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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Live-acton de Naruto Shippuuden feito por fãs

Live-action é o termo utilizado para se referir a um filme baseado em quadrinhos, games ou animações, em que são usados personagens de carne e osso. Como exemplo mais recente (e decepcionante), temos a adaptação americana de Dragon Ball, mangá produzido por Akira Toryama. Geralmente, live-actions nunca conseguem passar uma boa impressão, pois as histórias originais foram criadas pensando em sua mídia de divulgação. Portanto, dificilmente um filme baseado num game ou mangá sairia melhor que seu original. 

Há algumas semanas, está circulando na internet um live-action feito por fãs da série Naruto Shippudden. Para um trabalho amador, os efeitos estão sensacionais, e a trilha sonora utilizada foi a mesma do anime, dando muito gosto de assistir. Foi lançada apenas a 1º parte do filme, e você pode conferir logo abaixo.

A história se passa após o Arco Pain. Naruto finalmente foi reconhecido como o herói de Konoha. Rock Lee, vendo que o rival conseguiu atingir um patamar elevado, desafia-o para um duelo, almejando mostrar toda a força de sua juventude. 

O filme é intitulado:

Naruto Shippuden Dreamer's Fight



terça-feira, 20 de setembro de 2011

Minha passagem na XV Bienal do Rio



Há muito tempo já tinha ouvido falar de Bienal do Livro, desde criança, quando meu gosto pela leitura nem era tão fluente, porém, nunca senti realmente vontade de ir a um evento desses, seja pelo alto preço das visitas escolares ou por meu próprio desinteresse em pedir aos meus pais. Tal desinteresse perdurou mesmo na adolescência. Embora eu já tivesse começado a brincar com as palavras, ainda era do tipo que “não gostava de ler”. É paradoxal, pois adorava criar histórias e até sonhava em ser escritor (um sonho ainda vago numa cabeça jovem), mas eu não me preocupava em ler livros, não me interessava em adquirir experiências através da leitura; talvez pelo nulo incentivo da família em relação aos livros ou pela errônea apresentação do universo da literatura pela escola (o que continua até hoje). Felizmente, após exatos 21 anos, 170 dias e 9 horas de vida, coloquei meus pés numa Bienal – dizem que estudantes de Letras não sabem fazer conta, portanto, não levem esse tempo a sério, rsrs.

Eu fui no terceiro dia, usando minha camisa da Umbrella Corporation. (ser fã de Resident Evil é o que é).

Não imaginei que o local do evento fosse tão grande. Assim que cheguei e vi aquele mapa gigantesco com um pontinho indicando “você está aqui”, fiquei bem entusiasmado. Não pude deixar de fazer um devaneio nerd: imaginei-me dentro de um jogo em que precisava percorrer a cidade atrás de boas “lojas” para comprar alguns “itens literários”. Mas, seguindo adiante, já não conseguindo me segurar mais, o primeiro lugar que fui visitar após olhar aquele mapa foi... o banheiro. Sério, eu estava apertadíssimo, tinha feito horas de viagem até aquele lugar tudo porque não sabia qual ônibus eu deveria pegar. 

Ao invés de me concentrar em alguma estande, fiquei vagando sem rumo por aquelas ruas abarrotadas de pessoas. Nas três primeiras estandes onde cheguei, o mito “Na Bienal, você encontra livros mais baratos” mostrou-se ser uma farsa para atrair gente. Só então me dei conta de que para corroborar essa ideia era necessário um extenso passeio até encontrar alguma promoção. Mas não falarei de promoções, até porque, não encontrei nenhuma interessante, apenas descontos razoáveis, ou então, e isso não era raro, livros com o mesmo preço ou ainda mais caro que nas livrarias. 

Por um momento, enquanto observava a variedade de livros nas prateleiras, desviei minha atenção para as pessoas: ávidos leitores que digeriam capas, sinopses e primeiras páginas com os olhos. Fiquei a imaginar: temos tantos leitores assim? Leitores que iam de pré-adolescentes a adultos, totalmente envolvidos pelo abraço da leitura. Pra quem imagina que o Brasil não é país de leitura, ao contemplar milhares de leitores naquele lugar, fica com a impressão de que o senso comum é uma grande mentira. Há gente que lê, e muita. E para um escritor como eu, que ainda objetiva um livro publicado, ver aquela cena me deu um gás e tanto. 

