domingo, 31 de janeiro de 2010

A Guerra das Energias - Volume 01 - Capítulo 04

Estou tendo dificuldade em entrar na internet essas últimas semanas. Mas felizmente, eu preparei um post fácil e útil até o lançamento do próximo capítulo.

Boa leitura.




   Um pedaço da rocha que protegia o corpo de Zailon, acima dele, cedeu em uma explosão ocasionada por um ataque inimigo. Tentáculos graúdos feitos de uma energia negra solidificada acometeram a rocha na qual o Mago estava embrenhado. Por sorte do mesmo, o rochedo era grosso e vigoroso para resistir àqueles ataques. Tais investidas apenas explodiam junto à rocha.
   O Mago sentiu os farelos cinzentos do rochedo caírem sobre seu concentrado cabelo verde claro. Um pouco abaixo de uma única e agressiva mecha diagonal que encobria parte do lado esquerdo de sua fronte, seus olhos estreitados denotavam sua seriedade perante a situação.
   Afinal, estava enfrentando o ser mais poderoso do mundo naquele tempo: Raizen, ou também conhecido como, Lorde da Destruição. Também nomeado como um dos três Lordes Malignos ao lado de Akiros e Hinaro. Felizmente para o Mago, os outros dois que portavam poderes inferiores à Raizen, porém ainda grandes, já estavam mortos; mesmo que a morte de um deles não tenha sido confirmada. Portanto, restava apenas um.
   Zailon recordava-se de que a criação do Lorde relacionava-se com o mal que dominava as pessoas.
   Por causa de certos indivíduos, cruéis conseqüências recaíram sobre gente inocente. Um Mago zela pela paz no mundo, e qualquer ato maligno deve ser detido. Os “Guardiões da Paz”, como eles são conhecidos, prezam acima de tudo, os atos benéficos e as boas pessoas existentes. Essa era a missão de um Mago. Trazer a ordem que citará a paz. Entretanto, Raizen fora uma falha nessa missão, e por conta disso, as decorrências reincidiram sobre todas as pessoas no mundo.
  Tais seqüelas lastimáveis acabaram criando um panorama muito contrário ao que os Magos desejavam. Três Lordes Malignos irromperam a chamada “paz”, se comparada aos tempos de guerra. E Raizen tornou-se o causador principal de uma total destruição.
“Eu sou um Mago, e como Governante deles, é minha responsabilidade consertar este erro. Eu vou acabar com esse mal e restaurar a paz.”
   Com essa determinação pessimista, o Mago Zailon Hauker, portando sua túnica azul de tom forte, presa a um cinto marrom, e capa negra – com o símbolo Trinyang adornado nas costas – começou a ponderar numa estratégia para mudar sua ação naquela luta. Já fazia algum tempo que sofria pressão do inimigo, obrigando-se a se esconder entre as várias rochas naquele lugar de aspecto pedregoso.
   Já perdera a conta de por quantas horas aquela luta se arrastava. Raizen mostrou ser um oponente formidável além do que Zailon imaginara. Eram poucos os Magos que teriam a capacidade física e mental de permanecerem ativos naquele embate duradouro.
- Então o Mago Supremo é apenas capaz disso? – indagou alguém não muito distante.
   Raizen dialogava com Zailon. Sua voz era forte e imponente, e transpassava uma total segurança de si. Aparentava ser plácido, mas para quem ouvia, recebia uma forte sensação de temor. Ele continuou.
– Você teve a audácia de vir até aqui e me enfrentar... para fazer apenas isso: fugir como um covarde. – Em seguida, o Lorde proferiu uma rápida risada desdenhosa. – Se o ser dito como mais forte deste mundo não pode me encarar, digo-lhe que este mundo estará acabado.
   Aquelas palavras causaram irritação em Zailon, mesclado com uma forte sensação de impotência. Tinha conhecimento de que o poder de Raizen era gigantesco e que poucos no mundo, contando com ele, tinham a capacidade de enfrentá-lo. Mas a proeza de vencê-lo não estava na competência de ninguém. O que ele estava fazendo não era uma luta para eliminá-lo, mas uma luta para entretê-lo. Até que a arma secreta, sua última aposta, chegasse até ele.

Aron continuou seu percurso após seu encontro inesperado com Taylor. Passar sobre as rochas desabadas não fora uma tarefa muito difícil, visto que era necessário apenas saltar provendo de sua Aura concentrada nos pés. Embora, tivesse que subir sem usar saltos em alguns pontos, esgueirara-se sem inconvenientes até o topo do monte de pedras. Sobre o cume, foi só seguir o resto do caminho escondido após o desmoronamento.
   Ele mal acreditava que saira ileso após um encontro com o criminoso mais procurado do mundo: o Mago Negro, Taylor Ferews. Muitas indagações sobre este homem ainda pairavam na mente de Hauker.
“Como ele sabia sobre a Pirâmide dos Três Guardiões?”
   Esse objeto fora entregue a Aron por Dalfing pouco antes de morrer. Antes daquele momento fúnebre, Aron fora mandado por Peyne, um dos Magos Generais, para entregar uma relíquia importantíssima para Zailon, que se encontrava em Dhakor na iminência de travar uma batalha mortal com o Lorde da Destruição. Tal item mágico era a Agulha do Poder, capaz de aumentar instantaneamente, com efeito passageiro, o poder daquele que usá-la para furar o próprio coração. Infelizmente, Aron não sabia como, mas tal relíquia que fora colocada sob sua responsabilidade desapareceu.
   O adolescente mal sentia seus pés pisando na terra dura e cinzenta salpicada de pedrinhas, e muito menos sentia o baque de sua corrida. Sua mente pareceu ter entrado em uma sedutora indagação. Algo que o jovem mal parara para pensar devido ao calor dos acontecimentos recentes.
“Por que eu estava desmaiado?”
   Aron logo pensou que o fato de ter estado desacordado por algum tempo tinha relação com o sumiço da Agulha do Poder. Tentou lembrar o que acontecera antes de acordar, mas o que passou por sua cabeça foram apenas imagens desordenadas e confusas: sua entrada no Território Negro; a visão fantasmagórica de um exército gigantesco de Espectros e Raças Horrendas por toda uma planície; e também... A última coisa que se lembrava estava envolta por uma luz ofuscante, e ao que parecia a imagem de um cajado e a silhueta de um rosto.
   O ribombar dos trovões irrompidos adiante, no cume do penhasco, tiraram o Mago de suas reflexões misteriosas. Ele voltou-se à realidade e pôde sentir novamente a tensão de sua corrida, sua respiração frenética, e a visão do penhasco se aproximando.
      Seus olhos bateram sobre um monte bem próximo ao longo do vale. Tinha um formato cilíndrico, e aparentava ser bem espesso; suas encostas eram recheadas de irregularidades. Perto de sua base, a superfície do declive parecia ser derramada sobre o plano.
   Em cima do penhasco, raios eram esguichados em direções aleatórias estendendo-se até as nuvens. Aron podia ouvir o som dos ataques daqueles que batalhavam no topo. As luzes dos raios emitidos por algum dos duelistas alumiavam o céu carregado, dando a impressão de que uma tempestade cairia sobre aquela região.
   O som da batalha incitou mais velocidade nas pernas do adolescente, que deu maior apreço à sua missão. Seu pai estava dando tudo de si, lutando contra Raizen, mesmo sabendo que o poder do Lorde era superior. Porém, Zailon concluira que acabar com aquele ser era o único modo de impedir o avanço da Energia Maligna no mundo. E ele não poderia executar tal feito sozinho. Ele precisava de ajuda.
- Pai, eu estou chegando! – esbravejou o jovem Mago, se aproximando cada vez mais do penhasco.

Atento ao silêncio que se formara após as palavras de Raizen, Zailon empunhou firmemente seu cajado, se precavendo caso um ataque surpresa lhe acometesse. E como o esperado...
   Por cima da rocha, mais um tentáculo de energia tentou acertá-lo verticalmente. Entretanto, o Mago foi mais rápido e lançou uma intensa descarga elétrica com seu cajado. A investida atingiu o tentáculo negro o envolvendo num chispo azulado de eletricidade. Alguns instantes depois, a energia escura se dilacerou em inúmeras e ínfimas partículas enegrecidas, para em seguida, desvanecerem no ar.
   Sabendo que poderia haver outro ataque inusitado, Zailon decidiu fazer algo a respeito. Colocou-se numa postura ereta e moveu seus pés protegidos por botas de couro. Saiu de trás da pedra de onde estava escondido, e girou o corpo para trás, com o intuito de enxergar aquele que lhe atacara no outro lado. Seus olhos verde-escuro encararam o oponente não muito longe.
   A poucos metros de distância, Raizen jazia sobre uma rocha pontiaguda de três metros de altura. Seus pés pareciam não se incomodar por estarem divididos nos dois flancos íngremes do rochedo cinza. A altitude na qual se encontrava apenas salientava ainda mais a sua posição de criatura temida. Era a visão de um ser onipotente.
   O Lorde da Destruição tinha uma pele pálida numa leve tonalidade cinzenta, e sobre ela, algumas listras negras curvadas marcavam todo o seu corpo. De vestimenta, possuía uma espécie de sandália, joelheira, uma calça curta que ia até abaixo dos joelhos – um pano volteava a região alguns centímetros abaixo da cintura, cobrindo metade da região das coxas – e, todos os acessórios do seu corpo eram de tonalidade bordô.
No centro do peitoral, incrustada, jazia uma jóia hexagonal de cor negra e levemente reluzindo uma gradação violeta, grudada ao músculo do tórax.
   Seus cabelos tão negros quanto à escuridão de sua existência eram longos e recaiam até a metade das costas; e algumas mechas escorregavam por sua testa. Um pouco abaixo, os dois olhos cor escarlate encaravam furiosamente o inimigo. Em sua boca aberta, seus dentes afiados se mostravam, como se um predador estivesse prestes a atacar sua presa. Raizen ainda tinha unhas negras tanto nas mãos quanto nos pés.
   Empunhava duas armas. Tratava-se de duas espadas longas e curvadas na cor vinho, combinando com as vestimentas de baixo. A lâmina e o cabo eram do mesmo tom.
   Raizen era bilíngüe. Tinha conhecimento da língua humana, que era a habitual naquele mundo, e também da Língua Obscura. Esta última linguagem ele apenas pronunciava aos Espectros e a outras Raças Horrendas. Eram poucos os Magos que também podiam entender tal língua, visto que esse aprendizado já não era mais obrigatório na sociedade deles.
“ Hyu se gyer syrawo.”
- Serei destruído? – indagou Zailon com um sorriso, duvidando da afirmação de Raizen. – É o que vamos ver!
    Sem perder tempo, ele levantou o cajado longo na direção do Lorde Maligno. Sua arma era de um azul bem mais forte que sua roupa, e na ponta, adornado com um metal dourado em linha reta semelhante a uma lança - e ao longo de seu curto comprimento era cheio de ramificações rijas; todas direcionadas para um respectivo lado, e depois, rumando para a direção da lança, como se fossem um “L”. Essa forma de “ele” diminuía seu tamanho conforme as ramificações se aproximavam da extremidade da ponta. Em suma, se poderia dizer que a arma de Zailon era ao mesmo tempo, além de um cajado, uma espécie de lança com espinhos nodosos na ponta.
   Chispas elétricas dançaram por um ínfimo segundo entre as ramificações de sua arma. Logo em seguida, a ponta do cajado foi volteada por um brilho luzente de gradação azulada.
- Raios! – bradou o Mago.
   Um raio azul saiu do cajado e viajou até o oponente, e este, por sua vez, notou rapidamente a hostilidade que se encaminhava até ele. Empunhou suas duas espadas da maneira mais ágil possível, e as colocou na frente do corpo na forma de um “X”. A energia chispante não colidiu por pouco com a solidez das espadas por questão de milímetros. Isso porque uma barreira translúcida criada pela posição das espadas refletiu a magia inimiga, ocasionando pequenas ondas na superfície do escudo quase invisível.
   O raio lançado pelo Mago era incidido para várias direções. Ora ele ia para o céu, ora para o solo, ou até mesmo contra o próprio invocador. O ataque era simplesmente refletido para rumos aleatórios.
      Zailon soltou um urro de bravura e intensificou o ataque. Uma maior quantidade de raios pulou de seu cajado em direção ao inimigo. Ao mesmo tempo, ele deu uma pisada forte no chão produzindo um baque completamente ofuscado pelo som das faíscas elétricas.
   Enquanto as linhas elétricas eram detidas pelas espadas cruzadas do Lorde da Destruição, o segundo ataque se encaminhava sigilosamente até o alvo. A primeira ofensiva foi apenas uma distração para o verdadeiro propósito da investida. Após lutar tanto tempo contra aquele oponente, Zailon já sabia o que teria êxito ou não contra Raizen. Ele certamente não seria pego em um simples ataque elétrico.
   Um pequeno monte de poucos centímetros de altura, proveniente da pisada de Zailon, corria pelo chão em direção à Raizen, este que ainda não havia notado o ataque principal. Seu ego ainda se glorificava por estar detendo uma ofensiva tão infantil àquela altura da batalha. Foi quando a pilha de terra aproximou-se pela lateral do alvo, e subitamente, uma rocha pontuda emergiu do ponto em que ela parou, crescendo diagonalmente para acertar o inimigo.
   Raizen notou um som incomum à sua direita, e viu um espinho rochoso lhe vindo acometer. Foi tudo extremamente rápido, e ele só teve o tempo necessário de assimilar aquela ponta prestes a atingir sua costela.
   Zailon viu a uma boa distância, entre as faíscas elétricas que iam até o inimigo, seu plano funcionar. Abaixou o cajado cessando o envio de seus raios.
- Consegui! - Ele vibrou por um momento ao ver que a rocha atingira em cheio o flanco do oponente. Porém, a visão que se sucedeu trouxe-lhe frustração. – O que!? Não pode ser!
   Raizen fitava de soslaio para a ponta rochosa que insistia em perfurar sua carne; conseguia apenas afundar alguns milímetros a pele pálida do Lorde Maligno. Aquele espeto feito de pura rocha se assemelhava a um espinho de pedra emergindo diagonalmente da terra, mas que não conseguia mais crescer; isso porque encontrara uma resistência no meio do trajeto.
- Hmpf! Eu sabia que seu objetivo não era apenas me atacar com aqueles raios medíocres. Por isso, fiquei ansioso para saber o que estava planejando – proferiu Raizen, mirando o Mago Supremo de maneira desdenhosa. Praticamente menosprezava a capacidade daquele poderoso inimigo visto por alguns. Zailon ainda permanecia confuso.
- Como? Como a rocha não perfurou o seu corpo. Eu inseri uma alta densidade de Energia Volaki na extremidade desta pedra. Por que ela não o perfurou? Seu corpo é tão resistente assim?
- Não – respondeu Raizen com um som gutural. – O que acontece, Mago Zailon, é que você usou o relevo de Dhakor para me atacar. Você deveria saber mais sobre o tipo de lugar em que está pisando. O Lar da Energia Maligna. Tudo o que está neste lugar é composto por essa Energia, e como eu dependo dela para viver, é óbvio que qualquer coisa em que a Energia Maligna esteja incluída ela não será em hipótese alguma hostil em relação a mim.
   Raizen lançou um sorriso oblíquo, e desfez a posição cruzada de suas duas espadas. Ele então jogou a da mão esquerda no solo, cravando-a verticalmente. Depois, com a mão nua, segurou a rocha pontuda que incomodava seu flanco e a partiu facilmente. Zailon olhou para a cena sabendo que o inimigo estava apenas demonstrando sua incrível força física.
- Mas devo admitir, você é bem forte – falou Raizen com um sorriso tenebroso. A expressão de seu rosto tomou um significado indistinto da onde saiu palavras que guardavam um sentido misterioso e maldoso. – Seria um desperdício matá-lo ao invés de usar esse poder ao meu favor.
- Do que está falando? – inquiriu o Mago, divisando uma feição pretensiosa no adversário.
   Ele não respondeu. Apenas ergueu a espada da mão direita na altura do peito e a posicionou horizontalmente com seu bico virado para a esquerda. E com a mão de mesmo lado, começou a alisar a espada do cabo até a sua extremidade com os dois dedos. Um brilho negro foi tingindo a lâmina conforme o passar dos dedos; isso em companhia a palavras proferidas na Linguagem Obscura.
- Ingyr may enekir.
“Enegreça nosso inimigo.”
   Um denso negrume saia da lâmina, como se o aparo da mão do Lord a estivesse queimando com um fogo obscuro. Quando os dedos chegaram ao fim da espada, a mesma mostrou-se numa nova lâmina escura e polida. Zailon olhou para a nova tonalidade daquela espada, receando o que aquela transformação significaria para o andar da batalha.
   Raizen soltou uma risada momentânea e colocou sua espada à mostra defronte ao rosto. Ele admirou por um breve momento sua “nova” arma. Em seguida, mirou o inimigo com um sorriso afetado, podendo enxergar a feição atenta e preocupada do mesmo.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Livros de S.D.Perry - Resident Evil




   Quem tem um console da geração Playstation em diante e nunca ouviu falar de Resident Evil que se jogue contra a parede. Não é nada exagerado dizer que a franquia deste maravilhoso game marcou uma geração. Resident Evil é uma das melhores sagas para games já criada. De tão aclamada, ela ultrapassou o mundo dos games e foi parar em filmes, livros e até mesmo em alguns capítulos de mangás; ganhando uma incrível variedade de fãs pelo mundo todo.

   Biohazard(nome original, já que no ocidente foi renomeado como Resident Evil) foi um dos primeiros games que joguei no meu humilde Play 01, que ainda tenho até hoje; num estado bem capenga, mas ainda funcionando. E o meu vício por esta série não parou apenas nos jogos. Achei um material muito bacana para os fãs do game. Trata-se dos livros de S.D.Perry que retrata de forma fiel a história dos jogos. Entretanto, alguns pontos do enredo não são considerados como verídicos na trama original da série. Aliás, a Capcom reutilizou tanto os games a ponto de mudar muita coisa, que não é qualquer fã que sabe o que realmente aconteceu ou não na história dos jogos. Isso porque existem alguns outros jogos que fazem parte da cronologia real da série, e outros não.

   Voltando a literatura de horror; sim, é isso que o leitor encontrará ao ler esta coleção dos livros de Perry. Com certeza irá agradar os saudosistas daquela velha trama contada na trilogia do Playstation. Além desses, há os livros referentes ao games Code Verônica e Zero. Há ainda outros dois que não retratam a história dos jogos, mas bem interessantes; considerados enredos paralelos.

   Infelizmente, os sete livros não são encontrados em nenhuma livraria em português. Existem apenas as versões em inglês. Pra quem sabe a língua tudo bem, porém, o que farão aqueles que não sabem, mas que querem se deliciar com esta leitura? Simples, dá um jeitinho. Somos brasileiros, por isso sempre temos que recorrer a “jeitinhos” pra resolver problemas. Se o país não nos oferece aquilo que queremos, basta nós mesmos corrermos atrás.

   O site FYFRE direcionado à série Biohazard, atualmente extinto se não me engano, traduziu seis destes sete livros. Algum tempo depois, ela parou, pois acho que alguém estava ganhando dinheiro às custas do trabalho de tradução e do autor. É realmente uma grande sacanagem um filho da *%#&8 baixar os livros e sair vendendo por aí, visto que o download do material foi um trabalho de fã para fã. Eu não considero um download deste livro ilegal, pois com certeza ele não será vendido em português aqui no Brasil por nenhuma editora. Não custa nada ter uma leitura específica dessas quando o país não se interessa em trazer para cá. Imagine querer ler tal livro sabendo que ele nunca virá para o seu país? Frustrante com certeza. Se a Internet é um instrumento de globalização, qual o problema de se tapar este buraco com ela? O único problema é o exemplo daquele filho da *&%$# que mencionei há pouco. E isto também é um aviso para quem for baixar os livros.

   NÃO LUCRE COM O TRABALHO DOS OUTROS.

   É uma falta de caráter com o fã que teve o trabalho de traduzir, e muito mais, com o autor original. É uma obra que está sendo disponibilizada com o intuito de saciar o prazer de fãs que queiram se aventurar num novo patamar de Resident Evil.

   Segue abaixo as capas e as sinopses dos livros. Mais adiante, um link para baixar um pacote com os seis primeiros livros. O "Hora Zero" só se encontra em espanhol.




O primeiro livro da série de S.D. Perry reconta o incidente da mansão, visto no primeiro game da série. A autora, entretanto, vai além, e acrescenta novas situações, como alguns momentos anteriores à missão, com os S.T.A.R.S. ainda na delegacia de polícia, se preparando para embarcar em direção à floresta de Raccoon City. Perry também acrescenta um novo personagem, Trent, um misterioso homem que auxilia Jill e parece de alguma forma estar envolvido com a Umbrella Corporation.








Nesta aventura inédita, S.D. Perry apresenta um segundo time dos S.T.A.R.S., da cidade de Exeter. Eles são apresentados a Rebecca Chambers, sobrevivente do incidente na mansão de Spencer e, juntos, investigam um incidente biológico que ocorreu em Caliban Cove, no Maine. O livro conta com novas criaturas, chamadas “Leviathans”, e uma nova cepa de vírus que mantém a inteligência dos infectados, mas remove todo o livre-arbítrio, tornando-os facilmente controláveis.








Raccoon City está dominada por zumbis, e Leon Kennedy e Claire Redfield são alguns dos poucos ainda vivos e, buscando refúgio na delegacia da cidade, os dois unem forças para sobreviver. S.D. Perry mais uma vez reconta a história de um game da série, relatando toda a saga dos personagens de Resident Evil 2 enquanto eles descobrem que a estação de polícia não é um porto tão seguro assim, e que a influência da Umbrella se estende aos mais altos escalões de poder.








Em sua segunda história inédita, S.D. Perry mais uma vez tem os S.T.A.R.S. de Exeter como personagens centrais que, juntamente com Leon, Claire e Rebecca, estão viajando para a Europa para continuar a luta contra a Umbrella. O misterioso Trent, porém, tem uma nova missão para o grupo: invadir uma base da companhia no Utah e roubar um livro de códigos que permitiria acesso aos documentos mais secretos da empresa.








No segundo ato da infecção em Raccoon City, S.D. Perry segue Jill Valentine, ex-membro dos S.T.A.R.S., em sua luta pela sobrevivência nas usa da cidade. Em seu caminho, porém, está Nemesis, uma das armas biológicas mais poderosas da Umbrella, que a persegue onde quer que vá. A autora dá atenção especial a Nicholai, um dos mercenários da companhia, que possui seus próprios objetivos em meio ao caos.






 

Em sua luta contra a Umbrella, Claire Redfield invade um prédio da companhia e é capturada, sendo levada presa à Ilha Rockfort, palco de mais um incidente biológico. No sexto livro de sua série, S.D. Perry relata as aventuras da personagem, seu irmão Chris, e Steve Burnside, enquanto eles tentam sobreviver aos monstros que tomaram conta do local.









Este é o livro de S.D. Perry que traz a maior fidelidade à história do game que o originou. Rebecca Chambers é enviada à floresta de Raccoon juntamente com seus companheiros do Bravo Team dos S.T.A.R.S. para investigar os assassinatos bizarros que aconteciam no local. Billy Coen, um fugitivo condenado à morte, junta-se à garota enquanto se desenrola uma trama que remonta às origens da Umbrella Corporation.

 DOWNLOAD "HORA ZERO" EM ESPANHOL



segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Sobre a série Mundo Sombrio



Vou explicar um pouco sobre a estrutura da série e o seu futuro. Neste blog estão sendo postados os capítulos pouco a pouco do primeiro livro, que na verdade trata-se de um volume do primeiro Arco.

A série Mundo Sombrio é constituída de Arcos, e dentro destes, estão os volumes. Cada livro será um volume.

O primeiro Arco da série é chamado de "A Guerra das Energias" com um número de volumes indefinido. Os volumes são inomináveis, sendo chamados simplesmente de Volume 01,02,03,04...

O primeiro volume estará finalizado em 2011. Os capítulos aqui no blog são apenas uma versão Beta, ainda precisam ser modificados em alguns pontos. 

Contos ambientados no primeiro Arco do livro estarão disponíveis a partir de Abril. 

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Mundo Sombrio - A Guerra das Energias - Capítulo 03

Aproveitando o feriado e lançando o capítulo 3 adiantado.

Como perceberam, o título da postagem mudou. O que acontece é que reestruturei a série, e agora o Livro I se chamará "A Guerra das Energias". No próximo post trarei todos os detalhes. Por hora, fiquem com o novo capítulo abaixo.





   Uma brisa frígida soprou contra o rosto de Aron quando seus olhos incidiram sobre aquele homem. Um encontro inimaginável.

– Você é... Taylor Ferews – pronunciou Aron, perante o Mago Negro mais procurado da atualidade.

  Taylor tinha olhos escarlates e penetrantes, comprovando o quanto da vida aquele olhar já presenciara. Transpassava a imagem de um sábio, porém, ao mesmo tempo, com uma certa altivez para com alguns. Possuía cabelos alaranjados e oleosos que pareciam ser longos, já que a parte de trás se ocultava dentro da capa; ainda havia duas pequenas madeixas em cada lado da testa. Apesar de ter uma idade avançada, aparentava ter menos do que quarenta anos.

  O jovem ainda não acreditava que tal pessoa estava realmente diante dele. Ele conhecia tão bem aquela face abominável que uma dor penosa e profunda se ramificou em seu peito. Mergulhando nos olhos rubros do Mago Negro, ele podia divisar o sangue derramado em suas lembranças. Aquele homem era o responsável pela morte de muitas pessoas queridas, mas duas delas, pessoas marcantes, ele em hipótese alguma, esqueceria.

  Rápidas imagens arrasaram sua mente, aflorando lembranças angustiantes.




Uma voz clamava por ajuda. A vida de uma garota dependia disso. Sua voz reverbava intensamente, denunciando um desejo desesperado de continuar vivendo, como se aquela morte fosse algo extremamente cruel para ela. “SOCORRO! POR FAVOR, ALGUÉM ME AJUDE! ALGUÉM, EU IMPLORO! ME SALVE! EU NÃO QUERO MORRER! ALGUÉEMM! NÃÃÃÃOO!

   Aron podia escutar a jovem Mirella gritando por ajuda. O único naquela ocasião que poderia ajudá-la era apenas ele. A sua melhor amiga estava prestes a ser morta, e ele tinha de fazer alguma coisa. A Maga, deitada, sem nenhuma chance de sair de uma situação mortal só podia esperar por um milagre. Só podia esperar por Aron Hauker.


   Após o sorriso cruel de uma pessoa, porém, tal milagre não ocorreu ou se mexeu, e o que se sucedeu, foi a visão trágica do jovem Hauker: um rio de sangue.

  Mirella Breynes, sua melhor amiga desde a infância, uma pessoa próxima e carinhosa. Apesar de ter sido assassinada por Taylor, sentia-se culpado por sua impotência de não ter evitado tal tragédia no passado.




Aquele âmbito escuro fora palco do final de uma luta predestinada. E Aron Hauker caminhava por aquele recinto, esperando encontrar uma pessoa querida, um dos combatentes, seu mestre Roland.


   Encontrou-o. Entretanto, uma gota de sangue tornou-se a memória mais marcante e desagradável, manchando de carmesim, seus sentimentos de afeto para com seu mestre.


  Roland Ferews, a pessoa que mais lhe reconhecera em toda sua existência. Aron não estivera no momento exato de sua morte, mas sabia que Taylor fora o culpado. Desde então, ainda não o tinha confrontado. Roland era um segundo pai para Aron. Alguém que sempre pôde confiar em toda a sua estadia como Mago. Se não fosse por ele, não seria o que era hoje.




  O responsável pela morte dessas pessoas amadas estava diante do jovem Hauker. Essa era a chance que Aron tanto ansiava. Uma oportunidade de ficar cara a cara com o assassino para cumprir sua vingança.


- Você... Você... – Aron balbuciava com um ódio crescente em seu tom. -... foi você quem matou o mestre Roland! Seu próprio irmão!


- Eu sei. Foi difícil ver alguém familiar lutar contra meus ideais. Ele não me deixou escolha – disse o Mago Negro de um jeito impassível com sua voz segura e imponente.


- Você realmente não tem coração. Isso é imperdoável! – gritou o jovem, exasperado com a forma que o outro pronunciara palavras tão frias.


- Ele era o seu mestre, não era? – Taylor perguntou fitando a animosidade nos olhos do adolescente. Seus olhos se estreitaram sobre o mesmo. – Eu posso ver. Eu posso sentir. Há um ódio transbordante lhe envolvendo.

   O Mago Negro observava um panorama diferente da realidade. Na verdade, usava uma espécie de visão surreal que apenas os Magos possuíam. A capacidade de enxergar a Energia Maligna em qualquer nível e forma. Apenas em raras ocasiões, quando esta Energia atingia níveis bem altos, podia ser vista por olhos de outras raças. Porém, enxergar os planos mais sutis a olho nu era impossível para qualquer indivíduo, exceto para Magos.


   A visão de Taylor era totalmente cinzenta. A realidade parecia ter sido tingida de um cinza do mais claro ao mais escuro, dependendo das tonalidades das cores no mundo real. Todavia, na visão de Taylor; na silhueta cinzenta do jovem, centenas de partículas negras eram expelidas de seu corpo, dirigindo-se para o céu. Não estava mais olhando para a realidade, e sim, para um outro patamar da mesma. Aquela era a Energia Maligna que emanava do Mago Aron.


– Há uma Energia Maligna brotando de seu corpo, proveniente do ódio causado por mim – disse Taylor. – E ele vai ficando mais e mais forte conforme você me encara.


   Aron sabia que ele tinha razão. A presença daquele homem incitava ainda mais sua odiosidade, mesmo sabendo que era proibido sentir este sentimento de forma tão intensa por ser um Mago. Talvez fosse o lugar onde se localizava que o instigava a exalar o ódio guardado dentro de si. Suas mãos já se encontravam fechadas e tremendo de ansiedade. Queria partir para cima do inimigo e extravasar todo o seu sentimento maléfico. Não agüentava tamanha resignação com aquele homem a tão poucos metros de distância.


- Oh, parece que sua Energia Maligna extrapolou os limites para um Mago. Agora, está mais para os padrões de um Mago Negro, como eu - disse Taylor com um sorriso pretensioso, sondando o jovem de forma curiosa.


- Eu nunca serei como você! – replicou Aron. – Você... traiu a todos nós. Como pôde fazer isso!? Meu pai confiava em você!


- Você ainda não pode entender. É jovem demais e ainda não consegue ver o mundo sob os mesmos olhos que os meus. Mas talvez, um dia, você consiga perceber o quanto este mundo é sombrio.


- Do que você está falando? Não há desculpas para os erros e atrocidades que você cometeu – Aron ainda dizia com um ódio exasperado que brotava de uma profunda tristeza escondida em sua alma. – Isso... Isso não é certo. – Toda a dor causada pelas perdas no passado se amontoou em seu coração, fazendo-lhe derramar algumas lágrimas e apertar ainda mais os punhos cerrados. Em seguida, urrou aos prantos com uma notável aversão na voz. – QUE MOTIVOS VOCÊ TEM PARA MATAR AQUELES QUE TANTO AMEI? QUE MOTIVOS VOCÊ TEM PARA PERTURBAR A ORDEM DESTE MUNDO?


   Taylor riu de forma debochada.


- Ordem? Acha mesmo que a ordem deste mundo está ordenada? Tão ingênuo como sempre, Aron – disse ele num tom de escárnio.


- E você não passa de um egoísta tentando provar seus ideais ridículos. O que você fez nunca trará a verdadeira ordem a este mundo – retorquiu o jovem, ainda abespinhado. Boa parte de suas lágrimas já haviam caído, mas agora sua emoção parecia se prender ao ódio e a injustiça que via naquilo.


- O que fiz... – Taylor pronunciou indiferente, perante a expressão e os sentimentos do Mago adiante - ... foi o que devia ser feito. Infelizes são aqueles que perderam alguma coisa. Mas devem ser gratos... por cooperarem aos meus objetivos que visam o chamado “bem comum”.


   Aron estremeceu com aquelas palavras. Estava se segurando o máximo que podia para não avançar para cima do Mago Negro. Seus punhos vibravam de uma aflição incessante. Taylor delineou um sorriso afetado e continuou.


- Por causa das distorções deste mundo, é preciso que ele pague um preço para que a verdadeira ordem seja restabelecida. Tais preços são os sacrifícios, assim como Roland e Mirella.


   A frase dita pelo Mago Negro libertou toda a fúria do jovem para o seu movimento. Num ímpeto, Aron finalmente iniciou uma investida contra o inimigo.


- COMO PODE DIZER ALGO ASSIM!? – gritou o adolescente correndo a toda na direção de Taylor, querendo atacá-lo mais do que nunca. Ele até mesmo largou o seu cajado, fato que Taylor logo estranhou.


   Aron avançou com o punho já sendo erguido enquanto mirava o adversário. Taylor, por sua vez, permaneceu estático, mesmo com o garoto atirando-se até ele. Há poucos passos de ir ao encontro do inimigo, Aron deu um pequeno pulo, e carregou sua força no punho direito. Seu grito de fúria soou alto e claro durante a ofensiva.


   Taylor, como se não visse nada de mais naquele ato, apenas ergueu a mão esquerda e agarrou o punho do garoto que colidiu com sua palma. Mesmo com a força de impulso tomada pelo Mago, este teve seu avanço parado pelo simples retardo de sua mão. Seus pés se puseram novamente no chão, e Taylor continuou o fitando com o mesmo olhar austero de antes.


- Você não queria me derrotar com apenas um soco, queria? – Taylor perguntou com debique. – Se tivesse um pingo de racionalidade na sua vingança e no seu ódio, me atacaria usando o cajado com sua Energia Volaki, e não com um simples ataque físico facilmente defensível.


   Aron se exacerbou com o comentário sabendo que o outro tinha razão. Uma investida corpo a corpo não era a melhor forma de lutar para um Mago. Mas ele queria um contato físico, isso o faria sentir mais satisfação. Entretanto, conseguir tal acometimento corporal não era o seu real objetivo, mesmo querendo muito.


- Me subestimando como sempre, Taylor – falou o jovem com uma expressão séria de quem foi desprezado.


   Aron levantou sua mão esquerda, e a direcionou rapidamente para o rosto do inimigo. Mas ao mesmo tempo em que o jovem abriu a mão, jogou com a mesma, grãos amarronzados bem pequenos contra a face de Taylor.


- Tiro de Vento!


   Neste instante, uma forte e curta rajada de vento proveniente da mesma mão, arremessou os grãos agressivamente contra a face do Mago Negro, que não moveu um milímetro de seu corpo ao receber o ataque.


   A rajada fez explodir os grãos no rosto do oponente. Uma nuvem da mesma tonalidade dos grãos cobriu ambos os Magos. A explosão foi ensurdecedora e retumbante, já que Taylor recebera o ataque diretamente, e Aron estava próximo demais da explosão. Mas nada acontecera a face do jovem que esperava o contrário do semblante do inimigo.


   A nuvem de estouro se esvaneceu e Aron procurou divisar o cenho do outro. Então, o adolescente ficou estupefato ao notar que os olhos de Taylor continuavam fitando os seus. Ficou surpreso com a falha obtida. Esperava um dano considerável no rosto dele, mas o que conseguiu foi apenas um acanhado ferimento no flanco da testa por onde escorria um pequeno filete de sangue. O olhar de Taylor tornou-se intimidador para o garoto, que estava com sua boca entreaberta de tão chocado.


- Impossível – sibilou Aron.


- Não importa o quanto eu o subestime, Aron. Não fará diferença para um Mago de minha envergadura. Foi muito astuto em usar as Sementes Explosivas junto com a rajada. Você as tirou sutilmente de seu bolso da calça antes de me atacar. Eu nem mesmo percebi tal ato durante a nossa conversa. Agora entendo porque o meu filho foi derrotado. Você o deixou em um estado lastimável e inútil, e ele acabou se sacrificando no processo. Em outras palavras, posso dizer que você o matou.


   Aron passou a olhar seriamente para o Mago Negro, relembrando o momento em que lutara contra Blaize Ferews há alguns meses. Ele podia ver a semelhança daquele inimigo no rosto do pai: Taylor Ferews.


- Ele não valia nada assim como o pai – falou Aron, rispidamente.


- Tudo bem só você querer vingança? – perguntou Taylor com um sorriso afetado.


   O Mago Negro segurou firmemente o outro punho de Aron apertando-o de maneira forte e dolorosa. O jovem tentou se desvencilhar, mas suas duas mãos eram seguras pelo inimigo.


   Pouco depois, Taylor jogou o braço do Mago para o lado, e acometeu sua palma da mão direita no peito do oponente, ainda segurando a outra mão do mesmo. O choque foi intenso, e no mesmo instante, Taylor desprendeu a mão que prendia o garoto.


   Aron foi arremessado para trás e caiu de costas há dez metros do Mago Negro; seu corpo ainda foi se arrastando no chão, para enfim, estacionar ao lado do próprio cajado.


   O jovem Hauker gemeu um pouco, mas logo tratou de se aprumar. Recolheu o cajado esquecido no chão e voltou a encarar novamente o homem que lhe atacara. O assalto frontal não fora muito forte como pensou que seria. Passou a mão no peito, pouco sentindo alguma dor.


- Por sorte, eu não o culpo totalmente pela morte de Blaize já que o mesmo também teve culpa em sua teimosia – disse Taylor, com uma pausa enquanto o outro Mago terminava de se recompor. – Mas no seu caso, desista de sua vingança. Eles não voltarão para você se a fizer. E além disso, no momento, acho que você tem algo de maior importância para fazer, não? – inquiriu Taylor, fazendo Aron recordar-se de sua missão.


   O jovem abriu um pouco os olhos lembrando-se de sua responsabilidade naquele lugar. Em seu saco preso ao cinto, a relíquia piramidal ainda jazia esperando para ser usada pela pessoa certa.


– Você precisa levar algo a uma pessoa, não é? – A pergunta de Taylor fez o Mago adolescente focar sua atenção e preocupação no assunto.


- Você sabe sobre isso? – indagou Aron, com apreensão, mas encarando seriamente o inimigo, querendo não demonstrar qualquer tipo de medo.


- Esse objeto é a última esperança do mundo. Aquilo que pode deter o avanço do mal descontrolado e desordenado que assola a todos. É a bala para matar o Lorde da Destruição. E você está levando essa munição para a arma... Seu pai.


   No céu, várias luzes por entre as nuvens puderam ser vistas na cor azul. Elas eram emitidas de algum lugar próximo a eles. Acompanhando os flashes, também se ouvia barulhos de explosões que pareciam vir de alguma batalha não muito distante.


- Eles estão lutando aqui perto... – confirmou Taylor, fitando o firmamento negro acima dele, uma hora ou outra, sendo manchado por luzes frenéticas. – ... Zailon e o Lorde da Destruição.


- Você... não me pretende deixar passar, não é? – Aron perguntou vendo que o Mago Negro estava em seu caminho, um pouco a frente do desmoronamento de pedras que impedia a passagem na trilha do vale. Taylor voltou a fitá-lo.


- Eu poderia muito bem matá-lo aqui e acabar com toda a esperança do mundo, mas... – Aron ficou atento nas próximas palavras que sairiam da boca de Taylor . Este abriu seus lábios num sorriso malicioso, que escondia profundas intenções ambiciosas.


    A expressão afetada do Mago Negro se assomou e seduziu o jovem. Uma sensação estranha o rodeou e o sorriso de Taylor tornou-se indistinto.


- Não se esqueça. Você ainda tem uma missão a fazer – alertou Taylor, quebrando o significado das palavras previstas anteriormente.


   Aron pensou que ele diria outra coisa, e achou estranho ouvir tal fala. As luzes no céu e o som que as acompanhavam soaram mais alto que da última vez.


- E sugiro que se apresse – finalizou o Mago Negro, pondo-se novamente em seu pássaro anegrejado atrás dele.


   Quando o mesmo estava para alçar voo, o jovem correu até ele.


- Espere! – mas o garoto interrompeu sua corrida quando o vento ricochetado pelas asas acometeu seu rosto, forçando-o a pôr as mãos na frente. Ele então observou a imagem de Taylor indo embora sobre o pássaro. – Droga! O que ele veio fazer aqui realmente?


   Muitas perguntas reverbaram na mente do jovem. Encontrar aquela pessoa ali era uma grande ironia do destino. Ele jurou que se vingaria para matar o assassino de seu mestre Roland. Mas ao mesmo tempo, sabia que estava longe de ter a força necessária para este feito. Ainda assim, o que aquele encontro significou para ele e Taylor? Qual a finalidade daquele embate para o destino do jovem Hauker?


   Passado a tensão de estar na frente de um criminoso, Aron voltou-se a sua missão mencionada pelo mesmo. Sabia que não podia ficar ali parado, perdendo tempo diante de uma nova incógnita. Precisava entregar a pirâmide ao seu pai.


   As luzes da batalha fizeram novamente sua presença. O duelo mortal entre Zailon e Raizen se intensificava, e Aron tinha de alcançá-los antes que fosse tarde demais.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Mais uma rede social literária - O Livreiro


Depois do Skoob, me deparei com mais um site literário: O Livreiro.

