Hoho! Vamos então para o resultado do primeiro sorteio deste blog. Tivemos poucos inscritos, menos do que eu esperava. Deveria ter anunciado a promoção desde o início de dezembro, mas devido a forças maiores( entende-se como pressionado em final de semestre de faculdade), não o fiz. De qualquer forma, todo Natal farei sorteio de um ou mais livros - vai depender se estarei ou não em novas antologias (risos).
Chega de conversa. O ganhador(a) foi...
Sara Plens Correa!
Parabéns! :D
Enviarei um email e você terá 1 semana para respondê-lo, caso contrário, será realizado um novo sorteio.
É isso, feliz Natal a todos! ^^
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domingo, 25 de dezembro de 2011
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Onde estão os leitores? "Literatura em perigo"— parte 1
A visão que os livros detêm na
maioria das pessoas de nosso país é um assunto que me deixa inquieto. Não é
incomum ouvirmos alguém dizer “eu odeio livros!”, uma lamentável frase que pesa
no coração de qualquer leitor. Embora
não pareça, creio que a culpa para a existência significativa de uma visão como
essa não resida totalmente naquele que diz uma frase assim, pelo contrário,
este indivíduo tem a menor parcela de culpa, que está em maior parte na maneira
de como os livros lhe foram apresentados.
Meu objetivo com essa série de
postagens é levantar alguns pontos relacionados à baixa formação de leitores,
provendo-me de experiências pessoais e de minhas impressões do mais recente
livro de Tzvetan Todorov intitulado “A Literatura em Perigo”.
Pessoas que pronunciam frases repugnantes como ilustrei acima há aos montes por aí, enxergam os livros como um objeto bizarro, de outro mundo. É muito engraçado também observar como algumas pessoas se comportam quando nós, leitores, estamos com um livro na mão: somos rotulados como criaturas estranhas, mas reconhecidas intelectualmente. Ora, bolas! Só porque estamos lendo um livro significa que somos mega inteligentes? Uma pena, pois a leitura deveria ser uma atividade mais do que comum na sociedade, e a realidade mostra que ela é uma raridade.
Pessoas que pronunciam frases repugnantes como ilustrei acima há aos montes por aí, enxergam os livros como um objeto bizarro, de outro mundo. É muito engraçado também observar como algumas pessoas se comportam quando nós, leitores, estamos com um livro na mão: somos rotulados como criaturas estranhas, mas reconhecidas intelectualmente. Ora, bolas! Só porque estamos lendo um livro significa que somos mega inteligentes? Uma pena, pois a leitura deveria ser uma atividade mais do que comum na sociedade, e a realidade mostra que ela é uma raridade.
Que o Brasil não é um país de
leitores, isso todo mundo já sabe. E se alguém realmente dúvida dessa infâmia
literária que nossa nação ostenta, sugiro que realize uma pesquisa para
mensurar o número de leitores na sua vizinhança, no seu bairro, na sua escola
ou no seu trabalho, enfim, em qualquer grupo, e verifique quantos amantes da
leitura irá encontrar. Geralmente poucos; na melhor das hipóteses, sendo esta
escassa, muitos; e não raro de acontecer, quase nenhum.
Poderia citar diversos motivos
para a configuração deste quadro que variam desde o analfabetismo às baixas
condições financeiras da população em adquirir um livro (embora haja
bibliotecas públicas, que nem chegam onde deveria chegar, para deter esse
empecilho), mas o cerne do problema, e aposto que se sanado poderia amenizar
todos aqueles agravantes, não é nada senão o desinteresse pela leitura. Ora, do
que adianta a construção de bibliotecas e livrarias lá e cá se a própria pessoa
não se interessa em freqüentar esses locais? Interesse. É apenas isso o que
está faltando na formação de um leitor.
Como lidar com isso? Bom, vamos por partes.
Em se tratando de leitores
infantis, acredito que tal incentivo deveria vir não apenas da escola como
também de casa, ou seja, os pais, na formação educacional de seus filhos,
deveriam incluir os livros nessa educação, o que muitos poucos fazem, pois
certamente nem mesmo estes pais são leitores. O incrível é que esse estímulo
poderia se resumir a uma tarefa bem simples como incluir um livro ilustrado no
pacote de presentes que a criança recebe; tenho certeza que não vai doer trocar
um conjuntinho bonitinho de roupa, ou um par de tênis, ou um brinquedo de marca, ou um joguinho de videogame, ou até mesmo aqueles lanches caríssimos, por um
livro. Uma maneira bem eficaz também é ler para a criança antes
dela dormir. Mas acho que é bem mais conveniente e menos trabalhoso aos pais
deixarem a televisão ligada em desenhos animados que ela adormece bem rapidinho,
né?