O primeiro livro que comprei, num preço que considero normal, mas o menor que encontrei por lá, foi a “A Guerra dos Tronos”, na Saraiva. Eu já pretendia mesmo adquirir o primeiro volume dessa série de tanto as pessoas falarem dela, e, além disso, estou morrendo de vontade para assistir a série na HBO. Só não a vejo porque ODEIO ver alguma representação cinematográfica de um livro antes de conferir a obra de origem. 

Depois, passei lá na Comix — o paraíso dos mangás. Devo confessar que esse foi o local mais financeiramente perigoso da Bienal. Entrar ali era gastar dinheiro na certa. Se não me controlasse, esvaziaria os bolsos ali mesmo com tantos mangás. O que mais me angustiava era ver pessoas com uma cesta na mão lotada de mangás — deveria dar uns mil reais ali dentro, provavelmente o individuo juntara dinheiro por dois anos para seu momento sagrado. Bom, como eu nem tinja juntado dinheiro nem nada, levei só dois itens mesmo. O primeiro chama-se 1 Litro de Lágrimas, uma história baseada no diário de Aya Kitō, uma garota que sofreu de Degeneração Espinocerebelar; já rendeu até mesmo uma série de TV no Japão, e confesso, sem vergonha alguma, que nenhuma história me fez chorar tanto quanto essa. O segundo não foi um mangá, mas um light novel: Death Note: Another Note; esse estava meio carinho, mas ser fã de Death Note não tem preço, rsrs.

Minha última parada foi na estande Usina das Letras para ver o Leandro Reis e adquirir os dois últimos livros da trilogia Legado Goldshine. Aproveitei que tinha levado o Filhos de Galagah e consegui a trilogia inteira autografada. Descobri que meu primeiro livro da trilogia não era como os outros, era raro, pois era de capa fosca – eu adorava ficar passando a mão sobre a capa pra sentir o relevo. Me senti como se tivesse em meu poder uma carta rara do Mewtwo, rsrs.

Já não agüentando de dor nas pernas, fui para casa. Até porque meu dinheiro tinha acabado e ficar na Bienal sem grana seria tortura. 

Retornei no dia 7, novamente com minha camisa da Umbrella (não-lavada), e não poderia ter escolhido dia pior no que dizia respeito ao público. Imaginem a cena. Sob um tempo escaldante, caminhando em direção a entrada do evento, se deparar com uma fila gigantesca de quase duas mil cabeças. Eu falei: OMG! Parecia treinamento pra fila de Rock in Rio, e o motivo para tanta gente, como se já não bastasse ser feriado, era, provavelmente, a presença do Padre Marcelo Rossi. Mas felizmente a fila andou rápido, e eu e minha família — que tinha vindo comigo —, conseguimos um atalho para entrar mais rápido. 

Logo me separei da família, que só iria visitar estandes infantis por causa das crianças, e fui me aventurar por aí. A grana nesse dia estava mais curta ainda, mas dei um passada na estande Above para encontrar a Mare Soares e a Luciane Rangel, autoras de Chantilly e Guardians, respectivamente. Em seguida, fui encontrar um colega e acabamos entrando na Comix. O que eu havia dito sobre esse lugar? Se entrasse, você saia com algo, querendo ou não. E foi o que aconteceu. Levei um mangá de Ring — O Chamado

Depois pensei em comer alguma coisa, mas ao simples vislumbre do preço do cachorro-quente decidi que seria muito mais sadio morrer de fome. 

Enfim, fui embora, e como eu já esperava, encontrei uma fila quilométrica para os ônibus. Se você não faz isso ainda, fica a dica: Não existe coisa melhor a se fazer numa fila senão ler um livro. E livro era o que não me faltava na hora, rsrs. Decidi pegar o mangá para ler e me dei conta de que havia comprado o segundo volume ao invés do primeiro — na verdade, eu tinha pensado no início que era volume único. #fail. Peguei então o Chantilly da Mare Soares e devorei metade do livro até em chegar em casa (breve posto uma resenha dele).