Basicamente é o mesmo que o Skoob: você monta seu perfil, faz sua estante com livros que já leu, que ainda irá ler, que quer trocar, etc. Mas é preciso salientar algumas diferenças.

O primeiro aspecto a ser reparado logo de cara é o design do site. Com um layoult muito mais bonito e atrativo que lembra mais a cor do papel. Sem contar que a página principal é totalmente requintada com diversas informações, diferentemente daquela simplicidade do Skoob. Todavia, muitas das ações no site são demoradas. Não há eficiência, dando a impressão de que a página é totalmente pesada; um preço a se pagar por tantos adornos.

O segundo ponto em questão é o que o site traz de diferente. Logo na primeira página, o usuário encontra várias seções com informações diversificadas. Além disso, existem as comunidades, da mesma forma que existem no ORKUT. Neste aspecto, pode-se dizer que O Livreiro tem mais semelhança com esta viciosa rede social do que o Skoob. Apesar de ainda serem poucas, é uma parte do site que ajuda os usuários interagirem uns com os outros.

A página de perfil também é muito mais bonita, seguindo o layoult do site.

Existe também o chamado Clube do Livro, que não sei ao certo como funciona, mas o que entendi é que um livro é escolhido para que os usuários façam um debate sobre ele.

Acho que a diferença clara entre ambos os sites é que o Skoob prefere a praticidade e a simplicidade, enquanto O Livreiro aposta num recanto com conteúdo e mais interação mesmo que isso custe um pouco à uma navegação rápida e eficiente.

Os dois apresentam bases iguais, porém, propostas diferentes.

O Skoob é bom para descobrir novos livros, visto que mantém um grande acervo de obras. Parece mais  uma sondagem do que os leitores acham sobre os mais variados livros que existem. No site podemos ter uma idéia do quão famoso é tal obra. Pode-se observar de perto o crescimento de livros, autores, e leitores.

O Livreiro busca interação entre os usuários com comunidades, informações, e discussões.

De qualquer forma, vale a pena participar de ambos.

Acesse O Livreiro

Criei uma comunidade no O Livreiro chamada "Eu escrevo livros em blogs". Quem quiser participar...

Próximo post, o terceiro capítulo de Mundo Sombrio.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Mundo Sombrio - Capítulo 02

Graças a opinião de um leitor fiz algumas modificações no nome dos Espectros. Aqueles que leram o primeiro capítulo com o nome "Espectro nível 02", digo que o nome agora será "Grão-espectro". E assim retiro essa nomemclacia com níveis.




   O fim nunca parecia estar próximo mesmo após suas pernas estarem trabalhando por longos minutos. Aquele vale estreito aparentava ser maior do que se imaginava. A mesma imagem sempre adiante nunca mudava. Sem perder o ritmo uma única vez durante o percurso, Aron continuou sua corrida na esperança de chegar a algum lugar.

   Além disso, um outro fato que despertava seu interesse eram os contínuos sons de uma batalha distante. Quanto mais ele progredia, mais o som tornava-se audível. Era o sinal de que estava perto; de que seu pai se encontrava apenas mais alguns minutos de distância, provavelmente num embate frenético contra Raizen.

   Mas até lá, muitas coisas poderiam acontecer para acometê-lo; assim como ocorrera há pouco tempo, quando um Grão-espectro mergulhara no vale para pegá-lo. Obviamente aquele não deveria ser o único na região, e Aron tinha ciência disso. De vez em quando olhava para o céu procurando alguma sombra que estivesse sobrevoando o vale. Ele perambulava em um território inimigo, e a qualquer momento poderia se deparar com alguma hostilidade. Por isso, fizera seu cajado surgir seguro em sua mão. Tinha de estar preparado para quando algo do tipo ocorresse.

   Num instante, seus olhos piscaram ao notar uma deformação no terreno pela primeira vez. O chão não era mais horizontal, e logo divisou uma subida. Na verdade, ele já havia discernido alguma alteração no trajeto bem ao longe, mas não tinha certeza se era mesmo uma mudança na estrutura do caminho ou se tratava apenas de uma ilusão, já que num lugar como aquele não seria muito incomum seus sentidos sofrerem algum tipo de variação.

   Aron estava próximo à pequena elevação. Seu rosto esboçou uma leve felicidade com a pequena variante do caminho. Estava chegando a algum lugar. Entusiasmado, o Mago iniciou a subida na inclinação que não era muito íngreme, apenas um pouco comprida.

   O final estava próximo, e Aron mal esperava para o que ver ali de cima. Ao mesmo tempo em que subia, ouvia um som além dos da batalha longínqua. Mas sem dar a devida importância a ele, e sem avaliá-lo melhor, assomou-se ao cume da subida.

   Sua animação deu lugar à frustração ao se deparar com uma deplorável cena no caminho. Havia alguns metros de trilha plana que terminava no fim do vale, mas após isso, um outro vale abaixo cortava a passagem. O barulho que antes não dera atenção soava forte e temível agora.

   Aron caminhou cautelosamente e se aproximou da beirada. Inclinou o olhar para baixo averiguando a profundidade do vale que não era tão alto. Ele calculou uma altura por volta de cinqüenta metros até a terra acinzentada lá embaixo.

   O som que ouvira anteriormente tornou-se mais agudo, e o adolescente, dessa vez, aplicou toda a atenção ao que poderia ser. Virou o rosto para a direita, onde na curva do vale abaixo, figuras muito temidas surgiram, causando grande surpresa e arrepio em Aron.

   Um Exército Espectral.

   Centenas semelhantes do mesmo ser que atacara Aron momentos antes. Eles apareciam de uma curva um pouco antes da posição do Mago no vale e marchavam para o oeste, deixando o som de seus passos reverbarem pelo lugar.

   Aquela peculiar legião era composta por Espectros comuns, os de força mais decadente, porém, alguns seres poderiam ter dificuldade para enfrentá-los. Diferentemente dos Grãos-espectro, eles não possuíam aquela armadura de brilho frio torneando o corpo, apenas um manto gasto e escuro que horripila ainda mais sua imagem. Seus rostos eram invisíveis de onde Aron os via, pois todos se encontravam encapuzados. Porém, alguns Grãos-espectro se encarregavam de guiar os batalhões.

   Todavia, uma raça mais habitual integrava aquele tropel: os Orcs. Criaturas bárbaras e temerosas que vivem nos arredores de Dhakor. Eles compõem o que os outros chamam de “Raças Horrendas”, seres que são tachados como indivíduos malignos. No caso dos Orcs, eles vivem ao sul de Dhakor, na região montanhosa de Brokor, nome dado ao lugar que rodeia o Território Negro.

   Os Orcs viram na Guerra das Energias a chance de sair do confinamento de sua região e invadir outras cidades do continente, disseminando todo o terror que são capazes de provocar. Por causa do ressurgimento dos Espectros, um fenômeno muito raro, as raças vizinhas ao Território Negro, que antes não ousavam passar das fronteiras de Brokor, agora eram instigadas a invadirem o mundo afora de forma cruel.

   Aron divisava de forma assombrosa os seres de pele áspera com tonalidade marrom clara, quase no centro do batalhão, sendo comandados por um General Orc. O militarismo era uma característica marcante da raça.

   Além das pisadas fortes e ordenadas que tremiam o chão, Orcs e Espectros urravam numa linguagem desconhecida. Tais palavras provavelmente serviam para exultar o batalhão no caminho para a guerra. Aron não entendia o significado delas, e presumiu que tais frases pertenciam a Linguagem Obscura.



“Zakor y mitfuir may silir. Gurkar gy silir gys mityrs frynor Kalirm. Sevakar gy bem y mukilar faw gy mal. Gy meri birawo se gyer sirawo, wyre jure le kiri.”



   Mas para aqueles que tinham conhecimento de tal linguagem profana, eis o que diziam:



“Nascer e retribuir nossa existência. Cessar a existência daqueles que nos criaram. Assolar o bem e cobrir com o mal. O mundo ingrato será destruído, pois assim ele quis.”



   O Mago adolescente estava tão distraído espionando o batalhão no vale abaixo que por muito pouco não fora descoberto. Ficou sobressaltado de olhos arregalados quando reconheceu uma imponente criatura sobrevoando o exército.

“Um Crisolder gigante!?”

   Aron rapidamente se escondeu atrás de uma rocha ao lado para não ser descoberto. Ele podia se considerar um grande sortudo por não ter sido notado pelos olhos de um Crisolder.

   Esta criatura era duas vezes maior que um Crisolder comum, porém, parecia que a entrada deles em Dhakor, acabou tornando-os mais potentes. Isso incluía desde o seu tamanho até suas magias utilizadas através de seus olhos. Seu corpo era esférico de tom acinzentado, o que era uma tonalidade pouco comum.

   O olho central, o maior deles, assim como os outros olhos na extremidade de seus tentáculos provenientes da região acima de sua cabeça, assemelhando a um cabelo visto de longe, aparentava um tipo anomalia. Eram preenchidos por uma cor negra e a pupila mostrava-se numa tonalidade cinzenta. Mais um efeito causado pela Energia Maligna do Território Negro.

   Além dos olhos, seus espinhos rijos e alongados em volta do corpo lembravam vagamente cristais por serem bem reluzentes. Uma peculiaridade importante era que o Crisolder tinha aptidão para ataques elétricos, o que podia ser bem observado pelas faíscas intermitentes entre os espinhos.

   O Mago não poderia sair daquela posição. Aquele Crisolder monstruoso, que guardava todo aquele exército de um possível inimigo ao redor, poderia vê-lo sem muito esforço. Como os poderes daquela criatura foram ampliados, muito provavelmente até visão de infra-vermelho ele teria.

   O tropel reverbava sua marcha e sua fala por aquela região. Aron praguejou mentalmente. O Crisolder passava naquele exato momento atrás dele, na mesma altura do vale onde o adolescente se embrenhava por trás da pedra. O que lhe impedia de ser visto era a rocha, entretanto, esta não se mostrou alta o suficiente para escondê-lo completamente do olho mais elevado da criatura esférica.

   O tentáculo mais longo, o que estava exatamente sobre o meio da cabeça do Crisolder, se esgueirou até uma rocha no final de um vale superior ao que o Exército Espectral se encontrava. O olho usava sua visão infra-vermelho, e divisava uma pequena fonte de calor após a rocha.

   Enquanto o jovem Mago, agachado, permanecia torcendo para que não fosse visto, recuou sua perna direita inconscientemente. Mas era justamente a ponta do pé direito de Aron que o Crisolder perscrutava, e quando o viu sumindo para dentro da rocha, soube que algum indivíduo estava lá.

   Um atributo desta raça era a grande capacidade de enviar magias na forma de raios, estes com efeitos variados. O mais provável, era que naquela ocasião, o Crisolder soltasse um raio comum sobre a rocha, apenas para fazer sair o que ali estava embrenhado.

   O Crisolder parou seu voo, rotacionou seu corpo, e se concentrou naquele ponto da rocha. Sua boca, que antes fechada quase não podia ser vista, se alargou, mostrando dentes finos, afiados e amarelados. O tentáculo tremulou por alguns instantes, e um som de algo sendo carregado se alastrou. Estava prestes a lançar um ataque elétrico sobre Aron, este que ainda permanecia sem saber que fora visto, pelo menos até o ponto de escutar o barulho de carregamento que denunciava o lançamento de magia do Crisolder.

“Essa não!”

   Então, um raio estrondoso foi lançado. Mas não na direção de Aron, e sim em direção ao céu. Todos os Espectros e Orcs pararam ao verem uma linha reluzente e espinhosa sair do solo e se dirigir para o firmamento carregado não muito longe dali, na mesma direção onde o exército seguia.

   O Crisolder logo tratou de usar seu olho central no ponto onde o raio desconhecido fora lançado ao longe. Ele divisou a imagem de cinco silhuetas avermelhadas em sua visão de infra-vermelho. A criatura soou um tipo de rugido para toda a legião saber que se tratava de inimigos.

   O Exército Espectral então aumentou o ritmo de sua marcha rumo ao local onde estariam os indivíduos responsáveis por aquele raio.

   Aron, que chegou a ver vagamente o raio à direita, permaneceu olhando para o mesmo lado do vale por onde o exército se afastava. Ao notar o som do tropel em movimento e numa intensidade cada vez menor sentiu um pingo de alívio.

   Esperou um pouco até que os últimos Espectros desaparecessem numa curva ao longe. Quando o som do tropel ficou bem leve, Aron se aproximou da beirada para confirmar se realmente não havia mais nenhum inimigo por ali.

   Ele não tinha idéia do que fora aquele raio lançado, mas se o Crisolder alertara a legião de Espectros e Orcs, significa que eram inimigos. Será que havia outros Magos além dele e de seu pai em Dhakor? Aron não sabia, mas clamava por qualquer ajuda naquele momento. Todavia, ainda tinha sua missão a cumprir. Só restava torcer para que aliados realmente estivessem por perto.

   Vendo que se encontrava novamente sozinho naquele inóspito lugar, pôs-se a fitar o outro lado do vale, a continuação de seu trajeto.

   Mas como chegaria até lá? A distância entre os dois penhascos eram de no mínimo trinta metros.

“O que eu faço?” indagou-se o Mago ponderando sobre como contornar aquela situação.

   Passado alguns segundos, ele se decidiu. Mas primeiro, cuidou de um item bastante especial.

   Ele pegou um pequeno saco de couro que estava amarrado junto ao seu cinto e desatou a corda que o fechava. Na verdade, ele já tinha a vontade de executar aquela ação, mas como antes se encontrava naquele interminável vale ficar parado lá significaria aumentar o seu tempo de exposição a prováveis inimigos.

– Isso vai me ser útil – proferiu, certo de que conseguiria proteger a pirâmide.

   Não poderia deixar um objeto tão valioso à mostra na sua mão. Guardou a pirâmide dentro do saco, que coube perfeitamente ao tamanho, nem mais nem menos. Após a relíquia estar segura, amarrou-a, e como num passe de mágica, apertou o saco e não sentiu nenhum preenchimento. Não havia nenhum contato sólido com a pirâmide, pois aparentemente ela não estava lá. O saco tinha a propriedade mágica de sumir com o seu conteúdo quando estivesse bem fechado.

   O Mago se afastou um pouco da beirada do vale e se concentrou.

- Isso tem que funcionar – ansiou ele fechando os olhos.

   Era novato em realizar a técnica que faria, mas aquele era o único jeito de atravessar. Com certeza não conseguiria pular uma distância tão grande mesmo se usasse sua Aura como impulso. E se caísse no vale, seria complicado ter de escalar toda aquela altura, sem contar que perderia muito tempo. Logo, a única saída que chegou foi: voar.

   Uma brisa leve começou a rodear o corpo do Mago levantando um círculo de poeira no chão em torno dele. As mechas de seu cabelo aventaram gentilmente. Então, os pés de Aron se desprenderam do chão e principiaram uma subida lenta e calma. Iniciando seu voo cauteloso, o garoto deixou seus pés pairarem sobre o plano por mais alguns segundos enquanto respirava profundamente buscando uma maior concentração.

   Num certo instante, Aron abriu os olhos de súbito, e impulsionou o corpo para frente. Ele começou a voar sobre o vale que antes estava abarrotado de Espectros e Orcs. A velocidade do voo era lenta, já que não fazia muito tempo que Aron aprendera a usar sua Energia Volaki de Vento para tal ação. Por isso, flutuava com prudência.

   Foram necessários apenas alguns segundos para Aron pousar seus pés sobre o chão da outra trilha. Agora, encontrava-se no interior de mais um vale, idêntico ao anterior; como se fosse a sequência de seu caminho. Mas a julgar pelos sons de batalha que ouvira antes, e que naquele momento deram uma pausa, julgou estar no trajeto certo.

   Aron retomou sua corrida com a mesma imagem reta de antes. Um infindo caminho plano ladeado por duas encostas, desta vez, não tão eretas. Não sabia onde seria o final, mas estava disposto a chegar até lá.




Após alguns segundos do jovem Hauker ter partido daquele vale aquém, duas patas cinzentas e rugosas pousaram sobre o cume de uma das encostas de onde Aron saira para voar até o outro lado do caminho. Tratava-se de um pássaro com enorme envergadura, e sobre ele, jazia uma pessoa.

   Tal indivíduo coberto por uma capa escura que veludava todo o corpo, exceto parte do rosto que se encontrava encapuzado, fitou seus dois olhos rubros no caminho por onde Aron seguira. Ele esboçou um sorriso e alçou voo com sua ave dirigindo-se ao mesmo lugar.




Aron continuou correndo, determinado em chegar logo ao fim da trilha. Mas sua atenção foi redefinida quando ouviu um chio irromper no céu. Ele cessou os passos e visou o firmamento atrás dele pensando no que poderia ter sido aquilo. Seria outro Wyvern com um Espectro lhe perseguindo?

   Mas contrariando sua hipótese, enxergou uma figura se esgueirando acima do vale, lhe sobrevoando. O Mago arregalou os olhos ao se dar conta de um inimigo daquele porte. Não era um Espectro, pois eles não comandavam Pássaros Negros - aves com pêlo escuro de mais de um metro. Apenas um tipo de ser teria capacidade para tal domínio. Tratava-se do oposto do que Aron era: um Mago Negro.

   O bico do pássaro, que por sinal era cinza, se abriu; e na boca dele, uma esfera flamejante se originou. O domador permanecia com os olhos vermelhos fixados no alvo.

   Ao perceber um brilho circular e alaranjado no pássaro, Aron voltou a correr, desta vez preocupado em fugir do inimigo.

   O Mago Negro fez a ave impelir sua magia, e a esfera chamejante viajou até o Mago acertando a parede ao lado dele; e permaneceu correndo mesmo com o estouro à sua direita. Aron colocou os braços sobre a cabeça por causa dos pedaços rochosos desvencilhados da encosta.

   Mais um tiro foi arremessado, e felizmente para o alvo, este não fora um sucesso, explodindo no chão bem próximo a ele, erguendo poeira do mesmo. O tiro seguinte colidiu atrás do Mago, que continuava tendo muita sorte na ocasião. Este último lhe fez perder um pouco do equilíbrio, mas permaneceu estável em sua corrida.

   Curioso, o homem no pássaro pronunciou um som desdenhoso, e ergueu sua mão direita na direção do vale abaixo. Sibilou palavras inaudíveis. Sua mão começou a tremer, e seguindo sua vibração, a terra abaixo dele também. Esforçando-se para manter aquele terremoto, o Mago Negro fez o terreno estremecer violentamente, e as paredes que formavam o vale, soltarem blocos enormes de pedras anegrejadas.

   Aron desequilibrou-se por causa do sismo, mas não parou de correr mesmo que desconcertado, pois precisava continuar de uma maneira ou de outra. Pedras começaram a deslizar perto dele. Aquele corredor começava a se tornar uma trilha hostil. Foi quando mais adiante, sentiu suas esperanças serem soterradas por um enorme deslizamento da encosta à direita. As rochas enegrecidas desprenderam-se formando um monte gigantesco no meio da trilha.

- Essa não! – praguejou Aron.

   Ele logo parou ao ver que não havia mais saída adiante. Voltou-se para trás, e notou o enorme pássaro voar em sua direção. A ave esvoaçou na direção do Mago, que ficou parado esperando o animal se aproximar em uma grande velocidade. Aron não sabia direito como se defender, mas seu cajado estava na mão direita. Poderia atacá-lo com sua arma a qualquer momento.

   Porém, no instante em que Aron pensou em realizar alguma investida, o pássaro mudou seu percurso e sobrevoou o jovem, pousando em seguida, de frente ao monte de rochas recém-construído. Suas asas ainda batiam suavemente enquanto suas patas cinzentas tocavam o chão. Aron virou-se com os olhos sérios e apreensivos para a pessoa sobre o pássaro.

   O Mago Negro pulou de cima da ave, deixando suas botas negras produziram um baque. Executou alguns passos de forma lenta na direção do adolescente. Não dava para saber quem era, pois caminhava com a cabeça levemente abaixada. Apenas seus lábios estavam à mostra. Foi então que ele parou. Aron aguardou alguma reação, mas o outro nada fez por alguns instantes.

- Quem é você? – inquiriu Aron, querendo descobrir a identidade daquele indivíduo.

- Já faz um bom tempo que não nos vemos, Aron Hauker – pronunciou uma voz madura.

   O jovem reconheceu aquele tom imediatamente, e arregalou os olhos pensando se era mesmo aquela pessoa. A expressão de seu rosto mudava gradativamente à medida que o Mago Negro erguia sua face de forma vagarosa. Por fim, ele retirou o capuz que lhe cobria para revelar de forma nítida, sua misteriosa identidade. A surpresa na face do jovem foi evidente.

- Você? – Aron ficou totalmente incrédulo. Nunca imaginou encontrar aquele homem naquele lugar.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Mundo Sombrio - Capítulos



Os capítulos serão postados aproximadamente a cada 10 dias. Eles correspondem ao meu primeiro livro intitulado "Mundo Sombrio - A Guerra das Energias - Volume 01". Esses são os capítulos iniciais do livro como amostra. A versão final estará pronta em 2011.

Segue abaixo a lista dos capítulos. Confira em breve, contos ambientados no universo de Mundo Sombrio. 








quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Promoções de livros em blogs

Ultimamente venho percorrendo alguns blogs e me deparando com vários sorteios de livros. Basicamente, as regras de inscrição são sempre as mesmas: tornar-se um seguidor do blog, e se quiser ter mais chance de ganhar, divulgar tal blog.

Para quem passou o natal sem receber nenhum presente, e ainda está amargurando porque não ganhou na mega-sena, pode ter a chance de dar o troco nestes sorteios e ganhar um livro. Pelo menos aqui, torça para que você ganhe alguma coisa, pois existem 12 sorteios para participar. Então lá vamos que a lista é grande.


Blog Sagas Marcantes

Para falar um pouco do blog, ele é recheado de resenhas, e para fazer jus ao nome,com muitos livros que realmente marcam quem ler. É um bom mundo para escolhermos um ótimo livro. E o melhor do blog, é que as atualizações são praticamente diárias.

O sorteio em questão é referente ao livro Um Mundo Perfeito de Leonardo Brum. E pelo o que li por aí, parece realmente ser um ótimo livro nacional. Ponto pra gente!

(Se for participar desta promoção, na hora de enviar o email, envie com o ID:13)
Para participar do sorteio deste livro, clique aqui

 
Blog Psicose Virtual

Um blog de assuntos bem variados como: animação, aplicativo, filmes, games, livros, séries e etc.
Neste sorteio, o ganhador escolhe um dentre os cinco livros listados. Clique nos links para conferir os livros no Skoob.

1- Sociedades Secretas - Sylvia Browne 
2- Eragon - Christopher Paolini 
3- Eldest - Christopher Paolini 
4- Memórias de Uma Gueixa
5- O Mapa dos Ossos - James Rollins

 Para participar da promoção deste blog, clique aqui


Blog Um Livro Secreto

Este é mais um blog com dicas de leitura e resenhas.  São dois livros para sorteio com dois ganhadores diferentes. Os livros são:

Estrelar Píer - Kamila Denlescki
Rede de Sonhos - Felipe Pan

 Para participar do sorteio deste blog, clique aqui


Blog O Mundo Dos Sonhos

Direcionado para o mundo literário com resenhas, entrevistas e muito mais.
Para os fãs de Sthepenye Meyer, o sorteio deste blog dará 5 Kits do mais novo sucesso da autora: A Hospedeira

Para participar do sorteio deste blog, clique aqui

Blog Recanto da Chefa

É de uma escritora nacional de nome Vivianne Fair com alguns livros lançados, entre eles uma comédia chamada Cavaleiros do RPG. No sorteio está seu mais novo livro, parte de uma trilogia: A caçadora - Sorriso de vampiro

Para participar do sorteio deste blog, clique aqui


Blog Lendo Nas Entrelinhas

Posts voltados para o mundo literário e com um layoult bem completo com informações rápidas.
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sábado, 2 de janeiro de 2010

Mundo Sombrio - Capítulo 01

Olá! Trago a vocês o primeiro capítulo do meu livro em construção. Gostaria de compartilhar o início deste projeto com leitores online, visando o acúmulo de críticas e leituras. Garantirei um entretenimento literário a quem adentrar nesta série online.

Boa leitura.





   Seus dedos arrastaram pequenas pedras cinzentas permeadas na terra sob um céu medonho e apavorante. Seus olhos, que retomavam a visão gradualmente, divisaram uma rocha negra a três metros de distância. Suas pernas fraquejavam, e careciam de força suficiente para se moverem. O Mago pôde sentir e ouvir sua respiração enquanto sua consciência retornava àquele lugar sombrio.

    A primeira sensação foi uma confusão formada na mente.

“O que aconteceu? Onde eu estou?”

    Eram perguntas que necessitavam de uma resposta para explicar tudo aquilo. Seus olhos permaneceram fixados no rochedo negro adiante. Sabendo que não descobriria tais respostas deitado naquele frio lugar, tentou novamente mexer suas pernas e outros membros.

   Um pouco atordoado e ainda confuso, fitou o local em volta onde permaneceu sentado. Uma coluna formada por uma rocha enegrecida assomava-se exalando uma sensação de escuridão e perdição à mente. Ao olhar para a esquerda e direita, e depois para cima, reparou que se encontrava no meio de um estreito vale formado por duas colunas negras e rijas de cada lado, como se fossem paredões. Os únicos caminhos a seguir eram a infinita trilha à direita ou à esquerda, que aparentavam serem demasiadamente longas.

   O céu coberto por nuvens anegrejadas, não carregadas por água, mas sim por trevas, não permitia a passagem de luz, porém, a terra abaixo não era totalmente escura. Isso graças a um imponente círculo luminoso assentado no firmamento, rodeado pelas nuvens tenebrosas que giravam em torno do mesmo quando se aproximavam.

   Tal circunferência luzente era chamada de Círculo Dual. Era preenchida por uma forma de matéria cinzenta que ninguém sabia ao certo o que era. A explicação mais comum era de que a desconhecida forma circular era um meio da Energia Benigna tentar se infiltrar no Território Negro sobre as nuvens, e tal método era detido pelos negrumes obscuros. Portanto, o brilho que iluminava Dhakor era a Energia Benigna, fazendo “a luz na escuridão.”

   O Círculo tratava de iluminar o Território Negro como uma lucidez pálida, assim como a Lua derramava sua claridade prateada em outros pontos do planeta, apesar de Dual ser de uma proporção luminescente superior.

   O Mago de nome Aron Hauker, portando uma calça azul marinho lembrando o lugar mais profundo dos oceanos, vestia uma camisa de tom ciano escuro, semelhante a grama alumiada por um intenso luar. Um cinto de couro prendia a camisa por baixo da calça.

   Sua capa de tom flor de milho, quase azul com uma tonalidade decaindo para um lilás bem suave, era presa por um broche dourado com uma imagem peculiar muito bem entalhada. Tal imagem era a mesma adornada no manto da capa, que por sua vez, exibia-se de uma maneira mais fiel a sua visão original. Tratava-se de uma figura acentuada de trinta centímetros de altura, o Trinyang.



  Consistia numa imagem de dois triângulos inclinados sobrepostos em sentidos contrários. Suas cores também eram opositoras: branco e preto. Na interseção entre esses dois triângulos predominava uma cor cinzenta. A impressão que se tinha era que o branco aclarava a escuridão, ou o contrário, que o preto escurecia a luz. Este símbolo era a marca de que os Magos eram chamados de os Conhecedores do Bem e do Mal.

  A diversidade de tons do cabelo entre os Magos era muito comum. No caso de Aron, duas madeixas de seu cabelo de cor púrpura suave e de tamanho semi-longo até os ombros, caiam sobre uma faixa avermelhada que contornava sua testa. As mechas posicionavam-se tampando parte da visão dos olhos de cor vinho.

  Suas botas cinzentas arrastaram a terra de mesmo tom.

  Logo em seguida, seu olhar declinou com o intuito de recordar-se de como chegara àquele lugar. Lembrou-se de que realmente estava se dirigindo ao Território Negro. Mas como chegara até lá? Mesmo forçando a memória, não conseguia repassar sua última lembrança antes de acordar. Apenas imagens não ordenadas de momentos de sua saída em Nerus - a cidade dos Magos - e alguns outros períodos no meio do caminho. Logo viu que era inútil tentar rememorar.

  Ele não tinha dúvida que aquele lugar era Dhakor. O céu de aspecto tenebroso, e as rochas de feitio escuro e hostil, como havia visto em fotos e ouvido em relatos, comprovavam sua certeza.

  Com sua atenção voltada para o vale estreito em que se encontrava, ele notou pequenos negrumes negros brotando do interior das encostas retilíneas do vale. Era assim que Dhakor realizava sua respiração e vivia sob aquele céu carregado.

  O Mago observou que as acanhadas nuvens começaram a se elevar ao céu. As rochas exalavam a escuridão em todos os sentidos. Não era o olhar, e sim a sensação que tal imagem trazia ao interior do adolescente. Sufocante para uma pessoa comum, todavia, suportável para um Mago. A Energia Maligna reinava e comandava de forma absoluta o Território Negro.

  A sensação de tempo ressoou na concepção do jovem. Há quanto tempo ele estava observando aquele ambiente e seus detalhes medonhos? Não era hora para isso. Já estando naquele lugar, ele teria de fazer o que decidiu quando saiu de Nerus. Mas ao recordar deste fato, sua memória pareceu se embaralhar novamente ocultando certas lembranças atrás de outras. Nada estava claro, e sim muito nebuloso. Confuso demais para continuar rememorando.

  Entretanto, algo em sua tarefa naquele lugar era certa: encontrar seu pai e entregar a ele, a Agulha do Poder; uma agulha de quinze centímetros com a capacidade de adicionar uma força momentânea ao indivíduo que perfurá-la em seu coração.

  Aron pôs a mão dentro da algibeira esquerda de sua camisa, fechada por dois botões prateados, onde estaria tal objeto mágico. Mas arregalou os olhos ao sentir apenas o tecido de sua roupa.

- Não pode ser – murmurou o Mago notando que sua mão tateava o vazio. – Eu tenho certeza que a guardei aqui.

  A Agulha estava depositada em um suporte de metal feito especialmente para ela, porém, nem mesmo este se encontrava ali.

  Incrédulo, Aron se desesperou por não encontrar a Agulha. Aquele item era a única razão responsável por estar em Dhakor. Sem ele, não haveria do por que estar arriscando sua vida em território inimigo.

Foi então que o jovem de 17 anos ouviu um som inesperado naquele instante. Um rugido forte e agudo de uma criatura cortou o leve silêncio e a apreensão do Mago. Ao erguer o olhar, sob o céu, jazia a figura de um animal voador de tamanho médio semelhante a um dragão, mas com apenas duas patas: um Wyvern. E montado sobre ele, um ser proveniente da escuridão: um Grão-espectro.

O rosto dele não era visível dali; o que dava para se notar eram sua capa negra esvoaçante e sua armadura prateada exibindo um frio brilho pálido. Percebia-se ainda o seu instinto assassino chegando até o inimigo. Aron ficou paralisado ao confrontar um Grão-espectro.

Aquele indivíduo era uma espécie de ser evoluído do Espectro comum, os quais se viam em grande número nos batalhões de guerra. Os Espectros de nível superior se assemelhavam a Generais ou Tenentes, se encarregando de tarefas de comando. No caso daquele Grão-Espectro que sobrevoava o vale, ele cumpria sua função de vigiar as várias regiões de Dhakor sobre um Wyvern que somente alguém com sua aptidão seria capaz de fazer. Trabalho este que se mostrou de muita utilidade.

Aron deu um passo para trás, receando pela presença daquela figura. Instantaneamente o Wyvern com olhos de sangue sedento desceu para atacar o adolescente, que por sua vez, viu o monstro escamoso de cor cinzenta e seu dono adentrarem no vale. Eles estavam a poucos metros de distância e a criatura se aproximava cada vez mais.

O jovem Hauker teria que se defender de alguma maneira, e para isso, existia o seu cajado. Entretanto, ele não portava sua arma naquele momento, mas poderia chamá-la com suas palavras ou apenas utilizando-se de seu pensamento. Mas mesmo ao ponderar isso, se intimidou pela velocidade do monstro cinzento que em poucos instantes diminuía a extensão entre eles.

Sua única alternativa seria fugir. Porém, quando pensou nessa ação, percebeu que o Grão-espectro e sua fera domada estavam bem mais próximos, a ponto de deixar o Mago com os olhos arregalados e sem reação. Em menos de dois segundos ele seria atacado sem ter como se proteger.

Mas foi nessa hora que uma voz urrou bem alto para salvar a vida do garoto.

- Rajada de Luz!

A poucos metros de distância de onde Aron estava, uma rajada reluzente correu por aquele corredor, iluminando temporariamente as encostas escuras do vale e dirigindo-se à criatura que descia para atacar o Mago. Tanto ela quanto o seu domador foram pegos desprevenidos pelo ataque luminoso.

Aron olhou ambos os seres serem acertados pela luz e tirados da linha de colisão com ele. A lucidez mantivera seus corpos presos a ela até o ponto em que eles se chocaram contra a escura parede do vale. Logo em seguida, ambos ainda com velocidade, caíram e foram arrastados no chão levantando uma leve poeira cinzenta e pequenas pedras.

O garoto divisou o Wyvern e o Grão-espectro pararem há vinte metros adiante na trilha do vale. A nuvem de terra ainda encobria os indivíduos, mas antes dela se dissipar, os dois corpos começaram a se fragmentar em nuvens negras que se elevaram ao céu seguindo em direção ao norte; um dos caminhos do vale na mesma direção onde os corpos se encontravam. Os corpos continuaram nessa decomposição até não sobrar mais nenhum resquício do que foram. Até mesmo a armadura prateada fora decomposta.



  Aron então retirou seu olhar sobre o fenômeno de degeneração dos seres derrotados e voltou-se para a pessoa que lhe salvara. Há dez metros dele havia outro Mago na direção oposta, com seu cajado erguido numa posição diagonal ao céu. Mesmo após realizar o ataque ele permanecera com sua posição guardada.

  O adolescente observou as pernas do Mago se desequilibrarem deixando o corpo cair num baque exausto. Rapidamente, o garoto pôs-se a correr até a pessoa caída. Ao se aproximar, viu-o deitado de costas, apenas com sua capa bege – com o Trinyang como adorno - e seu cabelo castanho e maltratado à mostra. Ele o pegou no ombro e virou-o revelando um rosto conhecido.

- Senhor Dalfing – reconheceu Aron um dos grandes amigo de seu pai.

  A aparência do Mago de mais de cinquenta anos não estava das melhores. Sua expressão de fadiga era notável pelos seus olhos avermelhados e por sua pele meio pálida e suja. Como se não bastasse, ainda havia sangue escorrendo por sua boca.

- Aron... – sibilou ele com uma voz fraca e esforçada. O jovem Hauker pôde notar os dentes quebrados e ensangüentados quando o viu falar.

- Sr. Dalfing, o que houve com o senhor? – indagou preocupado com o estado do outro Mago.

- Eu preciso... – Dalfing fazia força para deixar o som sair. Suas condições não eram boas após ter lançado o último ataque. -... que você entregue... – A cada palavra dita, ele fechava os olhos com mais força como se estivesse suportando as sangrias em seu corpo. -... isso a seu pai.

  O Mago respirou fundo e lentamente movimentou sua mão para mostrar um incrível objeto que Aron não notara até aquele momento. Ele simplesmente passara despercebido enquanto o jovem atentava-se em atender a expressão do adulto.

  Quanto ao objeto nas mãos do mesmo, tratava-se de uma pirâmide de base pequena, composta de um cristal azulado de tonalidade branda e brilhante, apesar de não estar tão intensa naquela ocasião. Tinha cerca de trinta centímetros de altura. Forçosamente, o Mago o levantou.

- O que é isso? – perguntou Aron reparando no objeto nas mãos do outro Mago. Com os olhos fitando o jovem a sua frente, Dalfing respondeu:

- Isso é... a Pirâmide dos Três Guardiões... Aquilo que vai... pôr um fim... nesse período de trevas. Seu pai... está esperando esta relíquia – Um pouco de sangue jorrou de sua boca sujando seu queixo e seu pescoço por onde o líquido escorria.
- Sr. Dalfing! – Aron bradou, preocupadamente


- Não se preocupe comigo... – Ele soltou um gemido agonizante, mas não deixou de falar com o garoto, mesmo em seu tom precário. – Entregue isso a ele... Seu pai é o único que pode derrotar Raizen. – O Mago disse com sua consciência sendo consumida a cada instante pela morte iminente.

  Mas de repente, toda a apreensão que parecia ter tomado conta de seu rosto se desfez em um segundo. Seu olhar fitava o semblante do jovem Hauker de forma muito gentil, este que se encheu de dúvidas quanto ao significado daquela expressão. Era uma olhar o qual Dalfing nunca havia lhe direcionado.

  Sabendo que não tinha mais tempo, o adulto pronunciou suas últimas palavras com um sorriso final, divisando pela última vez o cenho daquele adolescente.

– O mundo está em suas mãos.

  A última frase e a visão dos olhos de Dalfing se fechando lentamente para o mundo abalaram Aron. Ele simplesmente não acreditou naquela cena. Era simplesmente irônico e inacreditável.

  O Mago que morrera era um grande amigo de seu pai, mas não demonstrava o mesmo com o filho deste amigo. Dalfing nunca o olhara com bons olhos, e sim, com certa raiva inexplicável por sua existência. Aron nunca soubera o porquê de não ser aceito por ele, mesmo depois de tantas provações. Talvez por ter sido responsável por uma tragédia que acometera a vida de Dalfing, o mesmo nunca o perdoou. Não fora culpa dele, mas foi apontado como responsável da conseqüência que levara a um trágico fim.

  Certa vez, Aron dissera para ele que como Mago, um dia seria responsável por salvar o mundo. Esse é o trabalho de um Mago, dizia o próprio Aron. Mas Dalfing o fitava com um olhar de censura e repugnância e, certa vez, proferiu a seguinte frase.

“O mundo nunca estará em suas mãos.”

  Por isso, as palavras finais do Mago que salvara sua vida foi tão chocante e irônica. Mas o garoto se sentiu tocado e agradecido por ouvir aquilo.

  Antes que a mão de Dalfing fizesse seu último movimento caindo ao chão, Aron apanhou a pirâmide que ele segurara pouco antes, e pegou a mesma mão soltando-a delicadamente sobre o solo. O cajado de Dalfing, ao lado do mesmo, desapareceu lentamente decomposto em partículas amarronzadas, flutuando sobre o corpo de seu dono, para depois desaparecerem eternamente.

  Aron fitou o rosto sem vida do Mago e notou o fenômeno da “Passagem” acontecer. Partículas cintilantes de tonalidade cinzenta emergiram do corpo de Dalfing e começaram a se elevar vagarosamente. Aron acompanhou a ascensão delas. Centenas de pontos fulgurantes estavam estacionados sobre o corpo do Mago.

- Me perdoe – pediu o Mago Hauker, sabendo que Dalfing sempre lhe culpara pela morte de sua sobrinha alguns anos atrás.

Foi então que Aron ouviu uma última e única voz vinda daquelas partículas.

“Eu confio em você, Aron.”

  Aron inspirou o ar com a boca se emocionando com aquelas palavras. Em seguida, as partículas subiram mais alguns centímetros e desapareceram como se tivessem sido queimadas no ar.

  O adolescente deixou uma lágrima resvalar em seu rosto e cair sobre a terra acinzentada e abarrotada de infindas pedras pequeninas. Ele apenas murmurou extremamente tocado, sua última palavra àquele homem.

- Obrigado – O jovem se levantou com os braços abaixados olhando para o corpo de Dalfing.

- O mundo está em minhas mãos – pronunciou Aron, fechando os olhos, assimilando o desejo final da pessoa que falecera.

  Suas lágrimas cessaram ao reter-se de volta ao seu objetivo. Logo após, se recompôs, e proferiu de maneira firme. – Cajado!

  Neste instante, partículas vermelhadas começaram a se materializar nas proximidades de sua mão. Elas se agruparam de forma a parecer um cabo. Partículas de tom dourado em menor quantidade também surgiram na ponta deste cabo, que num momento final, emanou um brilho ofuscante para esvanecer seu fulgor em seguida. Um cajado – de um metro e dez centímetros; cabo vermelho, adornado com uma esfera dourada na extremidade - estava agora em sua mão direita, e na outra, um importante objeto.

  Sua meta não mudou, apenas ganhou mais importância: levar a pirâmide para Zailon, a única pessoa que poderia derrotar o causador de toda a escuridão que recaia sobre o mundo.

  E Aron correu, sendo acompanhado pela última esperança de um homem que no último momento percebeu o quão importante era a vida daquele jovem, que por sua vez, corria para salvar o mundo, ciente da última e marcante intenção de Dalfing.

  As criaturas derrotadas por este Mago não estavam mais no caminho, pois suas siluetas desapareceram na forma de Energia Maligna. Aron seguia adiante com a relíquia na mão esquerda e o cajado na mão direita. O corredor sombrio parecia infinito a sua frente, mas sem medo, ele encarou aquela visão e correu determinado em cumprir sua missão.

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