herói de Konoha. Rock Lee, vendo que o rival conseguiu atingir um patamar elevado, desafia-o para um duelo, almejando mostrar toda a força de sua juventude. 

O filme é intitulado:

Naruto Shippuden Dreamer's Fight



terça-feira, 20 de setembro de 2011

Minha passagem na XV Bienal do Rio



Há muito tempo já tinha ouvido falar de Bienal do Livro, desde criança, quando meu gosto pela leitura nem era tão fluente, porém, nunca senti realmente vontade de ir a um evento desses, seja pelo alto preço das visitas escolares ou por meu próprio desinteresse em pedir aos meus pais. Tal desinteresse perdurou mesmo na adolescência. Embora eu já tivesse começado a brincar com as palavras, ainda era do tipo que “não gostava de ler”. É paradoxal, pois adorava criar histórias e até sonhava em ser escritor (um sonho ainda vago numa cabeça jovem), mas eu não me preocupava em ler livros, não me interessava em adquirir experiências através da leitura; talvez pelo nulo incentivo da família em relação aos livros ou pela errônea apresentação do universo da literatura pela escola (o que continua até hoje). Felizmente, após exatos 21 anos, 170 dias e 9 horas de vida, coloquei meus pés numa Bienal – dizem que estudantes de Letras não sabem fazer conta, portanto, não levem esse tempo a sério, rsrs.

Eu fui no terceiro dia, usando minha camisa da Umbrella Corporation. (ser fã de Resident Evil é o que é).

Não imaginei que o local do evento fosse tão grande. Assim que cheguei e vi aquele mapa gigantesco com um pontinho indicando “você está aqui”, fiquei bem entusiasmado. Não pude deixar de fazer um devaneio nerd: imaginei-me dentro de um jogo em que precisava percorrer a cidade atrás de boas “lojas” para comprar alguns “itens literários”. Mas, seguindo adiante, já não conseguindo me segurar mais, o primeiro lugar que fui visitar após olhar aquele mapa foi... o banheiro. Sério, eu estava apertadíssimo, tinha feito horas de viagem até aquele lugar tudo porque não sabia qual ônibus eu deveria pegar. 

Ao invés de me concentrar em alguma estande, fiquei vagando sem rumo por aquelas ruas abarrotadas de pessoas. Nas três primeiras estandes onde cheguei, o mito “Na Bienal, você encontra livros mais baratos” mostrou-se ser uma farsa para atrair gente. Só então me dei conta de que para corroborar essa ideia era necessário um extenso passeio até encontrar alguma promoção. Mas não falarei de promoções, até porque, não encontrei nenhuma interessante, apenas descontos razoáveis, ou então, e isso não era raro, livros com o mesmo preço ou ainda mais caro que nas livrarias. 

Por um momento, enquanto observava a variedade de livros nas prateleiras, desviei minha atenção para as pessoas: ávidos leitores que digeriam capas, sinopses e primeiras páginas com os olhos. Fiquei a imaginar: temos tantos leitores assim? Leitores que iam de pré-adolescentes a adultos, totalmente envolvidos pelo abraço da leitura. Pra quem imagina que o Brasil não é país de leitura, ao contemplar milhares de leitores naquele lugar, fica com a impressão de que o senso comum é uma grande mentira. Há gente que lê, e muita. E para um escritor como eu, que ainda objetiva um livro publicado, ver aquela cena me deu um gás e tanto. 

O primeiro livro que comprei, num preço que considero normal, mas o menor que encontrei por lá, foi a “A Guerra dos Tronos”, na Saraiva. Eu já pretendia mesmo adquirir o primeiro volume dessa série de tanto as pessoas falarem dela, e, além disso, estou morrendo de vontade para assistir a série na HBO. Só não a vejo porque ODEIO ver alguma representação cinematográfica de um livro antes de conferir a obra de origem. 

Depois, passei lá na Comix — o paraíso dos mangás. Devo confessar que esse foi o local mais financeiramente perigoso da Bienal. Entrar ali era gastar dinheiro na certa. Se não me controlasse, esvaziaria os bolsos ali mesmo com tantos mangás. O que mais me angustiava era ver pessoas com uma cesta na mão lotada de mangás — deveria dar uns mil reais ali dentro, provavelmente o individuo juntara dinheiro por dois anos para seu momento sagrado. Bom, como eu nem tinja juntado dinheiro nem nada, levei só dois itens mesmo. O primeiro chama-se 1 Litro de Lágrimas, uma história baseada no diário de Aya Kitō, uma garota que sofreu de Degeneração Espinocerebelar; já rendeu até mesmo uma série de TV no Japão, e confesso, sem vergonha alguma, que nenhuma história me fez chorar tanto quanto essa. O segundo não foi um mangá, mas um light novel: Death Note: Another Note; esse estava meio carinho, mas ser fã de Death Note não tem preço, rsrs.

Minha última parada foi na estande Usina das Letras para ver o Leandro Reis e adquirir os dois últimos livros da trilogia Legado Goldshine. Aproveitei que tinha levado o Filhos de Galagah e consegui a trilogia inteira autografada. Descobri que meu primeiro livro da trilogia não era como os outros, era raro, pois era de capa fosca – eu adorava ficar passando a mão sobre a capa pra sentir o relevo. Me senti como se tivesse em meu poder uma carta rara do Mewtwo, rsrs.

Já não agüentando de dor nas pernas, fui para casa. Até porque meu dinheiro tinha acabado e ficar na Bienal sem grana seria tortura. 

Retornei no dia 7, novamente com minha camisa da Umbrella (não-lavada), e não poderia ter escolhido dia pior no que dizia respeito ao público. Imaginem a cena. Sob um tempo escaldante, caminhando em direção a entrada do evento, se deparar com uma fila gigantesca de quase duas mil cabeças. Eu falei: OMG! Parecia treinamento pra fila de Rock in Rio, e o motivo para tanta gente, como se já não bastasse ser feriado, era, provavelmente, a presença do Padre Marcelo Rossi. Mas felizmente a fila andou rápido, e eu e minha família — que tinha vindo comigo —, conseguimos um atalho para entrar mais rápido. 

Logo me separei da família, que só iria visitar estandes infantis por causa das crianças, e fui me aventurar por aí. A grana nesse dia estava mais curta ainda, mas dei um passada na estande Above para encontrar a Mare Soares e a Luciane Rangel, autoras de Chantilly e Guardians, respectivamente. Em seguida, fui encontrar um colega e acabamos entrando na Comix. O que eu havia dito sobre esse lugar? Se entrasse, você saia com algo, querendo ou não. E foi o que aconteceu. Levei um mangá de Ring — O Chamado

Depois pensei em comer alguma coisa, mas ao simples vislumbre do preço do cachorro-quente decidi que seria muito mais sadio morrer de fome. 

Enfim, fui embora, e como eu já esperava, encontrei uma fila quilométrica para os ônibus. Se você não faz isso ainda, fica a dica: Não existe coisa melhor a se fazer numa fila senão ler um livro. E livro era o que não me faltava na hora, rsrs. Decidi pegar o mangá para ler e me dei conta de que havia comprado o segundo volume ao invés do primeiro — na verdade, eu tinha pensado no início que era volume único. #fail. Peguei então o Chantilly da Mare Soares e devorei metade do livro até em chegar em casa (breve posto uma resenha dele).

Eu pretendia retornar no último dia de Bienal para ver o Eduardo Sporh, mas o tempo estava meio chuvoso e o dinheiro inexistente. Acabei ficando em casa mesmo. 

Enfim, um lugar muito bacana. Na próxima vez, com certeza eu irei mais dias, quem sabe, como escritor. *—*

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Resenha: "Guerra das Sombras — O Livro de Ariela" de Jorge Tavares


 

Editora: Novo Século
Lançamento: 2007
Páginas: 352
Sinopse: O segundo dos quatro livros é narrado pela princesa de Delon, Ariela Delonien. A história passa-se cerca de doze anos após "O Livro de Dinaer". A Princesa acompanha Rairom numa misteriosa jornada através da Península Oreânica, em direção às Montanhas Queialiam. O desenrolar dessa aventura, bem como suas relevantes conseqüências formam o principal foco narrativo de "O Livro de Ariela". "O Livro de Ariela" é sobre Rairom Guenor e seu destino. Muito é definido nesse volume surpreendente.







Resenha  



O segundo capítulo da tetralogia de Jorge Tavares nos apresenta um novo ponto de vista narrativo, o da princesa Ariela, muito destoante com a narração de Dinaer — narrador no primeiro volume. Essa disparidade entre um narrador “humano”, como Ariela, e um narrador “divino”, como Dinaer, acaba por mudar o ritmo deste segundo livro em relação ao seu antecessor. Se Dinaer era uma figura forte que nos deixava apreensivos relatando a história, tendo um contato direito com o escolhido (Rairon Guernor), de modo que quase toda a trama focava-se neste personagem, Ariela peca justamente em dividir os eventos com outros personagens e abstrair o protagonista em longos momentos do livro. Obviamente que não seria possível acompanhá-lo em quase toda a trama, porém, criou-se um pouco de angústia em saber acerca das demais cenas com Rairon que aparentavam ter grande importância. Em contrapartida, foi muito bom para a história revelar outras figuras importantes, sobretudo, os líderes de cidades e países. Aliás, o teor de cenas políticas no Livro de Ariela é bem mais denso que o antecessor. Jorge Tavares, usufruindo de seus conhecimentos como diplomata, refinou as cenas de uma maneira bastante qualificativa. 

Algo apresentado neste segundo volume e que não teve no primeiro, foi a utilização de uma mapa para guiar o leitor tanto na jornada empreitada por Rairon, Laqueu e Ariella, quanto para a melhor visualização do panorama belicoso em que se achava a Península Oreânica. Embora não tenha tido o mesmo ritmo e empolgação a cada capítulo com ocorreu no Livro de Dinaer, esta obra possui altos e baixos: algumas cenas fizeram realmente a história avançar, já outras serviram apenas para preencher com algo mais. 

Uma outra questão menor neste volume foram os poucos momentos de cenas com magia, ressalvo as ocasiões em que Rairon fazia alguns truques aqui e ali — e um magnânimo espetáculo na guerra que ocorre ao final do livro —, os momentos giraram em torno muito das apreensões de Ariela a respeito do que seria o certo ou errado a se fazer a respeito do escolhido, além das cenas políticas que tomaram boa parte da história na segunda metade do livro.

Além do deus Dinaer, já conhecido, é revelado outras divindades que enriquecem ainda mais a história, e o enredo da Guerra das Sombras, pelo menos dentro desse contexto divino, começa a tomar uma forma mais ampla. 

É interessante notar também a evolução de Rairon, que se tornou um Mago muito forte desde os fatídicos acontecimentos ocorridos no primeiro livro. Infelizmente, como a história se passa muitos anos depois do fim do volume anterior, alguns eventos ficaram nebulosos e a leitura um pouco perdida. Acredito que essas lacunas de incompreensão sejam preenchidas no volume seguinte O Livro de Laios, que contará a respeito de eventos anteriores ao Livro de Ariela

Embora O Livro de Dinaer tenha sido melhor, este segundo volume proporcionou um empolgante e inesperado final, que certamente, fará o leitor ansioso para o próximo episódio da saga. 

O autor tem um site muito interessante sobre a série. Para saber mais, acesse: