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sábado, 31 de março de 2012

Resenha — Jogos Vorazes, de Suzane Collins



Editora: Rocco
Ano: 2010
Páginas: 397
Sinopse: Após o fim da América do Norte, uma nova nação chamada Panem surge. Formada por doze distritos, é comandada com mão de ferro pela Capital. Uma das formas com que demonstram seu poder sobre o resto do carente país é com Jogos Vorazes, uma competição anual transmitida ao vivo pela televisão, em que um garoto e uma garota de doze a dezoito anos de cada distrito são selecionados e obrigados a lutar até a morte! Para evitar que sua irmã seja a mais nova vítima do programa, Katniss se oferece para participar em seu lugar. Vinda do empobrecido distrito 12, ela sabe como sobreviver em um ambiente hostil. Peeta, um garoto que ajudou sua família no passado, também foi selecionado. Caso vença, terá fama e fortuna. Se perder, morre. Mas para ganhar a competição, será preciso muito mais do que habilidade. Até onde Katniss estará disposta a ir para ser vitoriosa nos Jogos Vorazes?

O livro do momento, impulsionado pela recente adaptação cinematográfica, finalmente começa a chamar a atenção, embora já tenha angariado uma considerável quantidade de fãs há muito tempo. As críticas ao livro são unanimemente positivas desde o seu lançamento. Pouco antes da estreia do filme (que já o vi), resolvi conferir as páginas que despertaram boa impressão em milhares de leitores.

A primeira referência proeminente ao se deparar com a sinopse de Jogos Vorazes é a extrema similitude com um romance japonês — que ganhou uma versão cinematográfica, mais conhecida pelos fãs aqui no Brasil, além de uma adaptação para mangá — do cultuado Battle Royale. Eu não irei entrar em detalhes sobre a trama deste último, mas a semelhança entre os dois livros, em termos de enredo, está na existência de um reality show que reúne adolescentes num determinado lugar isolado para que se matem até restar um único sobrevivente. Plágio? Felizmente não. Embora tenha provavelmente bebido na fonte de Battle Royale, a autora conseguiu dar a ideia uma roupagem interessante, de forma que do resultado final saiu algo crível e diferente do romance japonês.

Uma distopia infanto-juvenil, é como considero Jogos Vorazes, temperada com um toque de obras clássicas de FC como “1984” e "Admirável Mundo Novo"; mas tudo isso aos moldes do gênero de entretenimento para se adequar ao público infanto-juvenil. Logo, não se engane, Jogos Vorazes tem seu próprio rosto.

O livro é narrado por Katniss, protagonista do livro, uma personagem com personalidade e forte em suas decisões. Dificilmente o leitor não simpatiza com ela — eu pelo menos, em nenhum momento desgostei da personagem.  Ainda que seja fácil inclinar a narração de uma garota adolescente para algo mais coloquial, de linguagem fácil, a leitura é aprazível e nada enfadonha.

O universo de Jogos Vorazes é curioso e demanda uma boa quantidade de páginas para revelar as informações de contextualização. A autora soube muito bem quando e como encaixar novas informações a respeito da história e seus personagens, tornando a leitura natural e nenhum pouco pesada. É um ponto favorável, tendo em visto que muitas histórias contam coisas desnecessárias sem efetivamente utilizar tais elementos. Mesmo após a leitura do livro, não é difícil rememorar os detalhes da história. Mas espero que as continuações mostrem mais a respeito dos demais distritos.

Cliffhanger, técnica com o objetivo de finalizar um capítulo no momento clímax e impelir o leitor a ler o seguinte imediatamente: artifício bastante utilizado em Jogos Vorazes. Cada capítulo, finalizado num momento crucial para a protagonista, nos obriga a virar a página para saber o que irá acontecer. Somando isso ao fato dos capítulos serem relativamente curtos, é possível ler uma boa quantidade de páginas — ou até mesmo o livro inteiro — sem  nem se dar conta. Só acho que esse “gancho”, tão movimentado nos finais dos capítulos, deveria ter sido usado também para o final do livro, pois ao fim da leitura não senti qualquer impulso ou desespero de ler “Em Chamas”, continuação da série. Todavia, o interesse pelo segundo livro se dá no fato do rumo que a história irá tomar, visto que a edição dos Jogos Vorazes terminou.

Como de praxe, recorrente em livros de entretenimento, notei alguns erros de editoração. Ao que parece, um maior zelo pela edição dos livros vale tanto para as obras nacionais quanto as estrangeiras. Nem sei qual foi o último livro que peguei sem me deparar com um errinho de digitação.

O enredo tem uma estrutura interessante, embora esteja se tornando muito comum no mercado, com a divisão da história em partes, cada uma delas focada num determinado conflito. No caso de Jogos Vorazes, a primeira parte conta a ida de Katniss para a Capital e sua preparação para o início dos Jogos; a segunda foca-se nos primeiros momentos dos Jogos — a melhor em minha opinião; e a terceira é centrada no final dos Jogos com ênfase no romance da personagem. Essa característica adicionada aos “ganchos” nos capítulos torna a estrutura do livro muito interessante. 

A obra é categorizada como infanto-juvenil, assim como Harry Potter, e possui algumas cenas violentas, mas nada tão forte a ponto dele não ser encaixado no gênero. Nos momentos sanguinários, algumas descrições são pesadas, outras sucintas. Muito parecido com Gone — O Mundo Termina Aqui, de Michael Grant.

É um ótimo livro, mas não excelente e maravilhoso como todos dizem por aí. Eu até acabei me decepcionando um pouco porque esperava algo sensacional, estupendo, e descobri que não era tudo isso. Mas como ainda é uma trilogia, quem sabe eu ainda não seja surpreendido pelos Jogos Vorazes. Só digo que vale a pena. 

A próxima postagem será uma resenha do filme, e nela contarei um pouco mais sobre a história. Preferi omitir o enredo aqui para evitar spoilers.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Lançamento Crônicas da Fantasia


Olá, pessoal. 

O lançamento da antologia Crônicas da Fantasia se dará na 1ºOdisseia de Literatura Fantástica, um evento que reunirá leitores, escritores e editores do gênero em Porto Alegre. Como moro no Rio de Janeiro, não estarei presente, mas deixo o convite para conferirem minha e muitas outras crônicas presentes no livro. 

Organização: Cristiano Rosa 
Publicação: Editora Literata
Convidados: Ana Cristina Rodrigues e Douglas Eralldo.



Autores: Bruno Anselmi Matangrano, Jefferson Reis, Nilo Gadioli, Daniel Cavalcante, Veridiana Ghesla, A. S. M. Spindler, Adriano Villa, Alex Bastos, Kamila Zöldyek, Verônica Freitas, Raquel Rosas, John Lennon Smith, Tânia Souza, Luiz Teodosio, Cristiano Rosa, Lucas Borges, Daniel Gruber e Marcia Gomes.

Sinopse:
Um reflexo dos nossos sonhos e pesadelos a partir do cotidiano de criaturas fantásticas, em que acontecimentos inusitados e mágicos incitam a reflexão sobre a vida. O real e o imaginário se entrelaçam, fazendo as semelhanças e as diferenças entre os seres encantados e os seres humanos revelarem a essência da própria existência.




Com os pés dentro do veículo, o vendedor de balas, impressionando os passageiros com sua camisa, calça e sapatos brancos – quase parecendo um anjo –, saudou-os com dizeres poéticos demais para sua profissão: – Um encantador dia a todos!

domingo, 18 de março de 2012

Resenha A Guerra das Sombras - O Livro de Laios, de Jorge Tavares


Editora: Novo Século
Páginas: 392
Ano: 2009
Sinopse: O enredo principal de A Guerra das Sombras III, o terceiro dos quatro livros da série de Jorge Tavares e, sem dúvida, o mais sombrio, narra os eventos que se sucederam à guerra civil na Ilha Zainíquia e à instauração da Quinta Dinastia. Tais fatos são descritos sob a ótica do neto de Diom Silai, Laios, que planeja sua vingança contra o assassino de seu avô. Contudo, para derrotar o poderoso Zainog, precisará aceitar inusitadas alianças, que terão, no devido tempo, consequências imprevistas. A busca pelo poder e o desejo de vingança combinam-se de forma poderosa num enredo em que traição e lealdade nem sempre são coisas opostas. Sem dúvida, o mais sombrio dos quatro livros.


Este é o terceiro volume da série A guerra das Sombras, uma tetralogia de fantasia em que cada livro é narrado por um personagem diferente. O Livro de Laios é um dos mais interessantes dos três primeiros volumes, embora eu ainda mantenha minha preferência pelo Livro de Dinaer. A passagem do primeiro para o segundo livro foi um pouco complicada de se entender. Havia muitos eventos enfurnados, não revelados, o que tornava essa série bastante ininteligível. Felizmente o Livro de Laios conseguiu sanar um pouco desse problema, pois ele se passa temporalmente desde o início do primeiro até pouco antes do segundo livro, se não estou enganado. O fato é que ele conta uma outra parte da história que explica razoavelmente os eventos ocorridos no Livro de Dinaer.
Uma característica interessante do Livro de Laios é que os personagens envolvidos na trama são, em sua maioria, Magos — única raça mágica presente na história, em termos de fantasia medieval. Gostaria de ressaltar a agudeza dos Magos trabalhados na história, boa parte deles detém um conhecimento ímpar e são astutos em suas ações. Isso dá ao enredo um teor mais sapiente, próprio de uma raça ávida por conhecimento, como é o caso dos Magos. Ademais, não apenas as estratégias, mas também as magias utilizadas apresentam algumas explicações bem racionais e trabalhadas — a mais proeminente que me recordo é a explicação de Laios em relação à leitura de mentes. É provável que por causa disso (e por um outro detalhe que ilustrarei no parágrafo seguinte) a leitura d’A Guerra das Sombras esteja direcionada para leitores mais atentos e pacientes, ou melhor dizendo, que gostem de vislumbrar os minuciosos detalhes psicológicos de uma história. A narração de Laios é rica e detalhista, bem como seus pensamentos que povoam angustiantes páginas do livro.
Ao término do terceiro livro desta série finalmente consegui visualizar qual o verdadeiro rosto dela. No primeiro volume, O Livro de Dinaer, o autor nos apresenta uma história sem muitas complexidades se colocarmos os livros seguintes em comparação, bem linear e com personagens menos cultos. Há uma textura  de aventura e simplicidade no primeiro livro que se perdeu nos seguintes, isso porque não havia mais crianças na história, sendo ela agora palco de personagens mais maduros. Começando pelo Livro de Ariela e alcançando força ainda maior no Livro de Laios, A Guerra das Sombras mostra-se uma história intrincada. Se no primeiro livro houve poucos “momentos políticos”, os dois seguintes livros compensaram. Há muitas estratégias por parte de grupos, conversas diplomáticas e diálogos de teor erudito que não figuravam no início da série. Portanto, O Livro de Dinaer me parece apenas uma preparação para a verdadeira atmosfera da história. O problema que vejo nisso tudo é a preferência do leitor: se ele gostar de toques mais aventurosos, simpatizará com O Livro de Dinaer; se ele preferir uma trama mais amarrada, cheio de planos políticos e diálogos complexos, os seguintes são indispensáveis. Não estou querendo dizer que seja um erro de desenvolvimento, muito pelo contrário. O Jorge Tavares, como diplomata, soube utilizar maravilhosamente tudo o que aprendeu nessa área e transpor tal conhecimento para o mundo que criou. Eu mesmo que não sou muito chegado a tramas desse tipo, senti-me instigado, então é provável que o leitor que passou pelo primeiro livro consiga ver uma boa história nos seguintes.
Esse terceiro volume, talvez por conta da estirpe do personagem, teve uma linguagem muito mais refinada. Um fato engraçado é que a narração de Dinaer pareceu-me mais inculta que a do Laios, provavelmente por conta do amadurecimento da escrita do autor.
Eu considero este volume superior ao segundo, inferior ao primeiro, mas recheado de revelações que começam a desenhar o último volume para o final desta ótima série da literatura fantástica brasileira.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Resenha Guardians, de Luciane Rangel


Estou devendo algumas resenhas de livros que já li, mas, infelizmente, meu afastamento da rede atrapalhou um pouco a atualização do blog.
No caso deste livro, não creio que conseguiria escrever uma resenha sem exprimir algumas passagens de teor pessoal e empírico. Portanto, acabarei, além da crítica, pincelando alguns assuntos pertinentes.

Editora: Lexia
Ano: 2010
Páginas: 359
Sinopse:
O mundo dos homens é protegido do mundo de malignas criaturas por uma barreira dimensional. Frágil e sob constante ameaça, ela é protegida por doze guerreiros sob os signos das estrelas: os Guardiões. A missão desses jovens, que contam com poderes sobre-humanos, é evitar que catástrofes tomem o mundo, fechando uma fenda na barreira e impedindo a passagem dos monstros. Porém, por mais que tenham incríveis poderes, as fraquezas inerentes aos humanos – o amor, o ódio, a vingança e a hesitação – continuam presentes, tornando a missão um pouco mais difícil do que parecia ser...

 Fic Guardians

O mundo das fanfics é um espaço interessante onde escritores e leitores desdobram alguma paixão em comum. Um fã de Harry Potter, por exemplo, pode ler e escrever histórias no mundo criado por J.K.Rowling, e de maneira alguma isso aflige os direitos autorais da autora, uma vez que a criatividade do fã que escreveu a fanfic não está voltada ao ganho financeiro, mas simplesmente ao retorno de leitores. Embora a maioria das fanfics não contenha uma escrita apreciável do ponto de vista linguístico ou mesmo de coerência de enredo ou ainda careça de fidelidade à obra original, é um meio estimulante à leitura e escrita. Eu próprio já fiz parte desse cenário, escrevendo fanfics de Naruto e... bom, acho que foi só de Naruto, rsrs. Eu era um fã na época, “tebayo” (e ainda sou).


Mas no universo das fanfics também há as fics, que diferente daquelas, são histórias originais não baseadas em qualquer outro universo já criado. Era nessa área que eu mantinha minha escrita e leitura. Até mesmo o livro que estou escrevendo já figurou no âmbito das fics. Guardo lembranças nostálgicas dessa época, e dentre as minhas leituras estava Guardians, de Luciane Rangel.
Guardians provavelmente foi uma das primeiras fics que comecei a ler. Vê-la publicada traz-me um sentimento de admiração. Na ocasião, fez muito sucesso pelos fóruns e sites de fanfics por onde passou, angariando um bom número de leitores. Eu era um deles. Porém, como não gostava (e ainda não gosto) de ficar lendo textos na tela do computador, acabei deixando a leitura em hiato para retomá-la nalgum momento futuro. Para quem não sabe, as fics geralmente são lançadas em intervalos regulares; os autores, antes mesmo de escreverem toda a história, colocam capítulos à disposição do público leitor: é como se esperássemos o capítulo de um mangá ou o episódio de uma série a cada semana(embora o lançamento dos capítulos não cumprisse necessariamente o intervalo de uma semana — aqui encaixava-se Guardians —, dependia muito do autor). Por isso, se tem algo que acho que me arrependo foi de não participar daquele processo de feedback animado de comentar os capítulos após serem lançados.
Mas como remissão, tenho em mãos a primeira parte da fic escrita pela Luciane; então acho que, desta vez, posso compensar um pouco as impressões que deixei de exprimir.

Os desenhos

Independentemente da história, é difícil imaginar Guardians sem os desenhos da Ana Cláudia Coelho, a desenhista responsável por todas as imagens presentes no livro. Embora seja muito natural que o leitor esboce ao seu jeito os personagens de um livro, Guardians oferece uma imagem pronta dos personagens, num estilo que lembra os traços das animações japonesas. Não é por acaso, visto que tanto a autora como a desenhista são apaixonadas pela cultura oriental, fato este que é enaltecido pelo cenário onde a história se desenrola: o Japão.
É uma pena que o livro não contenha todos os desenhos da Ana e sejam em preto e branco. Quando Guardians era uma fic, havia mais figuras e todas coloridas. A opção pelos desenhos ao longo do texto acaba por transformar o livro numa espécie de light novel (veja aqui a resenha de uma Light Novel para saber a que me refiro).
As ilustrações de Guardians não são apenas um adorno para tornar o livro charmoso, mas parte dele, dando uma cara pitoresca e única à história.

Escrita

Como mencionei acima, Guardians aproxima-se muito ao estilo de Light Novel, e provavelmente essa característica deve atrair o interesse dos leitores que curtem mangás e animes. A linguagem é objetiva e coloquial, contribuindo para o ritmo acelerado da leitura de quase trezentos e cinquenta páginas em que muitos eventos acontecem. Para os que gostam desse estilo rápido de escrita, isso é um ponto a favor.
As descrições sucintas, porém, poderiam ter sido deixadas de lado em alguns momentos que careceram de maiores detalhes para imprimir melhor o ambiente onde os personagens estavam inseridos. Algumas peculiaridades de Tóquio ou de outros distritos visitados pelos personagens ganhariam mais vida na mente do leitor se fossem mais descritas.
Infelizmente, o livro não contou com uma revisão apurada capaz de reparar alguns erros de escrita — um deles achei muito grave para estar num livro publicado. A repetição de palavras e a descrição similar dos personagens para descrever determinadas ações também foi um aspecto negativo que pode aborrecer leitores mais exigentes. Erros do tipo são comuns de se ter numa fic, pois os leitores (pelo menos aqueles que têm um bom senso crítico) apontam para o autor um erro aqui e ali a fim de melhorarem o texto. Porém, num livro publicado não se tem essa chance, é preciso revisar o original o máximo possível para que ele tenha o mínimo de erros. Se houve alguma revisão de Guardians na passagem de fic para livro, não foi o suficiente para tapar alguns buracos.

História

Apesar dos pontos negativos que acabei de ressaltar, Guardians tem um ás na manga, e foi isso que o tornou tão bem visto quando era uma fic: a história. Um grupo de guardiões, regidos pelos signos do zodíaco, que precisam se unir para lacrar uma fenda na barreira dimensional através da qual youkais invadem o nosso mundo pode parecer um enredo um tanto clichê e pouco atraente, mas não significa dizer que é uma história ruim. Nunca é bom julgar um livro pela sinopse, pois ela apenas sintetiza o pouco do que você vai encontrar, e não tudo o que você irá encontrar. Algo que sempre gosto de salientar é que o escritor não precisa de um enredo super inovador para contar uma boa história. Ele pode partir do básico, da mais simplória ideia, que nem por isso será necessariamente um história repetitiva e sem graça. O segredo reside em como você vai contar essa história, como se dará o seu desenvolvimento capaz de instigar o leitor através de uma temática simples. É aí que entra a criatividade do escritor. E a autora de Guardians conseguiu demonstrar essa criatividade. 
Apesar da sinopse apontar para eventos de fantasia, a história foca-se nas relações entre os personagens, relegando a parte principal da batalha dos guardiões contra os youkais e polvilhando o enredo com tramas mais realistas. Esse foi um ponto bastante chamativo em Guardians, pois no meio de uma história de fantasia, temos, por exemplo, questões de relacionamento homossexual, prostituição de jovens que são enganadas e levadas a outros países, e outros assuntos bem interessantes para se ter num gênero fantástico. Aliás, esse fato corrobora a classificação etária de 16 anos indicada na contra-capa. Mas convenhamos que num país como o Brasil, onde o entretenimento visual (novelas, filmes) está tão saturado de assuntos adultos, essa classificação poderia até mesmo decrescer um pouco.  

Não bastasse isso, os personagens são carismáticos. Compõem o ponto forte do livro, divertindo e emocionando os leitores. Cada um deles é dotado de personalidade, e a autora soube como guiá-los muito bem durante a história. É fácil se familiarizar com eles, e em poucas páginas sentimo-nos com um grande desejo de conhecê-los melhor.  Não sei se consigo apontar um preferido. Eu gostei muito do jeito certinho do Ryan, mas eu simpatizei mais com o aspecto mais fechado do Qiang, pois pareceu-me um personagem misterioso com uma história dramática velada nas suas ações retraídas e vingativas; personagens assim me instigam.
A única crítica negativa que faço nesse quesito é sobre o final. Acredito que a autora tenha simplesmente dividido em três volumes os capítulos originais da fic. Ou seja, quando chegamos no final do livro, se parece apenas com o término de um capítulo qualquer. A autora poderia ter feito algumas alterações para fechar parcialmente algumas tramas do livro e instigar o leitor para o próximo volume.

Guardians pela internet

Quando eu havia dito no começo do texto que Guardians foi um fenômeno no universo das fics, eu não estava de brincadeira. Por ter conquistado o respeito e a admiração de fãs, várias fanfics de Guardians foram escritas desde a sua criação. E isso não significa pouca coisa, pois é realmente difícil uma história despontar na internet a ponto de maravilhar os leitores. O fato de ver fanfics de sua própria história deve ser o feedback máximo para um “ficwriter”(escritor de fanfics e fics). 

No site http://livro-guardians.blogspot.com/ você poderá encontrar fanfics, os desenhos originais da história e muito mais.