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terça-feira, 29 de novembro de 2011

Impressões de Harry Potter e as Relíquias da Morte - parte 2


Eu já devia ter produzido uma postagem com este tema desde a estréia de Harry Potter e as Relíquias da Morte — parte 2 nos cinemas, mas como o DVD foi lançado essa semana e tive a oportunidade de assistir novamente o filme, me rendi ao desejo de verter um pouco minhas impressões em relação a série.

Primeiramente gostaria de me ater num fenômeno que provavelmente nenhuma outra série literária ou cinematográfica conseguiu emplacar. Me refiro a este trajeto de “crescer junto a um universo”, como desde a infância tivemos nosso primeiro contato com essa maravilhosa saga e, mesmo agora, como adolescentes ou adultos, ainda tenhamos identificação para com ela, que aliás, foi crescendo cada vez mais ao longo do tempo, meio que uma amizade que fazemos na vida e que num fatídico dia tenhamos que desgarrá-la para “seguir nossa vida”. Acho que é mais ou menos assim que os fãs potterianos se sentem, e devo dizer que, infelizmente, não usufrui por completo dessa geração. Meu primeiro contato com Harry Potter deu-se através do primeiro filme, e lembro-me de que só comecei a gostar mesmo deste universo no segundo. Entretanto, confesso que era um preguiçoso de leitura, em outras palavras, eu não era um leitor — minha visão de livros foi abalada pela escola, como de praxe acontece com a maioria dos jovens não-leitores, mas deixarei para discutir o ensino da literatura numa postagem mais pertinente. O fato é que demorei muito para me debruçar na escrita de J.K.Rowling, e para terem uma ideia, deve fazer mais ou menos dois anos que resolvi finalmente pegar os livros — quase certeza que foram dias depois de assistir o Enigma do Príncipe nos cinemas. Pois é, não me encaixo no grupo de fãs que cresceram ao lado dos livros, fiquei mesmo com os filmes até o ponto de não agüentar e conferir a saga através das páginas. Me arrependo profundamente de não ter feito isso lá no Ensino Fundamental, uma colega minha gostava de lê-los. Para concluir esse fenômeno de “amizade” é interessante observar a faixa etária das pessoas que foram assistir os filmes no cinema: criancinhas de dez anos atrás, hoje tudo gente grande, e eu me incluo. 

 Harry Potter e as Relíquias da Morte – parte 2 conseguiu atingir a terceira maior bilheteria da história e superar O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei. Apesar da franquia ter tido alguns pontos baixos durante as sequências, os filmes conseguiram vigor suficiente para ir até o final. Não é qualquer adaptação literária que consegue esse feito. Apenas resumirei minhas impressões a respeito dela.
 A Pedra Filosofal e A Câmara Secreta são os melhores no que toca a fidelidade à atmosfera dos livros; mágico, colorido e divertido — acho a Hogwarts muito mais Hogwarts nesses dois filmes. Do terceiro em diante, as adaptações ganham um aspecto mais cinzento e uma imagem sombria que foi gradativamente se intensificando nos demais filmes: uma escolha acertada a meu ver, pois é mais ou menos isso o que também ocorre nos livros. O Prisioneiro de Azkaban teve força menor em relação a seus antecessores, tornando-se o menos fiel a série até aquele momento; o terceiro livro, considerado um dos melhores para alguns, acabou não sendo bem representado na tela. O Cálice de Fogo compensou esse fracasso, mostrando que mesmo oriundo de um livro com mais de 400 páginas em que muitas sub-tramas ficaram de fora — como aquela coisa da luta pelos elfos livres —, conseguiu sintetizar todo o enredo e montar uma história coerente. Aliás, é justamente nesse filme, no retorno de Voldemort, que muita gente começou a prestar atenção na série. Eu sempre vejo o quarto livro como um mediador na história: fica para trás aquelas tramas de aventuras perigosas de um bando de pré-adolescentes tentando impedir o retorno de um bruxo malvado; e muda para uma trama pesada, carregada de tensão e saturada de uma sensação de um perigo iminente. Isso se concretizaria em A Ordem da Fênix. Embora acho que foi o pior ano de Harry potter, e me refiro a qualidade do enredo mesmo, tanto no livro quanto no filme. Um calhamaço de 700 páginas não-peneirado e cheio de eventos irrelevantes a história, um grande enche-linguiça. Justamente a quantidade de informações a serem adaptadas ao filme é que foi o grande problema, gerando um resultado deplorável. Adaptar em duas horas sete centenas de páginas não é um feito plausível com vista em torná-lo agradável. Evento semelhante aconteceu no filme seguinte, O Enigma do Príncipe. Mas apesar das inúmeras cenas destoantes com o livro, eu realmente o achei bom. Muita gente desgosta desse filme, mas eu não o vejo pior que a Ordem da Fênix. Detalhe: Como sou muito anti-spoiler, eu nem sabia que o Dumbledore ia morrer; imaginem minha cara no cinema? 


 Então chegamos finalmente ao último, ou melhor, penúltimo arco da série: Relíquias da morte, dividido em dois filmes, tanto por motivos de enredo como mercadológicos. A primeira parte correspondeu a mais da metade do livro, sendo fiel ao andamento do enredo e finalizando num ótimo cliffhanger. A segunda focou-se em dois eventos: o assalto ao banco Gringotes e a batalha de Hogwarts, que apesar de não serem tão longos assim no livro, em questão cinematográfica se tornam impressionantes sequencias de “OMG!”.
Eu não poderia deixar de relatar aqui os momentos do cinema em que as pessoas gritaram e aplaudiram entusiasmadas: o beijo de Hermione e Rony; “Minha filha não, sua vadia” e logo depois a explosão da Bellatriz; Harry acordando nos braços de Hagrid; Neville matando Nagini; e a destruição do Voldemort. Sem contar algumas cenas engraçadas em que o Avada Kedavra de Você-Sabe-Quem estava mais para um kamehameha do que para uma maldição, ou então numa parte em o Voldemort parecia estar dançando após dizer “Harry Potter está morto.” Mas enfim, o filme rendeu bons momentos de risada, tensão e lágrimas. 

Por falar em lágrimas, eu não chorei. Não que eu seja do grupo que “homem não chora”, é que no cinema eu não permito que minha cara mostre essa imagem sensível mesmo, porém, não me impede de ficar com os olhos marejados. A parte mais emocionante do filme, aliás, de toda a série, é a revelação do passado de Snape, o personagem misterioso que ninguém sabia de que lado ele jogava. Para mim, disparado, o melhor personagem da série. No livro, o capítulo que narra as vivências passadas dele são páginas emocionantes — nem tenho vergonha de dizer que chorei —, e no filme, mesmo resumidamente, deu-se a mesma sensação melancólica das páginas. Foi aquela parte do filme que você arregala os olhos (lacrimejados ou não) e fica sem palavras. 
 Sem dúvidas, a grande vantagem de um filme baseado numa obra literária cujo ponto de vista seja quase sempre do protagonista é a flexibilidade de trabalhar os demais eventos da história. Sinceramente, eu não sou muito fã de livros que optam por focar a história sempre no ponto de vista do protagonista, embora Harry Potter tenha cenas em que o próprio não faz parte. No filme, principalmente na batalha de Hogwarts, isso foi um fator crucial. No livro ninguém sabe o que está acontecendo com os outros personagens, como está se dando a batalha; enquanto que no filme, temos uma visão mais geral e aberta da guerra.
A original soundtrack também foi um elemento evolutivo nos últimos filmes, acompanhando os novos contornos que a história veio ganhando. Eu não sou nenhum experiente em avaliar trilha sonora de filmes, mas eu me guio por uma coisa básica que qualquer leigo no assunto pode fazer: assim que terminar de ver um filme, se as músicas não saírem de sua mente fazendo-lhe suscitar as cenas do longa, então é porque a trilha sonora é boa mesmo. Em se tratando da segunda parte de Relíquias da Morte, a trilha acompanha a melhor parte do filme. Mas achei interessante também a presença daquela música clássica dos primeiros longas que é considerara a música marcante da série, muito bem aproveitada no reencontro do protagonista com seus amigos de Hogwarts e na última cena do filme.
Gosto muito de ouvir "Dumbredore's Farewell", bem aproveitada no antepenúltimo e último filme.


E falando sobre a cena final da série, por mais que tenham se maquiado, não consegui enxergar ao atores com mais de trinta anos de idade. Mas acho que ficaria ruim colocar outros no lugar deles, e a carga emocional, tantos dos próprios atores — que disseram relembrar os momentos do primeiro filme de quando entraram no trem para Hogwarts — quanto dos leitores/espectadores.
Mas fica aquela coisa no ar que ninguém acredita. “Acabou? Acabou mesmo?”. Não, não acabou. Tenho certeza que uma história como essa estará na alma de todos os leitores para sempre. Na minha com certeza estará. (ok, comentário meloso desnecessário).
 Para terminar, confiram um final alternativo feito por fãs. Eu bem que gostei, meu personagem preferido não morreu. (risos)


domingo, 13 de novembro de 2011

Resenha "O Senhor das Sombras", de Leandro Reis



Editora: Idea
Lançamento: 2010
Páginas: 352
Sinopse: O Senhor das Sombras é o segundo volume da trilogia “Legado Goldshine”, iniciada por Leandro Reis em Filhos de Galagah. Neste livro, o autor dá continuidade à missão de Galatea na busca pela segunda runa. A aventura, agora, toma proporções épicas, e muitos mistérios deixados pelo primeiro volume, Filhos de Galagah, são respondidos, além das novas intrigas que são acrescentadas à trama.
Nesta sequência, Leandro Reis aprofunda o drama da bruxa vermelha, Iallanara Nindra, que, exposta aos seus maiores conflitos, é obrigada a fazer uma escolha crucial: matar sua única amiga e protetora, ou traí-la? Sukemarantus, manifestação do Mal, que tem o poder de controlar toda sorte de criaturas das trevas, lança mão de seus recursos mais vis para atingir seus sombrios objetivos.
Enquanto isto, a busca de Galatea segue por rumos inimagináveis, levando-a às tribos bárbaras das planícies do sul, uma sociedade ímpar e desunida, berço de poderosos guerreiros, essenciais para o sucesso desta nova cruzada.
Em O Senhor das Sombras, inúmeros desafios testarão nossos heróis fantásticos. Muitos sacrifícios serão necessários, enquanto o maior dos perigos se esconde dentro do próprio grupo. Nessa aventura, o fracasso espreita, ávido por um simples deslize, escondido nos cantos mais improváveis da história.

   Ainda me recordo de quando apertei a mão do Leandro Reis e o vi autografando todos os meus exemplares do Legado Goldshine: Filhos de Galagah, O Senhor das Sombras e Enelock. É uma sensação muito gratificante conhecer um autor pessoalmente, e melhor ainda é dá-lo o feedback de seu trabalho.

Faz um ano que li a primeira parte desta trilogia (Filhos de Galagah) e, como trabalho de todo autor iniciante, teve seus altos e baixos. Para um segundo livro, ainda mais a continuação de uma série, é de se esperar que o autor aprimore sua arte, e o Leandro não fez diferente, talvez até melhor do que eu esperava. O trabalho de O Senhor das Sombras demonstrou uma qualidade notável se tomando como referência seu antecessor, Filhos de Galagah, e mostra o quanto a escrita foi aperfeiçoada. Ademais, a qualidade deste livro não se atém unicamente a obra: seu booktrailer, um dos pontos pitorescos apresentando por Leandro Reis para cativar a leitura também deu um grande salto, sendo, aliás, responsável por eu adquirir Filhos de Galagah há pouco mais de um ano quando estava sendo lançado o segundo livro. Não poderia deixar de fora também a excelente capa, bastante sedutora.


Um detalhe que, pelo menos para mim, ficou estampado no primeiro livro foi a forte influência do RPG, por onde o universo de Grinmelken teve suas origens. Isso não aconteceu em O Senhor das Sombras. O livro apresentou uma estrutura mais literária e menos "rpgista", o que se refletiu também na escrita. Alguns trechos, principalmente de batalhas ferozes e sanguinolentas, o autor conseguiu passar as descrições de uma maneira contagiante. Idem para as cenas envolvendo os sentimentos dos personagens mais sombrios e suas ações. Na verdade, achei as descrições das partes mais sombrias as melhores cenas. Apenas devo destacar um aspecto negativo e vou logo dizendo que não ocorre apenas nesse livro, mas em outros, seja nacional ou estrangeiro, um absurdo de erros de digitação. Nessa edição que eu peguei havia duas frases consecutivas e  idênticas. As editoras deveriam trabalhar um pouco melhor a edição de seus produtos.

O foco do segundo volume foi em Iallanara, uma personagem tão cativante quanto a protagonista - para ser sincero, prefiro a própria Bruxa Vermelha que a Galatea; aliás, minto, o Gawyn supera todos em quesito de carisma. Mas voltando a falar da Iallanara, ficamos ansiosos desde as primeiras até as últimas páginas em saber qual será sua decisão final: aliada ou inimiga? O sofrimento desta personagem, já revelado no primeiro volume, ganhou contornos sombrios e emocionantes: era, enfim, a hora da decisão final para ela. 

Dragões... Na leitura de Filhos de Galagah senti falta da imagem real desta criatura fantástica, pois eles sempre se exibiam na forma de humanos. Neste, porém, os dragões realmente apareceram. E não faltou batalhas envolvendo-os. As descrições desses seres assim como a narração das ferozes batalhas que travaram acompanharam o amadurecimento da escrita.. 

Fiquei surpreso com a quantidade de personagens novos. Essa segunda aventura do grupo liderado pela princesa de Galagah que veste uma armadura de ouro ( analogias infames a Saint Seiya) foi mais extensa que a viagem a cidade de Lemurian. As dificuldades para encontrar a segunda runa foram bem maiores, o trajeto cheio de impropérios, inimigos mais sombrios e poderosos, conflitos dentro do grupo mais explícitos - era sempre culpa da Iallanara -, e muitos aliados durante o percurso. Em outras palavras, uma aventura mais rica e emocionante. O único ponto negativo foi que, em alguns momentos, a história arrastou-se além da conta. Para ser mais específico, a história após a Floresta do Enforcados - para mim, a melhor parte da história -, decaiu um pouco, não de qualidade, mas de ritmo.

E eu não imaginava que surgiria um romance nessa saga. Com essa adição, os sentimentos de determinado personagem irão variar um pouco.

Enfim, para aqueles que gostaram do que leram em Filhos de Galagah, O Senhor das Sombras é indispensável.

"Jornada de um Escritor" - Capítulo 3

Após meses de hiato, a Jornada de um Escritor está finalmente de volta ao site da FANTÁSTICA. Para aqueles que ainda não conhecem a coluna, trata-se de uma espécie de reality show em que eu narro algumas dúvidas que surgem durante a escrita de meu livro e, para ajudar a saná-las, conto com os comentários de diversos escritores que também já passaram pelas mesmas dificuldades de alguém que ambiciona ser um escritor profissional. Também é um prato cheio para aqueles que, assim como eu, também almejam lançar seus livros no mercado.

A terceira parte de minha jornada tem como título: "A primeira impressão de uma história". Como deixar um boa impressão já nas primeiras páginas? Os comentários são dos escritores(as): Diogo de Souza, Flávia Cortês, Christopher Kastensmidt e Fernando Heinrich.

Clique na imagem abaixo para entrar na jornada. 

domingo, 6 de novembro de 2011

Divulgando: Antologia "Psyvamp" da Infinitum Libris


Há histórias de vampiros em larga escala no mercado e ultimamente tem-se visto um leque muito grande de vampiros "dóceis" inspirados em Crepúsculo. Em meio as inovações que a mitologia vampírica vem criando, um tipo bem peculiar destes seres desperta atenção: os psyvamps. Essa é justamente a temática proposta pela nova antologia da Infinitum, uma editora focada no mercado de e-books. (eu participo com um conto em uma antologia chamada "Lugares Distantes" da mesma editora; clique aqui para saber mais.)

Em relação ao mercado dos e-books, nesta antologia, a editora optou por usar um sistema bem interessante. "Pague o quanto você quiser!". Pode parecer brincadeira, mas é exatamente essa a ideia. Você paga pelo o quanto que acha que vale o trabalho publicado.

Confiram o book trailer e informações sobre o livro.



Temidos e desejados. Alguns dizem que são herdeiros de demônios; outros que são pessoas comuns com dons incomuns. Eles estão em toda parte à procura de alimento. Escolhem suas vítimas e saciam sua fome sem ser notados. São predadores. Vampiros. Mas não espere por grandes presas, transformações físicas e mordidas no pescoço. Os psyvamps não se alimentam de sangue, e sim da energia vital de outros seres vivos.

Pouco se sabe sobre eles. Talvez sejam predadores malignos. Quem sabe existam até ordens secretas e iniciáticas só para eles… Ou seriam seres bondosos e incapazes de fazer mal a alguém? E se eles sequer têm consciência do que são e se alimentam da energia das pessoas involuntariamente? Há quem diga que eles podem até mesmo curar!

Talvez todas as teorias estejam certas, talvez nenhuma. São muitas perguntas sem respostas e mistérios a serem revelados. Na antologia PsyVamp, da Infinitum Libris, você vai descobrir que, malignos ou bondosos, os vampiros psíquicos são muito mais humanos do que você imagina… e mais sombrios do que parecem.

A Infinitum convida você para desvendar os mistérios sobre esses seres, tão fascinantes e sedutores quanto os vampiros convencionais ― só que mais reais, o que os torna ainda mais interessantes.

Para adquirir o livro acesse o link abaixo.