Contando um pouco de minha
experiência inicial com a leitura, lembro-me que ganhei uma pilha de quase cem
livros infantis. “Que maravilha!”, é o que muitos podem pensar. Houve, porém,
uma hesitação de minha parte em abri-los e folheá-los. Uma coisa é você dar um
livro a uma criança, outra é você mostrá-lo a ela, pois não são todas que irão
criar espontaneidade para entrarem de cabeça nas páginas de uma história.
Felizmente, um desses livros, e me lembro do personagem até hoje, me fez tomar
gosto. Maneco Caneco Chapéu de Funil é uma de minhas leituras
infantis preferidas. Eu devo mencionar também um grosso livro reunindo diversos
contos de fadas que perdi a conta de quantas vezes eu o li — adoro Hansel e
Gretel (João e Maria). Li também uma série chamada "Salve-se quem puder", formada por histórias de mistério em que no final de cada capítulo era feita uma pergunta ao leitor relacionada a ilustração da página; era muito divertido. E não posso também deixar de ressaltar os gibis da Turma
da Mônica que fizeram TODA a diferença em meu hábito de leitura. É uma pena que
as pessoas não percebem a importância das HQs como leitura, fato que deveria
ser explorado até mesmo nas escolas ao lado dos livros.
Acredito que assim que uma pessoa
termina de ler um livro — e entenda-se “ler” como uma ação de resultado
prazeroso, ou seja, leitura como prazer —, cria-se um estímulo natural para
mergulhar num próximo livro. O problema é que se não houver um estímulo do
meio, essa pequena chama que o primeiro livro acendeu se apagará, e será muito
difícil então para o leitor voltar a acendê-la. É necessário que essa chama
mantenha-se sempre acesa, não importa o quão forte seja a brisa que intente
extingui-la. Portanto, a leitura como atividade freqüente é uma condição
necessária para a formação de um leitor. A dificuldade, porém, é manter essa
atividade como ininterrupta.
Logo, se o estímulo não vem de
casa, resta à escola combater essa falha. Infelizmente, a intervenção escolar a
piora ainda mais.
Nos primeiros anos escolares, até
que ocorre um incentivo à leitura, pois os professores levam a criança a
conhecer os mundos que os livros despertam. É realmente prazeroso ler e se
emocionar com uma historinha querendo saber o que vai acontecer com tal
personagem e como tal historinha vai terminar. Há algumas semanas fui no lançamento de uma escritora de apenas 10 anos. Isso mesmo... 10 anos! Óbvio que o lançamento ocorreu por incentivo da própria escola que viu na garota um ávido desejo pelos livros, mas o que gostaria de destacar é o amor que ela e os amiguinhos dela demonstraram pela leitura. Não seria bom se todas as nossas crianças compartilhassem deste mesmo amor? Sim, seria um sonho, e, na verdade, é o que realmente é: um sonho.
Mas não estamos vivendo num pesadelo. Devemos acreditar no potencial dos leitores infantis e fazê-lo despertar antes que seja tarde demais. Por que será tarde demais? Bom, certamente qualquer pessoa em qualquer idade pode embarcar num navio para o mundo da literatura, mas elas nunca irão embarcar se não as guiarmos até o porto. É bom não deixá-las se afastarem demais ou será ainda mais difícil mostrar o caminho a elas. Explicando a metáfora, há inúmeras coisas que despertam a atenção em nossa sociedade. Falando das crianças, temos os video-games, os desenhos animados, os brinquedos, as brincadeiras... mas e os livros? Muita gente esquece de acrescentar este último item a essa lista, e quando ele é finalmente apresentado, talvez lá na adolescência, possa ocorrer um pouco de estranhamento. Imaginemos que esse adolescente já não possua uma bagagem de literatura infantil, então nem faz ideia do que um livro pode fazer. É nesse ponto que a questão começa a se tornar crítica. A literatura infanto-juvenil tem uma função vital na formação do leitor, mas o que poderia ser algo simples, acaba se complicando.
Mas não estamos vivendo num pesadelo. Devemos acreditar no potencial dos leitores infantis e fazê-lo despertar antes que seja tarde demais. Por que será tarde demais? Bom, certamente qualquer pessoa em qualquer idade pode embarcar num navio para o mundo da literatura, mas elas nunca irão embarcar se não as guiarmos até o porto. É bom não deixá-las se afastarem demais ou será ainda mais difícil mostrar o caminho a elas. Explicando a metáfora, há inúmeras coisas que despertam a atenção em nossa sociedade. Falando das crianças, temos os video-games, os desenhos animados, os brinquedos, as brincadeiras... mas e os livros? Muita gente esquece de acrescentar este último item a essa lista, e quando ele é finalmente apresentado, talvez lá na adolescência, possa ocorrer um pouco de estranhamento. Imaginemos que esse adolescente já não possua uma bagagem de literatura infantil, então nem faz ideia do que um livro pode fazer. É nesse ponto que a questão começa a se tornar crítica. A literatura infanto-juvenil tem uma função vital na formação do leitor, mas o que poderia ser algo simples, acaba se complicando.
Na próxima parte dessa postagem
tentarei aventar algumas questões envolvendo a forma como a Literatura é
ensinada nas escolas respaldando-me nos argumentos do Todorov.
Se, por ventura, quiserem acrescentar algo a discussão, não deixem de comentar. ;)
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Se, por ventura, quiserem acrescentar algo a discussão, não deixem de comentar. ;)
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sábado, 17 de dezembro de 2011
Conto: Realidade imaginária
Faz um bom tempo que não posto nenhuma
história nova por aqui. Melhor dizendo, eu praticamente NÃO posto nenhuma história
no blog, rsrs. Por esse motivo estou começando a escrever alguns contos que
serão postados regularmente. O objetivo é libertar um pouco minha escrita e
extravasar ideias que ficam de molho por causa da total dedicação ao meu
livro. Então acho que já é hora de agitar um pouquinho as coisas. Boa leitura.
Realidade imaginária
As mãos e os dedos trabalhavam animando
os objetos.
Aos olhos de um adulto, mero e fútil
costume, esquecido e largado em lembranças passadas mantidas apenas para
completar seu perfil quando referente aos primeiros anos de sua vida. Tais
objetos não eram nada menos que o despertar de um saudosismo emaranhado em
memórias empoeiradas que a pessoa adulta não acredita serem mais úteis.
Bonecos.
Brinquedos que muitos, com certeza, subestimam o quanto podem fazer, não só para
a mente humana, mas também ao espírito. E isso só os adultos mais atentos, bem
poucos, e as crianças, todas elas, sabem muito bem.
Dentre
essas crianças, um singelo menino chamado Mateus, de cabelos escuros e ralos,
via com seus olhos castanhos sua mão mexer os finos braços de um boneco – era
um homem de terno e gravata de cabelos amarronzados e barba bem feita. Além
deste, havia outros bonecos, bem distintos, dispersados pelo chão gelado que
parecia não incomodar os joelhos do garoto. Sua mente estava tão atarefada com
algo de suma importância que uma simples indisposição de temperatura era
insignificante; poderia estar ajoelhado num lago congelado que não iria se
incomodar. Nenhuma inconveniência no mundo lhe privaria de sua brincadeira.
Ninguém
além do próprio Mateus poderia descrever o que se passava em sua cabeça
enquanto os bonecos, em algum mundo fora da realidade e existente apenas dentro
de sua mente, ganhavam vida e montavam o que poderíamos chamar de uma história.
Sim, uma história… criada pela imaginação fértil do menino, e nenhum adulto poderia
fazer melhor. Afinal, adultos se preocupam com coisas “mais importantes” do que
sentar e brincar com bonecos, se preocupam com a realidade, e somente esta
importa.
Por
isso Mateus aproveitava cada segundo de sua brincadeira. Ele era o limiar entre
a fantasia e a realidade, um ser fantástico que conseguia unir objetos
concretos e jogá-los num plano surreal, fazendo uma rica, misteriosa e
fascinante mistura de dimensões que somente a imaginação de uma criança seria
capaz de executar.
Porém,
Mateus conseguia ir mais além. De alguma forma, por mais que o seu brincar
fosse habitual a um garoto de sete anos, ele conseguia transcender os limites
da imaginação de uma criança comum. Ele era especial.
Suas
brincadeiras eram vívidas, e mesmo sozinho no quarto onde apenas habitava uma
cama, um guarda-roupa e estantes com dezenas de bonecos, ele conseguia fazer
daquele recinto um mundo tão impressionante quanto à realidade.
Na
sala da casa de Mateus, havia um casal adulto acomodado no sofá, olhando para a
TV e esboçando sorrisos mordazes de satisfação. Era noticiada a morte de um
político de cabelos amarronzados — sempre andava de terno e gravata e com barba
bem aparada — assassinado por alguém desconhecido.
— Menos um — disse a mulher com uma
risadinha.
— Sim, no entanto, ainda falta um. E
com este último fora do caminho, serão plenas as chances de ganhar a eleição —
falou o homem com uma voz confiante. — Não há como eles relacionarem todas
essas mortes a mim. Foram fatalidades, lamentosos acidentes.
O casal aprumou-se e se dirigiu a um
quarto da casa. Chegando lá, foi revelada uma criança que brincava
distraidamente com seus bonecos, e que cessou seu divertimento quando os dois adentraram
no recinto.
— Muito bem, Mateus. Você é um bom
garoto — falou o homem e, em seguida, abriu a mão expondo um boneco masculino vestido
socialmente. — Veja. Entrará um novo personagem em seu mundo. Sabe quais são as
regras para brincar com ele. Eu o ensinei como vive uma personagem político.
Então... quero que o mate. Morte acidental como de praxe. Um acidente de carro,
de avião, helicóptero, ou até mesmo um problema de saúde, eu não sei. Faça o
que sabe fazer melhor: use sua imaginação.
E terminando com um sorriso afetado,
ele e a mulher saíram do quarto. Mateus regressou novamente a solidão de seu
universo, segurando um novo componente em sua mão. Sentiu-se triste. Já estava
cansado daquilo. Por mais que seu mundo imaginário fosse divertido, uma
crescente melancolia se apoderava dele. Não era isso o que ele realmente
queria. Carecia de algo muito importante para sua felicidade.
Mateus pegou um DVD de um filme
infantil e o colocou no aparelho. Apagou a luz do quarto como gostava de fazer
para assistir TV (mesmo que só lhe fosse permitido assistir programas infantis
ou recomendado pelos pais). Sentado no chão, pôs-se a observar cenas onde
muitas crianças brincavam juntas. Uma lágrima escorreu.
— Eu quero amigos.
Pelo o que lhe contaram fora
abandonado, recém-nascido, na porta de um orfanato. Poucos meses depois,
adotado pelas pessoas que cuidam dele até hoje. Não sabia o motivo, mas seus
pais não gostavam que se aproximasse de outras crianças. Ele não entendia o
porquê, e toda vez que perguntava, diziam que ele podia se divertir com os bonecos,
o que era uma verdade, pois realmente ele se divertia, mas por outro lado, não
queria apenas aquilo, queria abrir suas asas para outros afazeres.
— Por quê? Porque não posso ser como os
outros? — indagou-se, soturno. Pouco a pouco, seu rosto inclinou-se para
derramar mais lamúrias. — Eu quero encontrar personagens reais, e não criá-los.
Quero ser um personagem do mundo real, e não o criador de um fantasioso. Quero
estar com outras crianças ao meu lado. Quero saber o que é verdadeiramente ser
amigo de alguém.
Ele não conseguiu mais falar,
permitindo que seu pranto tomasse conta daquele momento. A solidão era
lancinante, e somente ele tinha total idéia do quanto sozinho se encontrava.
Exilado num espaço negro onde não havia ninguém além de pessoas que se intitulavam
seus pais, que concediam brinquedos para preencher o vazio dentro dele. Mas o
vazio só aumentava, e a cada expansão, uma dor ininteligível era sentida. A dor
de estar desamparado.
— Não chore — soou a voz de um menino.
Mateus, assustado, procurou pela
criança e viu, ao lado da porta, um garoto da sua idade se aproximando.
Parecia-lhe familiar. A imagem dele não soava nem um pouco estranha, como se o
conhecesse de algum lugar. Entretanto, teve que perguntar:
— Quem é você?
— Quem sou eu? Ora, sou seu amigo —
disse o garoto, sorrindo. — Eu sou Michel. Prazer em conhecê-lo.
Mateus estava com a boca entreaberta,
ainda admirando o menino adiante. Não sabia como e porque, mas algo começou a
adolescer dentro dele. Não era a sensação oca que tanto lhe afligia, muito pelo
contrário, era transparente, permitindo que uma luz de sentimentos que se
encontravam enfurnados atravessasse e se dispersasse por todo o seu espírito, preenchendo-o
com uma inusitada dose de felicidade e bem-estar.
As lágrimas voltaram a cair, não por
solidão, e sim por alegria. Ele molhou os lábios e perguntou ansioso àquele que
podia chamar de amigo.
— Vamos brincar?
Este era o maior desejo de Mateus:
encontrar um amigo e aproveitar tudo o que uma amizade como essa poderia lhe
desfrutar.
— Sim — respondeu Michel. — Mas Mateus,
você não tem vontade de descobrir algo muito melhor que ter amigos?
— Algo melhor que amigos? — indagou o
menino. Não esperava uma pergunta dessas. — O que pode ser melhor que amizade?
— Olhe com atenção. Eu vou brincar com
você desta vez, e daqui a algum tempo você entenderá — disse Michel, mostrando
três novos bonecos.
Através
da janela do carro, Mateus observava a paisagem rural meio apagada pelo entardecer
nublado. O pai mantinha a atenção na estrada de pouco movimento, a mãe lia
revistas de beleza no banco do carona, e o filho adotado permanecia quieto no
banco de trás. A criança apenas se lembrava de sua última brincadeira, ouvindo
a voz de Michel devaneando com seus bonecos.
“Três
pessoas estão dentro de um carro que percorre uma estrada ao fim de tarde. Um
casal e seu filho adotivo.”
O
silêncio da viagem foi quebrado por um assunto ali e outro aqui, e em poucos
instantes os pais já estavam duelando verbalmente. Mateus já se acostumara a
ouvir a discussão de seus pais. Os assuntos variavam: dinheiro, traição,
viagens e outras coisas do tipo.
“O
casal começou a discutir e a criança não ligou. Era comum vindo de seus pais.
Porém, desta vez, tudo sairia diferente. Enquanto o casal permanecia concentrado
na discussão cada vez mais frenética, o homem, que dirigia o veiculo, não viu
um enorme bloco de concreto, quase da metade do tamanho de um carro, parado na
estrada.”
O veículo não freou a tempo e chocou-se
com o bloco. Capotou na estrada várias vezes, em alta velocidade. Sua lataria
ficou completamente amassada e irreconhecível. Quem visse aquela cena com
certeza diria que ninguém sobreviveria.
“Um
trágico acidente, mas olhe, alguém sobreviveu: uma criança.”
Mateus saiu do carro estraçalhado sem nenhum
ferimento. Não havia ninguém na estrada, tudo estava na mais completa escuridão
e silêncio. Olhou para o carro e soube que seus pais estavam lá dentro, mortos,
mas nada sentiu por eles. Um sorriso malicioso brotou de seus lábios.
— Então era isso.
Mateus finalmente compreendeu o motivo
de seus pais lhe deixarem num quarto a maioria das vezes, o motivo de não
deixá-lo se aproximarem das outras crianças. Então todo o significado da sua
vida veio até ele. Ele tinha que ficar sozinho para manipular seu poder, caso
contrário, não funcionaria. E também não podiam descobrir seu misterioso dom. O
mundo criado em sua mente usando os bonecos afetava o mundo real: se alguém
morria nele, o mesmo ocorreria no real. Sua imaginação transcendia a realidade.
Michel era, na verdade, um amigo
imaginário criado para abrandar sua solidão. Ele existia apenas na cabeça dele.
“E
então, o menino percebeu algo muito intrigante. E uma grande mudança marcou
aquele momento.”
— Que interessante — disse Mateus, tirando
um carrinho do bolso e apertando-o na mão. Agachou-se no asfalto e começou a
brincar. Então, imaginou o carrinho amassado e bradou: — BOOM!
O carro capotado adiante explodiu e
voou metros no ar. Mateus observou, fascinado, o veiculo em chamas cair no
campo ao lado da estrada.
— Eu sempre fui sozinho e não será
agora que mudarei isso.
Acostumado à solidão, deixou que ela
lhe abraçasse, e a ciência de seu poder lhe fez se tornar uma pessoa completa.
Nada estava faltando, nem mesmo a infância que idealizara. Não permitiria que
ninguém além dele editasse os eventos de suas criações imaginárias. Dessa vez,
ele imaginaria seu mundo a seu modo, ele mesmo mudaria a realidade.
— Será divertido brincar com as
pessoas.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Resenha "Nerdquest" de Pedro Vieira
Olhando livros de um real no sebo do corredor da faculdade, deparei-me de repente com uma capa que destoava completamente das demais, e não apenas a "casca" do livro era diferente, mas seu título era bastante incomum: Nerdquest. Sem dúvida, uma ovelha negra numa estante abarrotada de livros de poesias, contos e pequenos romances com tendências mais realistas, embora esse livro de capa pitoresca também seja uma história realista, mas com um toque de...hm... "nerdice". Sim, essa é a palavra. Na hora pensei: um livro para nerds. Brilhante!
Antes de mais nada, o que seria um nerd? Vamos abusar do Wikipédia. "Nerd é um termo que descreve, de forma estereotipada, muitas vezes com conotação depreciativa, uma pessoa que exerce intensas atividades intelectuais, que são consideradas inadequadas para a sua idade, em detrimento de outras atividades mais populares. Por essa razão, um nerd muitas vezes não participa de atividades físicas e é considerado um solitário pelas pessoas. Pode descrever uma pessoa que tenha dificuldades de integração social e seja atrapalhada, mas que nutre grande fascínio por conhecimento ou tecnologia." Não leve uma definição como essa escrita em pedra, definir um nerd é uma indefinição por si só. Bom, nem eu compreendi bem o paradoxo que fiz agora, coisa de nerd, hehe. Mas para ser mais direto, há algumas palavras-chaves que funcionam como marcas de nerdice: informática, games, literatura, HQs, música(não está incluso funk; se algum Nerd gosta de funk ele abraçou o Lado Sombrio. Está incluso aqui o rock, perfeito para desenvolver nossa Força.), animes, RPG, seriados de TV, e por aí vai. Observação: Star Trek e Star Wars não são requisitos obrigatórios. Engraçado que se você procurar "nerd" no Google images vai aparecer homens feios com óculos gigantes. Malditos estereótipos, nem todo nerd é feio e/ou são quatro olhos.
Antes de mais nada, o que seria um nerd? Vamos abusar do Wikipédia. "Nerd é um termo que descreve, de forma estereotipada, muitas vezes com conotação depreciativa, uma pessoa que exerce intensas atividades intelectuais, que são consideradas inadequadas para a sua idade, em detrimento de outras atividades mais populares. Por essa razão, um nerd muitas vezes não participa de atividades físicas e é considerado um solitário pelas pessoas. Pode descrever uma pessoa que tenha dificuldades de integração social e seja atrapalhada, mas que nutre grande fascínio por conhecimento ou tecnologia." Não leve uma definição como essa escrita em pedra, definir um nerd é uma indefinição por si só. Bom, nem eu compreendi bem o paradoxo que fiz agora, coisa de nerd, hehe. Mas para ser mais direto, há algumas palavras-chaves que funcionam como marcas de nerdice: informática, games, literatura, HQs, música(não está incluso funk; se algum Nerd gosta de funk ele abraçou o Lado Sombrio. Está incluso aqui o rock, perfeito para desenvolver nossa Força.), animes, RPG, seriados de TV, e por aí vai. Observação: Star Trek e Star Wars não são requisitos obrigatórios. Engraçado que se você procurar "nerd" no Google images vai aparecer homens feios com óculos gigantes. Malditos estereótipos, nem todo nerd é feio e/ou são quatro olhos.
A princípio, meu desejo de ler o livro era puramente para divertir meu lado nerd, mas assim que o folheei e li o começo do primeiro capítulo, vi que era uma leitura extremamente recomendada a mim. Como estudante no Fundão, simpatizei com esses trechos, hehe.
A sensação do Fundão ficando para trás sempre era agradável, mas aquele dia parecia diferente. Havia um engarrafamento na Linha Vermelha, mas Lucas e Marcos estavam tão acostumados que nenhum deles sequer soltou algum palavrão.
Um vendedor de coca-cola e biscoito Globo circulava entre os carros irremediavelmente presos no trãnsito congestionado.- Basta um engarrafamento pra esses vendedores ambulantes brotarem do chão. Acho que eles são gerados por abiogênese. Geração espontânea, essas merdas. Quando mais de dez carros ficam parados juntos por muito tempo na Linha Vermelha, eles germinam do asfalto. Surreal. - comentou Marcos.
NERDQUEST
Autor: Pedro Vieira
Editora: 7Letras
Lançamento: 2008
Páginas: 104
Sinopse: Com um texto leve e saboroso, recheado de referências pop
(quadrinhos,role-playing games, literatura, séries de tv, videogames,
desenhos animados, cinema e – principalmente – música), Nerdquest
apresenta um retrato bem particular de uma geração nascida e criada em
plena era digital.
Os protagonistas são jovens fãs de música alternativa e cultura pop "descartável" – o estereótipo nerd encarnado –, divididos entre o universo virtual dos jogos de rpg e os desafios reais do mundo adulto.
Lucas, recém-saído da faculdade e sem perspectivas profissionais, tem que reavaliar suas prioridades e seus hobbies "nocivos" frente ao desafio de "amadurecer" (ou o que quer que isso signifique), enfrentando os dilemas amorosos e as crises existenciais típicas da juventude – aqui apresentados sempre com muita ironia e bom humor.
Os jovens do século XXI (de todas as idades) irão se encontrar nessas páginas, e com certeza vão se divertir com as aventuras de Lucas e seus companheiros, nesta jornada sem fim pelos mundos da vida real.
Os protagonistas são jovens fãs de música alternativa e cultura pop "descartável" – o estereótipo nerd encarnado –, divididos entre o universo virtual dos jogos de rpg e os desafios reais do mundo adulto.
Lucas, recém-saído da faculdade e sem perspectivas profissionais, tem que reavaliar suas prioridades e seus hobbies "nocivos" frente ao desafio de "amadurecer" (ou o que quer que isso signifique), enfrentando os dilemas amorosos e as crises existenciais típicas da juventude – aqui apresentados sempre com muita ironia e bom humor.
Os jovens do século XXI (de todas as idades) irão se encontrar nessas páginas, e com certeza vão se divertir com as aventuras de Lucas e seus companheiros, nesta jornada sem fim pelos mundos da vida real.
Os capítulos são curtos e intitulados com o nome de músicas de conhecidas bandas de rock. Certo, eu só reconheci umas três. Essa parte do rock não é bem pra mim. Mas foi uma ideia bem interessante nomear os capítulos dessa maneira, só não sei afirmar se os nomes condizem com o conteúdo dos capítulos; provavelmente sim.
A narrativa leve, sem muitas descrições é objetiva: uma escrita acertada tendo em vista o desenvolvimento da história. Em algumas ocasiões, até surgem alguns vocábulos mais rebuscados daqueles que só passamos a conhecer na faculdade, mas nada que dificulte a leitura. Um detalhe que vale ser mencionado também é a linguagem coloquial dos personagens, jovens por volta dos 20 anos mal saídos da faculdade. Portanto, há presença frequentes de palavrões, e isso é muito bom, pois torna o livro ainda mais verossimilhante.
É salutar lembrar que esse não é um livro para qualquer pessoa, e sim para nerds, pois somente sendo um para entender todas as referências na história. É como você tentar assistir The Big Bang Theory e não entender nem 10% das piadas. Mas nem eu entendi todas as passagens do Nerdquest, principalmente envolvendo músicas. Além desta, o RPG e os HQ's são marcas bem recorrentes na história.
- Ih, Marcos, somou quanto aí? Nove? Morreu - interrompeu Jorge.- Como assim morri? Porra! Você não pode me matar no primeiro round do combate? - protestou Marcos.- Calma, próxima rodada eu mando um raise dead e ressucito você - disse Alemão, que jogava sério.
Como sou o nerd que tem um pendor pela literatura, eis uma passagem interessante. Fiz uma resenha desse livro aqui.
Como foi a dinãmica de grupo? - perguntou Jorge, quando Lucas passou no sebo.- Uma bosta. Eu disse na frente de todo mundo que só acreditaria em uma organização que seguisse os moldes da civilização de Admirável Mundo Novo. E só se eu fosse nível alpha.- Que merda. Acho que você foi eliminado.- Nem. Ninguém lá tinha lido o livro, minha colocação irônica passou em branco. Aí a psicóloga disse que eu estava sendo pedante e tirando onda de intelectual.
A temática do livro gira muito nas cobranças da sociedade para que você se adeque a ela. Lucas, o protagonista do tipo nerd, ou seja, um rapaz com hobbies geralmente malquistos pelas pessoas consideradas "normais", sofre com essa mudança de perspectiva das coisas. Sua vida é obrigada a mudar frente as cobranças dos pais, da namorada, de toda a sociedade que procura encaixá-lo como um cidadão necessário. A questão é que sendo forçado a isso, Lucas vai abandonando quem ele realmente é, aquelas coisas que o definiram ao longo da vida simplesmente para "amadurecer" diante da realidade. Isso é bem bacana de observar no livro, essa luta do protagonista em resistir a essas implicações e descobrir que é possível sim equilibrar os dois lados. É justamente isso que faz esse livro um Nerdquest.
Sinceramente, foi uma de minhas melhores leituras do ano. Saboroso, divertido, com leves cutucadas críticas a sociedade, eu recomendo esse livro a todos os nerds como eu.
P.s: A imagem no início do post é do Jovem Nerd. Ótimo site de conteúdo nerd. ;D
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Sorteio de Natal - Histórias Fantásticas Vol.1
Presente de Natal, pessoal! Trata-se do sorteio da antologia Histórias Fantásticas Vol.1 da editora Cidadela: minha primeira participação em antologias com o conto Após a Densa Neblina.
O ganhador levará um exemplar autografado. ;D
O ganhador levará um exemplar autografado. ;D
Para participar, basta seguir estas duas regrinhas e você estará automaticamente concorrendo com um ponto no sorteio.
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- Divulgue o link dessa postagem (link) com a seguinte mensagem: "O blog do LuizDreamhope está sorteando um exemplar da antologia Histórias Fantásticas".
- Será permitido apenas 1 divulgação por dia.
- Não se esqueça de preencher novamente o formulário colando o link da atualização de status no local indicado. Para ter esse link basta clicar sobre o tempo decorrido após a atualização. Ex: há 20 minutos.
- Divulgou a promoção em alguma postagem no seu blog? Preencha o formulário novamente e cole o link de divulgação no local indicado.
OBSERVAÇÃO: Se você por acaso optar por
mais de um dos meios de divulgação expostos acima, não preencha os links de
divulgação de uma só vez. Por exemplo, divulgou no twitter e comentou
no blog: Primeiramente preencha somente os campos obrigatórios para ganhar o
primeiro ponto; em seguida, preencha-os novamente mais o link de divulgação do
twitter; e por fim, o campo com o comentário no blog; ou seja, o formulário
será preenchido três vezes.
As inscrições
serão encerradas às 23:59h do dia 24 de Dezembro. O sorteio será
realizado pelo site RANDOM no dia seguinte. Após o sorteio, o ganhador será
notificado por email e terá um prazo de 7 dias para respondê-lo, caso
contrário, será realizado um novo sorteio. O resultado será anunciado aqui
mesmo no blog em nova postagem.
Boa sorte! =D
Qualquer dúvida, comentem. ;)
domingo, 4 de dezembro de 2011
Anime Family
Agora ninguém vai mais dizer que sou antissocial e que sou um otaku desnorteado. Resolvi tomar tendência, abandonei o status de caseiro por algumas horas, trocando a internet, escrita e videogame por alguns momentos num evento bem conhecido em relação ao animes: o Anime Family. Ok, ok, ainda sou antissocial, mas sou menos antissocial do que era ontem, rsrs.
Forever alone como sou, parti para o evento sozinho. Meu objetivo era apenas comprar uns dois volumes de mangás, umas camisas, alguns bottons e assistir uma palestra do Daniel Cavalcante - editor da Infinitum - sobre criação de personagens. Bom, é incrível a quantidade de pessoas que você encontra lá. A frase "tem maluco pra tudo" nunca foi ilustrada de forma tão enaltecida em nenhum momento da minha vida. Entretanto, era divertido ver a animação da galera.
Se a Bienal não me ensinou completamente a lição de comprar ingresso antecipado, o Anime Family reforçou isso. Não sou o tipo de pessoa que gosta de mofar numa fila monstruosa. Felizmente, uma garota me vendeu um ingresso antecipado e consegui entrar numa fila menor e aproveitar o evento mais cedo.
Foi pior que Bienal em média de dinheiro gasto por minuto. A combinação Estandes + Comix + Praça de alimentação = falência. Da próxima vez, irei me preparar para gastar, pois eu comprei vários ítens, mas sinto que teve muita coisa que deixei de levar, hehe.
A palestra do Daniel Cavalcante sobre criação de personagens foi bem legal, e se eu não tivesse chegado uma hora antes eu a perderia, pois ela começou realmente uma hora antes que o previsto, hehe. Além de falar sobre os arquétipos jungueanos, assunto que ando me interessando faz alguns meses, ele também abordou o "Arco do Personagem", um tema que ainda não ouvira falar. Basicamente é uma linha de estágios que o personagem segue na história, mais ou menos como uma evolução. No final, cada uma das pessoas da sala falou um pouco sobre seu personagem. Foi uma dinâmica bem legal. Pena que não consegui as revistinhas de Elementais T_T. Pelos menos consegui um marcador.
Acabei saindo um pouco mais cedo e acho que isso não é uma ação muito comum em se tratando de AnimeFamily. Tanto que, do lado de fora, um garoto que estava chegando me perguntou "Tu já vai?". Pensando bem, poderia ter deixado Flamengo e Vasco de lado. ¬¬ De qualquer forma, sairia de lá antes entre 4 e 6 da tarde. Do Anime Family para o Engenhão era um pulo e eu não curto ficar em meio a centenas de torcedores gritando como malucos ofensas ao time adversário.
Bom, ano que vem, acho que posso fazer um relato mais empolgante do evento.
P.S: Minhas férias estão chegando e terei tempo para me dedicar mais ao blog que andou com uma frequência de postagem muito baixa. Estou escrevendo alguns contos para em breve serem postados aqui. Próximo final de semana trago uma surpresa aos leitores. Dica: Natal. ^^