Eu pretendia retornar no último dia de Bienal para ver o Eduardo Sporh, mas o tempo estava meio chuvoso e o dinheiro inexistente. Acabei ficando em casa mesmo. 

Enfim, um lugar muito bacana. Na próxima vez, com certeza eu irei mais dias, quem sabe, como escritor. *—*

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Resenha: "Guerra das Sombras — O Livro de Ariela" de Jorge Tavares


 

Editora: Novo Século
Lançamento: 2007
Páginas: 352
Sinopse: O segundo dos quatro livros é narrado pela princesa de Delon, Ariela Delonien. A história passa-se cerca de doze anos após "O Livro de Dinaer". A Princesa acompanha Rairom numa misteriosa jornada através da Península Oreânica, em direção às Montanhas Queialiam. O desenrolar dessa aventura, bem como suas relevantes conseqüências formam o principal foco narrativo de "O Livro de Ariela". "O Livro de Ariela" é sobre Rairom Guenor e seu destino. Muito é definido nesse volume surpreendente.







Resenha  



O segundo capítulo da tetralogia de Jorge Tavares nos apresenta um novo ponto de vista narrativo, o da princesa Ariela, muito destoante com a narração de Dinaer — narrador no primeiro volume. Essa disparidade entre um narrador “humano”, como Ariela, e um narrador “divino”, como Dinaer, acaba por mudar o ritmo deste segundo livro em relação ao seu antecessor. Se Dinaer era uma figura forte que nos deixava apreensivos relatando a história, tendo um contato direito com o escolhido (Rairon Guernor), de modo que quase toda a trama focava-se neste personagem, Ariela peca justamente em dividir os eventos com outros personagens e abstrair o protagonista em longos momentos do livro. Obviamente que não seria possível acompanhá-lo em quase toda a trama, porém, criou-se um pouco de angústia em saber acerca das demais cenas com Rairon que aparentavam ter grande importância. Em contrapartida, foi muito bom para a história revelar outras figuras importantes, sobretudo, os líderes de cidades e países. Aliás, o teor de cenas políticas no Livro de Ariela é bem mais denso que o antecessor. Jorge Tavares, usufruindo de seus conhecimentos como diplomata, refinou as cenas de uma maneira bastante qualificativa. 

Algo apresentado neste segundo volume e que não teve no primeiro, foi a utilização de uma mapa para guiar o leitor tanto na jornada empreitada por Rairon, Laqueu e Ariella, quanto para a melhor visualização do panorama belicoso em que se achava a Península Oreânica. Embora não tenha tido o mesmo ritmo e empolgação a cada capítulo com ocorreu no Livro de Dinaer, esta obra possui altos e baixos: algumas cenas fizeram realmente a história avançar, já outras serviram apenas para preencher com algo mais. 

Uma outra questão menor neste volume foram os poucos momentos de cenas com magia, ressalvo as ocasiões em que Rairon fazia alguns truques aqui e ali — e um magnânimo espetáculo na guerra que ocorre ao final do livro —, os momentos giraram em torno muito das apreensões de Ariela a respeito do que seria o certo ou errado a se fazer a respeito do escolhido, além das cenas políticas que tomaram boa parte da história na segunda metade do livro.

Além do deus Dinaer, já conhecido, é revelado outras divindades que enriquecem ainda mais a história, e o enredo da Guerra das Sombras, pelo menos dentro desse contexto divino, começa a tomar uma forma mais ampla. 

É interessante notar também a evolução de Rairon, que se tornou um Mago muito forte desde os fatídicos acontecimentos ocorridos no primeiro livro. Infelizmente, como a história se passa muitos anos depois do fim do volume anterior, alguns eventos ficaram nebulosos e a leitura um pouco perdida. Acredito que essas lacunas de incompreensão sejam preenchidas no volume seguinte O Livro de Laios, que contará a respeito de eventos anteriores ao Livro de Ariela

Embora O Livro de Dinaer tenha sido melhor, este segundo volume proporcionou um empolgante e inesperado final, que certamente, fará o leitor ansioso para o próximo episódio da saga. 

O autor tem um site muito interessante sobre a série. Para saber mais, acesse: