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terça-feira, 21 de agosto de 2012

Resenha Dragões de Éter - Corações de Neve, de Raphael Draccon





Editora: Leya
Ano: 2009
Nº de páginas: 498
Sinopse: Nova Ether é um mundo protegido por poderosos avatares em forma de fadas-amazonas. Um dia, porém, cansadas das falhas dos seres racionais, algumas delas se voltaram contra as antigas raças. E assim nasceu a Era Antiga. Hoje, Arzallum, o Maior dos Reinos, tem um novo rei, e a esperada Era Nova se inicia.
Entretanto, coisas estranhas continuam a acontecer... Uma adolescente desenvolve uma iniciação mística proibida, despertando dons extraordinários que tocam nos dois lados da vida. Dois irmãos descobrem uma ligação de família com antigos laços de magia negra, que lhes são cobrados. Duas antigas sociedades secretas que deveriam estar exterminadas renascem como uma única, extremamente furiosa.
Após duas décadas preso e prestes a completar 40 anos, um ex-prisioneiro reconhecido mundialmente pelas ideias de rebeldia e divisão justa dos bens roubados de ricos entre pobres é libertado, desenterrando velhas feridas, ressentimentos entre monarcas e canções de guerra perigosas. O último príncipe de Arzallum resgata sombrios segredos familiares e enfrenta o torneio de pugilismo mais famoso do mundo, despertando na jornada poderosas forças malignas e benignas além de seu controle e compreensão.
E a tecnologia do Oriente chega de maneira devastadora ao Grande Paço, dando início a um processo que irá unir magia e ciência, modificando todo o conhecimento científico que o Ocidente imaginava possuir.
E o mundo mudará. Mais uma vez.  

Na resenha do primeiro volume desta série (Caçadores  de Bruxas), afirmei que foi um dos melhores livros de fantasia que já havia lido, daqueles que marcam nossa vida de leitura e que certamente será relido algum dia. Muito óbvio o meu avanço para segundo volume, dessa vez com uma expectativa maior, seguro de que encontraria uma história tão adorável quanto a do primeiro. Mas o que encontrei foi algo… diferente. Sim, essa é a melhor palavra que sintetiza as páginas de Corações de Neve em relação ao seu antecessor. 
O diferencial da trilogia Dragões de Éter, pelo menos até sua segunda parte, e espero que também seja assim na terceira, é ser o tipo de história que mescla entretenimento e reflexão de forma harmoniosa. O leitor curte a história, mas, ao mesmo tempo, também enxerga algo mais, algo mais profundo… algo mais espiritual. Na verdade, a “reflexão espiritual” é o charme da obra de Raphael Draccon, a meditação que toca o coração antes de subir a mente. 
A segunda e forte característica da série é o diálogo com o leitor. O próprio enredo viabiliza essa comunicação; a criação do mundo ficcional de Nova Ether é em si a nossa interação axiomática com o livro. Há determinados trechos da história que não há como fugir: o leitor REALMENTE está na cena. Afinal, na história, eu SOU um semi-deus.
Salientado o “diferente” mencionado no primeiro parágrafo da resenha, Corações de Neve apresentou algumas propriedades bem distintas. Como Caçadores de Bruxas possui um final fechado, aparentemente sem pontas soltas que obrigam o leitor a adquirir o volume seguinte para saber o desfecho de determinada trama, o segundo livro foi diferente e cheio de surpresas. No entanto, perto do final, a história resgata alguns (e imprevisíveis) detalhes do primeiro volume e ganha uma nova cara. 
Apesar de mencionado em Caçadores de Bruxas, nem me passou pela cabeça que a realização de um torneio de pugilismo se tornaria um dos focos centrais da história. E como sou um otaku (fã de animes/mangás), não há como não ficar excitado com os embates, visto que torneios são frequentes em animes de luta (embora nunca sejam finalizados graças a maldita intervenção de um antagonista com o fim de intensificar a história; mas graças ao Criador, isso não aconteceu em Nova Ether). 

 Já que mencionei o torneio, também falarei das lutas. Bem descritas e emocionantes, contudo, é obrigatório que o leitor conheça alguns golpes inerentes desse esporte para conseguir visualizar as cenas, pois o autor, se não estou enganado, as descreve apenas no livro anterior. Nada que uma “googlezada” não resolva.
Algo inesperado, porém, foi o surgimento de uma “tecnologia” não conhecida pelos personagens até então. Achei interessante esse choque entre o rústico e o moderno, uma boa metáfora de nossa sociedade contemporânea que a cada dia vislumbra novos avanços tecnológicos antes inimagináveis. 

 Os personagens do livro anterior estão de volta, dessa vez com espaço de sobra para serem explorados. E é exatamente isso o que o autor faz, até demais. O primeiro livro possui um ótimo equilíbrio entre o desenvolvimento da história e dos personagens; neste, no entanto, há uma prioridade maior para a evolução dos personagens em detrimento do ritmo da história. Apesar desse lado negativo, a maioria das figuras principais foi aproveitada da melhor forma possível. A relação entre João Hanson e Ariane Narin intensificou-se, e a evolução desse laço e suas consequências contribuem para as melhores passagens do livro. A relação fraterna  entre Axel Branford e Anísio também não fica para trás em nível de emoção. O relacionamento deste último com a princesa Branca Coração-de-Neve torna-se cativante ao fim do livro. Essa caracterização é algo interessante e satisfatório, pois é o imprescindível de qualquer série literária: evolução dos personagens.
Em contrapartida, Corações de Neve também possui um exorbitante número de novos papéis, e muitos deles superficiais, já que só serviram de “auxílio” em algumas cenas. Provavelmente um efeito colateral da forte concentração nos personagens principais. Mas se o resultado se repetir no livro seguinte, é quase certeza que os que não tiveram muito espaço nesse volume serão desenvolvidos no próximo.
É estranho que justamente quando os demais reinos e seus respectivos reis aparecem, não há aquele mapa de Nova Ether nas primeiras páginas. Certo, o leitor pode tirar seu Caçadores de Bruxas da estante e conferir onde exatamente ficam os reinos apresentados na história, mas não é a todo momento de leitura que teremos esse livro em mãos. Portanto, o mapa também deveria ter sido impresso nesse volume. 
Corações de Neve mantém algumas semelhanças com seu predecessor. A divisão do livro em três arcos, sendo o último aquele que dá nome à obra; os diversos núcleos da história que aos poucos vão se concatenando. Porém, os ganchos nos finais dos capítulos e a própria divisão das cenas já não é a mesma. Os cliffhangers foram poucos e a ansiedade para saber o que iria acontecer em seguida só funcionou algumas vezes, exceto no final da história cujo clímax possui a mesma narrativa frenética que era  frequente no primeiro livro.
As referências aos contos de fadas e a outras mitologias estão muito mais fortes nesse segundo volume. É interessante como o autor consegue trabalhar essas alusões sem parecer um “copia e cola” e ainda encaixá-los no contexto de sua história de forma que a trama de origem e a de Dragões de Éter se unam sem nada parecer forçado. 


No começo do livro paira uma atmosfera mais descontraída, algo ausente em Caçadores de Bruxas. Sem contar o ambiente e a trama mais “adolescente”, digamos assim, pois a história foca-se bastante nos personagens mais jovens e no relacionamento entre eles. E como os adolescentes de lá falam da mesma forma que os adolescentes do nosso mundo, há trechos que realmente parecem direcionados ao público bem juvenil; vez ou outra, porém, essa caracterização adolescente gera um contraste com o estilo da saga. Apesar dessa diversidade, alternando entre algo mais simples e juvenil, e algo mais maduro e sombrio, foi uma jogada perigosa e ousada do autor, mas que deu certo.
O único ponto fraco do livro são as descrições escassas, tanto dos personagens quanto dos cenários. O autor apenas pincela alguns detalhes e deixa que a própria imaginação do leitor se encarregue do resto, o que tem seu lado positivo, já que a história, como é muito grande, se torna mais objetiva e menos lenta; contudo, algumas passagens poderiam ter sido mais detalhadas. Creio que a opção pela agilidade da escrita em detrimento de algo mais descritivo seja proposital, uma vez que, como já disse nessa resenha, o leitor tem um papel fundamental na história, uma conexão mágica e quase interativa que dá ao leitor o controle daquilo que ele deseja presenciar. 
Ah, claro. Erros de revisão (alguns bobos, por sinal) continuam presentes em quase todos os livros brasileiros que leio. E, pessoalmente, isso me incomoda, e MUITO. Mas felizmente, esse problema é insignificante para um livro como Dragões de Éter, que se destaca pela sua originalidade e espirituosidade.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Os melhores animes de 2011, segundo a Animage

Há dois anos, fiz uma postagem sobre a premiação anual da revista Animage - The Anime Grand Prix - que elege os melhores animes do ano, segundo os critérios de popularidade, qualidade e influência. São contados os animes em exibição desde Junho do respectivo ano referente ao prêmio até o mesmo mês do ano seguinte. Ou seja, os melhores animes de 2011 foram aqueles exibidos entre 07/2011 à 07/2012. A Animage's Anime Grand Prix é considerada um das premiações mais importantes da indústria dos animes.

E como uma produção que assisti no começo deste ano figurou na melhor posição da lista, achei interessante trazer essa informação que deverá deixar alguns otakus bem curiosos. As categorias são: melhor anime, melhor personagem masculino, melhor personagem feminino, melhor música de abertura e melhor dublador(seyuu). Informarei aqui apenas a de:

MELHOR ANIME



1. Puella Magi Madoka Magica  
2. TIGER&BUNNY 
3. STEINS;GATE 
4. Ano Hi Mita Hana no Namae wo Bokutachi wa Mada Shiranai 
5. Fate/Zero
6. Kokuriko-Zaka Kara 
7. K-ON! Movie 
8. Mawaru Penguindrum 
9. Persona 4 The Animation 
10. Blue Exorcist 
11. SKET DANCE 
12. Natsume Yuujinchou San 
13. Toriko 
14. Mobile Suit Gundam AGE
15. Usagi Drop 
16. Hanasaku Iroha
17. Kaiji : Hakairoku-Hen 
18. THE iDOLM@STER 
19. Chihayafuru 
20. Horizon in the Middle of Nowhere
21. Hyouge Mono 
22. Guilty Crown
23. Uta no Prince-sama - Maji Love 1000%
24. Mouretsu Pirates
25. Another

Madoka é um anime shoujo (gênero que possui garotas como público-alvo), assim como Sakura Card Captors, com o diferencial de ser uma história mais madura; nada de enredos bobos e previsíveis, e sim algo diferente e complexo, interessando tanto o público masculino quanto o feminino. Não estou nada surpreso que o anime tenha desbancado a primeira colocação, pois realmente foi um dos melhores que já vi desde Code Geass e FullMetal Alchemist Brotherhood. Talvez eu ressuscite aquela série de postagens em que indico bons animes com a série Madoka, que é muito curta, apenas 12 episódios (sem contar o filme que deverá sair em 2013), mas sensacional.

Fate/Zero e K-ON são dois animes que já ouvi falarem muito bem e estão na minha lista para assistir. Mas como essa lista anda saturada, não irei conferi-los tão cedo.

Persona 4: The Animation (foto ao lado) é baseado num jogo de RPG, talvez um dos melhores do gênero para playstation 2, e provavelmente (apesar de ainda não tê-lo visto) a melhor adaptação de um jogo para um anime. Somente o fato de estar nessa lista já garante sua qualidade. Aliás, comecei a jogar Persona 4 faz algumas semanas e simplesmente estou adorando. Certamente verei o anime assim que zerar o jogo, o que deve demorar alguns meses(rsrs), e farei uma postagem sobre ele. 

Diferentemente das temporadas anteriores, a série Gundam amargou um décimo quarto lugar com AGE. É realmente  uma pena ver que um série tão renomada não tenha demonstrado as qualidades de Gundam Seed, Seed Destiny e 00 (todos esses três garantiram a primeira colocação em seus respectivos anos de exibição), e só pra constar, sou um fã de Gundam.

E falando em fãs, se algum "fanboy" estiver se perguntando onde estão as séries shounens de maior sucesso dos últimos anos ( Naruto e - principalmente - One Piece), lamento dizer que seus animes não são grande coisa. Como assisto Naruto, posso afirmar que o anime merece estar no máximo da quadragésima posição em diante, e não estou dizendo que a história é ruim, e sim a adaptação que é recheada de cenas enfadonhas e fillers muito ruins. O mesmo vale para One Piece e outros shounens. Mas uma vez ou outra eles aparacem na lista mais ou menos entre a décima e vigésima posição. 

Para saber mais e ver a lista completa dos anos anteriores, acessem http://animegrandprix.blogspot.com.br/

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Light novels — Mangá e literatura


 Um estilo literário que poucos conhecem, mas vem se destacando principalmente por causa da profusão da cultura dos mangás e animes em nosso país, são as light novels. De forma bem direta, a ideia básica e aparente de uma light novel é evidenciada na fórmula abaixo:

Mangá + Literatura = Light Novel


 Certamente essa representação abre um leque de hipóteses ao leitor que ainda desconhece esse tipo de literatura. Então, para ser mais preciso, light novels são romances que possuem ilustrações ao estilo mangá. Obviamente, esse estilo possui características peculiares que o distingue da literatura convencional. São eles:

  •  O enfoque nos diálogos em detrimento da narração. Da mesma forma que os diálogos são importantes num mangá, não é diferente nas light novels, uma vez que essa mídia procura se aproximar dos mangás em sua forma de contar histórias.
  • Ilustrações referentes às passagens da história. Geralmente os desenhos podem ser de página inteira. Algumas light novels podem ter ilustrações em abundância e outros nem tanto.
  • Narrativa prática, voltada para a ação do que para a descrição, já que em algumas ocasiões há um respaldo descritivo através das ilustrações. Além do mais, isso torna o desenvolvimento do romance mais acelerado.
  • Linguagem moderna e menos rebuscada, caracterizada por um tom coloquial, descrições simples e frases objetivas; tudo isso para tornar a leitura mais ágil.
  • O público-alvo normalmente é focado nos adolescentes e jovens adultos, sendo este também os principais consumidores de mangás.
  • Histórias com temáticas semelhantes aos mangás. Como é uma literatura que importa muito da mídia “manganesca”, os gêneros mesclam um pouco da literatura convencional (romance policial, ficção científica, sobrenatural, terror…) com os gêneros inerentes aos mangás e animes (shounen, shoujo, seinen…).

Pelos atributos listados acima, não é inesperado que algumas light novels tenham ganhado adaptações de animes. Shakugan no Shana, Full Metal Panic e Slayers (que alguns devem lembrar vagamente devido às exibições na TV aberta) são apenas alguns exemplos.
Aqui no Brasil, temos publicações de light novels de mangás conhecidos pelos otakus brasileiros como Death Note: Another Note (você pode conferir minha resenha dele aqui), Cavaleiros do Zodíaco — Gigantomarquia, e outros nem tão populares como Gravitation e Tarot Cafe.

 Bom, não é surpresa dizer que muita gente aqui no país sonha em lançar seus próprios mangás no mercado, mas… light novels? Sim, recentemente foi lançado pela Infinitum (agora selo da recém-formada Editora Oráculo) um romance intitulado Elementais — O Receptáculo do Caos, de Rafael Pombo, que possui uma aparência bem “a la mangá” e uma narrativa semelhante ao que se é encontrado numa light novel (mais uma de minhas leituras pendentes que pretendo finalizar em breve). Mas essa não é a única novidade. A própria Infinitum está apostando nesse estilo literário e, em breve, trará uma antologia de light novels, que certamente será uma ótima e diferencial adição em nosso mercado.